RENAULT CLIO - DISRUPTIVO
2026-01-20 06:01:04

Ao volante. O Clio, automóvel determinante para o sucesso da Renault na Europa, tem geração nova, a sexta desde 1990. O carro novo, comparado com o antecessor, que surgiu no mercado em 2019, é muito diferente. A marca do losango, na sucessão do “best-seller”, (quase) não manteve pedra sobre pedra: à imagem disruptiva somou muitas tecnologias de ponta e uma versão híbrida com credenciais excecionais, sobretudo no que respeita a consumos e emissões de CO2. Primeira experiência de condução. Renault Clio, o automóvel que sucedeu ao 5 em 1990, tornou-se, rapidamente, num dos protagonistas do segmento B (utilitários), categoria determinante no mercado europeu, por combinar mecânicas eficientes com bom desempenho geral, tecnologias úteis e preços atrativos. Este facto é confirmado tanto pelos prémios que ganhou, muito, como, sobretudo, pelas mais de 17 milhões de unidades vendidas em 120 mercados. Agora, a marca francesa apresenta-nos a sexta geração do “best-seller” A fórmula por detrás da popularidade do Clio mantém-se, mas foi adaptada aos tempos modernos, e o desenho disruptivo a Renault classifica-o como “sensual” é mesmo o primeiro ponto a destacar. A dianteira longa com um “capot” esculpido a desembocar numa grelha protuberante e mais baixa sobressai de imediato, assim como os faróis com máscaras pretas (são “volumes negativos”, dizem os “designers” da marca). Outro destaque está no pa-ra-choques, que integra as luzes diurnas em forma de “c" nas extremidades, opção que também contribuiu para o aspeto mais musculado da carroçaria. Na lateral, além de esconder as borrachas entre as portas e as janelas, para uma imagem mais limpa, o Clio pode contar com jantes de até 18); o que sucede pela primeira vez (16” de série, de ferro nas versões Evolution, e de liga leve nas Techno). Já na traseira, a tampa da bagageira integra um “spoiler” de pequenas dimensões e os farolins apresentam-se divididos (outra estreia na Renault) e, também, inseridos em volumes negativos da chapa. Comparado com o carro que substitui, o Clio novo ganha 67 mm em comprimento (4,116 m) e 39 mm em largura (1,768 m). A Renault também anuncia progressos importantes no campo da aerodinâmico, reivindicando um coeficiente de 0,30 Cx. Existem sete cores exteriores, e duas são novas: Absolut Red e Absolut Green. Interior menos exuberante O ambiente a bordo do Clio também merece nota (muito) positiva, mesmo se o desenho do interior, que é dominado por linhas horizontais, surpreende menos do que O exterior. Ainda assim, existem pormenores que sobressaem, como os materiais têxteis utilizados no revestimento do painel de bordo, do lado do passageiro (trata-se, todavia, de elemento que depende de versão para versão), com retroiluminação ambiente LED (48 cores disponíveis e focos de luz em diversos pontos do habitáculo e com capacidades funcionais associadas aos sistemas de segurança e alerta do condutor). Na versão de topo Esprit Alpine que conduzimos na apresentação internacional do Clio VI, que decorreu em Portugal, na região de Cascais, encontrámos Alcantara e acabamentos em “titânio espectral” no painel de bordo, que tinha, também, uma gradação colorida. Tudo somado, progressos importantes na impressão de qualidade. O Clio novo, a exemplo do que acontece noutros automóveis recentes da Renault, conta com muitas tecnologias úteis, como o ecrã de instrumentos digital personalizável. Tem 10,1, dimensão semelhante à do monitor central tátil que integra o sistema multimédia OpenR Link e funcionalidades Google conectadas nas versões Techno e Esprit Alpine = Google Maps, assistente virtual (perspetivando-se já a chegada do Gemini, ainda mais moderno), acesso a loja digital para “download” de aplicações, incluindo de “streaming". Este sistema destaca-se pela rapidez de funcionamento e simplicidade de utilização. Já o espaço atrás não é muito diferente do que encontrávamos no Clio precedente. Todavia, dois adultos de estatura média sentam-se com comodidade. Na bagageira, 391 a 1176 litros de capacidade, dependendo do posicionamento dos encostos posteriores (mínimo de 309 litros, no caso do híbrido). Motorização híbrida convence No lançamento do Clio novo, uma motorização a gasolina e uma híbrida. Na primeira, 1.2 TCe com 115 cv e 190 Nm (consumos médios desde 5,0 1/100 km e emissões de co2 a partir de 114 g/km), mecânica que pode