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SÃO MAIS FREQUENTES OS INCÊNDIOS EM CARROS ELÉCTRICOS DO QUE EM VEÍCULOS A COMBUSTÃO?

Diário de Notícias da Madeira

2026-01-18 22:05:43

ANDREIA CORREIA andreiac@dnoticias.pt Na passada quarta-feira, 14 de Janeiro, o DIàRIO noticiou uma viatura em chamas no interior de uma garagem na Estrada Comandante Camacho de Freitas. No dia 9, outro carro em chamas na zona das Courelas causou apreensão. Em ambas as notícias, os comentários foram semelhantes: muitas pessoas presumiram que os carros incendiados eram veículos eléctricos. Comentários como: “Mobilidade verde arde mais do que a vermelhal”, “E a energia verde a mostrar como é tão fácil a combustãol”, “Eléctrico?22" ou “Carros eléctricos não prestam” foram deixados nas redes sociais do DIàRIO. Mas será que os carros eléctricos realmente t?m maior probabilidade de se incendiar do que um veículo a combustão? Quanto ao carro que se incendiou nas çourelas, segundo apurou o DIàRIO, tratou-se de um veículo da marca Smart ForTwo , desmistificando a ideia de que seria eléctrico. Sobre a outra viatura, não foi possível determinar se era a combustão ou eléctrica. E compreensível que a segurança desta tecnologia continue a gerar preocupação, pois um incêndio em um carro eléctrico é diferente do que em um veículo a combustão: tende a ser mais intenso e difí- cil de apagar devido à composição química das baterias de ião de lítio. Em 2022, a União Europeia publicou o relatório Myths and Facts about Fires in Battery Electric Vehicles , que esclarece os equívocos mais comuns sobre incêndios em veículos eléctricos e apresenta os dados mais recentes disponíveis. “os incêndios em veículos eléctricos a bateria não são mais perigosos do que em veículos convencionais e também não são mais frequentes actualmente”, lê-se no relatório. Sobre a questão se veículos eléctricos a bateria ardem mais frequentemente do que veículos com motor de combustão interna, o relatório indica: “As estatísticas actuais da Suécia revelam que a probabilidade de um incêndio num veículo eléctrico a bateria (BEV) é inferior à de um incêndio num veículo com motor de combustão interna (ICEV), quando considerada a proporção face ao número total de veículos”. Por exemplo, entre 2018 e 2021, foram registrados na Suécia 57 incêndios em veículos eléctricos/híbridos, comparados com 505 em veículos a combustão no mesmo período. Um relatório da RISE Fire Research, na Noruega, indica que, entre 2016 e 2018, foram registrados 998 incêndios em veículos em parques de estacionamento e garagens, dos quais 109 tiveram como causa “equipamento eléctrico”. “Algumas estatísticas internacionais estimam que existem actualmente cerca de cinco incêndios por cada 1,6 mil milhões de quilómetros percorridos por automóveis eléctricos, em comparação com 55 incêndios em veículos convencionais para a mesma distância percorrida”, lê-se ainda. A plataforma tecnológica Blazestack , nos estados Unidos da América, foi desenvolvida para apoiar profissionais da investigação de incêndios e da segurança pública. Num relatório intitulado Quan-tos incêndios em veículos eléctricos ocorreram entre 2024-2025 , foi concluído o seguinte: “A EV FireSafe validou 511 incêndios em baterias de veículos eléctricos globalmente desde 2010, com um aumento mensurável à medida que o tamanho da frota cresce, e não porque o risco por veículo esteja a aumentar. Em países com alta adopção, como a Noruega”, lê-se. Refere, ainda que, os veículos a bateria representam cerca de 7% dos incêndios em veículos no início de 2025. Globalmente, os incêndios confirmados em baterias de veículos eléctricos continuam extremamente raros: apenas algumas centenas foram registrados em mais de 14 anos, mesmo com a frota total se aproximando de 80 milhões de veículos até 2025, segundo a plataforma. Comparando veículos eléctricos e tradicionais, a Blazestack verifica que os eléctricos têm entre 20 e 80 vezes menos probabilidade de incendiar do que os veículos com motor de combustão interna. A ideia equivocada persiste porque os incêndios em eléctricos comportam-se de forma diferente. Em Portugal, não existem dados públicos detalhados sobre a frequência de incêndios em veículos eléctricos, nem estatísticas consolidadas. Todavia, em 2023, a RTP Madeira informou que, até então, não haviam sido registrados casos de incêndios em veículos eléctricos na Região. O QUE PODE ESTAR NAS CAUSAS DOS INCÊNDIOS NOS ELÉCTRICOS? A página on-line Guia do Automóvel explica que nos veículos a combustão, as causas mais comuns são as fugas de combustível, as avarias no sistema eléctrico e o sobreaquecimento do motor. Por outro lado, nos eléctricos, os incêndios são mais ra- ros e pode estar relacionados com defeitos de fabrico das baterias, colisões graves que danificam os módulos e carregamentos inadequados ou com equipamento não certificado. Assim, através de estudos internacionais é possível contrariar a percepção comum de que os eléctricos são mais perigosos, a nível de incêndio. Em Portugal, todavia não existem dados oficiais sobre o tema, o que não permite uma análise local precisa, não existindo, todavia, evidência de risco acrescido. “Mobilidade verde arde mais do que a vermelha!” Comentário deixado por um leitor FRLSO ANDREIA CORREIA