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AMEAÇA DE NOVAS TARIFAS ABALA INDÚSTRIA AUTOMÓVEL EUROPEIA

Diário de Notícias

2026-01-20 22:12:43

Quatro maiores cotadas europeias perdem 5 mil milhões de euros AUTOMOVEL A nova vaga de tarifas provocou novo sell-off nas bolsas europeias. Stellantis, Mercedes, Volkswagen e BMW somam 5 mil milhões em desvalorizações num só dia, em virtude dos receios dos investidores. O setor do luxo também figurou entre os mais penalizados. NOvo anúncio de tarifas comerciais, nova derrocada nas bolsas. O setor automóvel e o luxo estiveram no centro das atenções em virtude das novidades do fim de semana relacionadas com a Gronelândia. Donald Trump voltou a empurrar os principais índices europeus para o vermelho . Os receios foram particularmente notórios nas praças que correspondem às maiores economias do continente e dizem respeito a desvalorizações que correspondem a milhares de milhões de euros. Desde O Dia da Libertação , assinalado pelo presidente dos Estados Unidos a 2 de abril de 2025, há um padrão comum, a respeito dos mercados, no contexto da guerra comercial. Sempre que Trump avança com novas tarifas alfandegárias, provoca uma reação intempestiva entre os investidores. Foi o caso naquela data, com os mercados em forte perda por todo o mundo. A situação repetiu-se em mais algumas ocasiões desde então, ainda que com menor intensidade e, esta segunda-feira, 19 de janeiro, é o caso mais recente. Na origem está a intenção dos EUA de anexar a Gronelândia. No sábado, Trump anunciou que vai aplicar tarifas de 10% sobre as importações que chegam de paises aliados do território (que pertence à Dinamarca, dispondo de alguma autonomia) que se opõem àquele objetivo. São OS casos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia. Já esta segunda-feira foi co-nhecida a reação dos mercados europeus, fortemente negativa. A este respeito, importa assinalar que a bolsa de Wall Street esteve encerrada, por motivo do feriado dedicado a Martin Luther King. O setor automóvel surge entre os mais castigados, visto que tem nas exportações para os EUA uma grande parte dos respetivos negócios. Prova disto é que o índice Stoxx 600 Automobiles & Parts descapitalizou 1,58%. Este inclui empresas europeias da indústria automóvel e outras relacionadas (como pneus e tecnologia para carros). Ainda assim, os principais nomes da indústria registaram perdas substancialmente maiores. Em termos absolutos, entre as quatro cotadas europeias da indústria automóvel que integram O Euro Stoxx 50 (índice do qual fazem parte as 50 empresas europeias com maior volume de capital público), as perdas ascendem a cinco mil milhões de euros, só na segunda-feira são os casos da BMW, Mercedes Benz, Volkswagen e Stellantis. As construtoras alemãs lideraram as perdas relativas, com quedas de 3,73% na Porsche, 3,43% na BMWe e 2,76% no grupo Volkswagen. Em simultâneo, a italiana Ferrari caiu 2,53% e a francesa Renault desvalorizou 2,14%. O grupo Stellantis, cotado nas bolsas de Milão e Paris (mas com maior preponderância na primeira) moveu um volume de ações muito maior do que qualquer uma das cotadas mencionadas acima. Ainda assim, a desvalorização foi menos expressiva, na ordem de 1,96%. Outro setor fortemente condicionado foio luxo. O índice Stoxx Europe Luxury 10 descapitalizou 3%. Este é um barómetro particularmente fiável, já que inclui as dezmaiores empresas europeias (Christian Dior, Burberry ou Hermes International, por exemplo, ainda que também inclua a já mencionada Ferrari) Foi na bolsa de Paris, historicamente impactante na bolsa francesa, que se observou grande parte do sentimento negatiVO. A Louis Vuitton e a Kering caíram mais de 4%, seguidas pela Hermes, que descapitalizou perto de 3,50%. Ainda assim, nem tudo é mau. A incerteza geopolítica lançada por Donald Trump gerou, uma vez mais, ânimo entre as cotadas ligadas à defesa. Os conflitos têm vindo a mostrar tendência para gerar valorizações no setor europeu de Defesa. Foi assim no ano de 2025, cujo brilho esteve ligado a outras questões geopolíticas, desde logo a guerra no leste europeu e os recuos dos EUA sobre os acordos da NATO, a par do aumento de despesa no setor, prometido por todos os outros Estados-membros. Ainda que o dia não se compare às melhores sessões de 2025, marcadas por subidas em larga escala, houve ganhos muito significativos. E o caso da alemã Rheinmetall, que ganhou 0,95%. Simultaneamente, observaram-se ganhos de 1,07% na francesa Thales e 2,76% na sueca Saab. PAG. 19 Com a bolsa de Wall Street encerrada, as praças europeias foram palco de perdas expressivas. Na origem estão os receios associados às novas tarifas de 10% decretadas por Donald Trump, que quer anexar a Gronelândia. TOMÁS GONÇALVES PEREIRA