associar-se a caixa manual de 6 velocidades ou automática de 7 (EDC), de embraiagem dupla. Na segunda, sistema E-Tech Full Hybrid: 1.8 com 109 cv e 172 Nm, duas máquinas elétricas, uma principal (motriz) com 49 cv e 205 Nm e outra secundária, que atua como gerador e sincronizador da transmissão multimodo sem embraiagem (pontualmente, também apoia a tração), e tem 20 cv e 50 Nm. Para esta unidade, a marca do losango declara 160 cv e 270 Nm de binário, consumos desde 3,9 I/100 km e emissões de co2 a partir de 89 g/km, progressos na eficiência na mecânica de combustão e no “software” da transmissão. A bateria também é nova e tem mais capacidade do que a anterior (1,4 kWh em vez de 1,2 kWh), o que permite conduzir mais tempo de forma silenciosa e sem gases de escape. No primeiro contacto, este Clio exibiu virtudes, com desempenho mais do que satisfatório, tanto pela progressividade na entrega da potência, o que permite respostas expeditas aos movimentos no acelerador, como pela suavidade da condução em cidade, devido à ativação frequente do modo elétrico. O segmento B da Renault também consegue circular sem a mecânica de combustão interna noutros ambientes rodoviários e a velocidades maiores, se utilizarmos o pedal direito com ligeireza, facto que contribui para a eficiência na condução, por baixar os consumos. Num trajeto com cerca de 120 km, o “nosso” Esprit Alpine com jantes de 18” gastou menos do que os 3,7 1/100 km anunciados pela marca francesa. ? este percurso incluiu todos os tipos de vias. Num segundo percurso, com mais autoestrada, registámos uma média de 4,3 I/100 km. Esta versão estreia um “Smart mode”, programa que interpreta, automaticamente, os diversos momentos da condução para adaptar, também autonomamente, os desempenhos da direção e do sistema hí- brido fá-lo entre o “Smart Eco” e o “Smart Sport”. O condutor pode ativar este sistema de forma manual no comando Multi-Sense, no volante. O Clio não tem o “Perso" para personalização da configuração do automóvel e, em Sport, e só muito pontualmente, ouve-se o “ronco” do motor de combustão interna. Ainda assim, mesmo contando com 160 cv, O Clio E-Tech não tem aptidões desportivas, mesmo acelerando de forma decidi-da e contando com um chassis muito equilibrado, como demonstra o bom controlo de movimentos em curva, o que aumenta a agilidade, a estabilidade e a precisão na condução, e a capacidade de filtragem das irregularidades do piso, o que beneficia o conforto de rolamento e, diretamente, o bem-estar a bordo. Posteriormente, introdução da motorização Eco-G (gasolina/GPL): 1.2 TCe com 120 cv e 200 Nm apoiado por caixa EDC. A marca promete até 1450 km de autonomia, devido ao aumento da capacidade do depósito de GPL, de 32 litros para 50, e baixos custos de operação. O “papão” da fiscalidade O Clio E-Tech "colide" com a fiscalidade automóvel portuguesa, uma vez que a cilindrada do motor (1.8) é muito penalizada , O sistema, contrariando o bom-senso e todas as recomendações, considera mais a capacidade das mecânicas do que as emissões de co2. A Renault decidiu, por isso, propor este híbrido apenas com o nível de equipamento de topo Esprit Alpine, OD e por preços a partir de 28.990 EUR. O TCe 115 com caixa manual encontra-se disponível desde 21.990 EUR (Evolution). O Techno custa 23.690 EUR e a caixa automática é proposta apenas em combinação com os níveis Techno (25.190 EUR) e Esprit Alpine (26.890 EUR). FICHA TECNICA MOTOR Arquitetura 4 cilindros em linha Capacidade 1789 cc Alimentação Injeção direta Distribuição 2 a.c.c./16 v Potência 109 cv/5750 rpm Binário 172 Nm/4000 rpm MOTOR ELETRICO Potência 50 cv/36 kW + 20 cv/15 kW Binário 205 Nm + 50 Nm Tipo de bateria lões de lítio Capacidade da bateria 1,4 kWh MôDULO HIBRIDO Potência combinada 160 cv Binário combinado 270 Nm TRANSMISSaO Tração Dianteira Caixa de velocidades Automática multimodo CHASSIS Suspensão F Ind. MacPherson Suspensão T Eixo de torção Travões F/T Discos ventilados/Discos Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,4 m DIMENSôES E CAPACIDADES Comprimento/Largura/Altura 4,116/1,768/1,451 m Distância entre eixos 2,591 mm Mala 309 litros Depósito de combustível 39 litros Pneus F 205/45 R18 Pneus T 205/45 R18 Peso 1346 kg Relação peso/potência 8,4 kg/cv PRESTAçôES E CONSUMOS Velocidade máxima 180 km/h Aceleração 0-100 km/h 8,34 S Consumo médio (WLTP) 4 v/100 km Emissões de CO2 (WLTP) 92 g/km PEDRO JUNCEIRO