TAÇA DE PORTUGAL - "O MEU PAI É FERRENHO, TODA A FAMÍLIA É BRACARENSE"
2026-01-16 22:06:03

FAFE Uma justiça que se cruza com um sonho, numa cidade que ferve por mais. João Oliveira foi visado por mensagens de vitorianos e bracarenses “Adeptos galvanzaram: João Oliveira descreve a proeza fafense e a afronta ao clube onde começou. O pai, ferrenho do Braga, aplaudiu odestino de alguém que sabe ser sensação na Taça de Portugal. 000 Provara a pele de herói contra o Arouca e repetiu contrao raga.Absorveuoextrao dinário momento coletivo, num heroismoque conduziuo Fafe, da Liga 3, para um cenário de meias-finais da Taça de Portugal, afastando uma equipa com fortes pretensões na Prova e dona de três trofeus. João Oliveira é um nome especial deste elenco, tendo deixado elocaminho oconjunto da sua cidade e onde se formou Como jogador. De sentimentos ao rubro peloquefoivividoepelo que ainda pode estar reservado, o médio, que acabou de cabeça ligada, processaofeito como "um dia inesquecível e importante para o clube” Tivemos a crença que isto podia acontecer porqueja tinhamos tido jogos complicados comAroucae Moreirense e tinhamos passado. Era possivel, juntou-se a crença e uma estratégia bem montada pelo nosso técnico”, elogiou João Oliveira, que já conhece a faceta de ser semifinalista numa equipa sensação da competição. Também está POT dentro das dificuldades do formato a duas mãos, quando caiu POI terra o sonho do Académico de Viseu, diante do FC Porto. ê segunda vez que chego a esta fase, conheço a realidade Sentimos a força das bancadas, que também já vinha de outros jogos. Estavam completamente lotadas, foi algo muito afirmativo para nós, que galvanizou o nosso desempenho e levou ao resultado final. Em cada lance, em cada duelo, vinha esse apoio. O fator casa foidetermi nante; aqui as pessoas acreditam que o David consegue garo Golias” explicou médio, abordando eliminação do Braga enquanto filho da terra e do próprioclube. Não posso dizer que afastei o clube do coração. A família é toda bracarense e o meu paie ferrenho, mas estavaatorcerpormim. Para ele foram sóalegriasnestejogo deu-me logo os parabéns. Eu gosto do Braga, mas nunca fui doente, apenas acompanho e torço POr bons resultados” relatouo médio, brindado, naturalmente com mensagens de amigos da cidade dos Arcebispos. “Também houve mensagens de outros que são do Vitória e que tiveram felicidade a dobrar. Mas, sim, uma boa fatia mandou mensagens mais tristes, porque viram o seu Braga cair. Sempre em tom debrincadeira, lá diziam oque fizeste ao meu Braga ” conta. Indiferente a ruídos, presságios ou rescaldos mais individuais, João Oliveira vibra com aexaltaçãode um todo, deuma cidade aquecida subitamente e revigorada no seu orgulho. “Jogos especiais, para mim, têm semprer sentido coletivo. Este foi importante para a história do Fafe, para a cidade, para o nosso grupo. Já tinha sentido esse peso em Viseu”, sustentou João Oliveira, de 34 anos, estudante de Ciências do Desporto.com os jogadores contrários prostrados no fracasso, acalmou oimpetodeum desejo. "Respeitei ao máximo o momento e azia do Braga. Não sei se alguém levou camisolas. Eu iria privilegiar a do João Moutinho, pela carreira e pela posição similar à minha. Admiro muito a sua postura e liderança”, admitiu, também marcado POr outro vulto dos campos, que trocou a magia com a bola POr uma singular presença diretiva: Derlei. "ê proximo, está diariamen-te connosco. Só posso dizercoisas boas dele e de todos, que nunca faltaram com nada. Percebem que o futebol é de altos e baixos, que é preciso montar algo oestruturado para se conseguirem resultados Há essa calma e um voto de confiança nos jogadores. Estou muito satisfeito ajogar POI estas pessoas”, atestou, validando o impacto do incentivo acenado aos atletas, em caso de proeza. "êsempre importante, não sabemos o montante, mas o incentivo monetário é um fator motiva-cional associado ao principal, queeojogo em si. Fomosinformados de um prémio mais avultado pelo grau de dificuldade." Técnico será caso sério Dono de visão muito propria, João Oliveira enaltece o jogo feito, do guião à execução prática. "Sabiamos do momento do Braga, que tinha perdido uma final para o rival. Nós temos qualidade acima do nosSo escalão, individual e coletiva. Teriamos de ter paciência a de. nos” fender nojogo de posse do Braga e provocar máximas dificuldades com a bola, aproveitando o apoio dos adeptos para OS deixarmos mais retraidos. Fomos crescendo e ganhando confiança. Seguir em frente não podia passarse sO pela parte sem bola. Tivemos de arriscar e jogar O que sabemos” louvou médio, pondo foco ojovem técnico Mário Ferreira. Tem muito mérito. Desde que chegou tem um discurso assertivo. Define muito bem as estratégias. Vai ser um casosérioem Portugal, ouaténo mundo. Há lideranças que passam bem sem gritar, mantém a postura e chega aos jogadores”, 5 tributou, garantindo não ter sido preciso muitopara "conquistarog grupo”. "Os sresultadosaju dam, mas está à vista que pode fazer excelente carreira. Pelos treinadores que tive, falo com essa experiência. o plano dejogoreflete-ser no própriojogo,sa sabe gerir toda a gente”, enalteceu, afastando qualquer contenção da idade (31 anos) perante jogadores mais velhos. “Ele sabe estar, se tivesse a postura de ser mais novo e colocar osmaisvelhosãvontade perdia um pouco da liderança; ele Comunica bem e tenta saber aquilo que cada um acha. Ouve-nos, pergunta muitas coisas e O trato é cordial, sem demasiada confiança” juntou. árbitro a fugir com farda policial .00 António Valença, de 76 anos, desarma qualquer outra autoridader que possa falar pelo Fafe. Iniciou-se aos 14 anos Ono clube, jogou pelosseniores, dos 17 aos 35, foi capitão durante épocas largas, inclusive ostentando a braçadeira nas duas meias-finais que o clube minhoto disputou em 76/77 e 78/79, com desfeita do FC Portoo da primeiravez e do Sporting na segunda. Assumiu o leme pouco depois, .treinouen diferentes fases, foi diretor, sendo ainda um quadro diretivo do clube. Fora? »Fafeapenasameninicer mbrevel hiatoe que foi adjunto de Humberto Coelho no Braga e Ono Salgueiros. Falar com Valença, o homem que treinou Rui Costa nos justiceiros, é um bálsamo para se puxar a história de trás para a frente, de fio a pavio, abraçar a identidade e paixão de uma terra que nunca foi fácil para ninguém. Esta época, tem sido solo de pesadelos para gigantes que caíram nas malhaso det uma divina justiça: Moreirense, Arouca e Braga. Se a eliminatória como FC. Portonão teve história, com derrota nas Antas em 77, a eliminatória com o Sporting ainda faz correr tinta, elevar a indignaçãoe uma revolta que não ecala, mesmoà distância des 47 anos. Os leões passaram em Fafe, mas apenas Ono prolongamento com um golo de penálti de Jordão. Um lance que foiapelidado na Imprensa como roubo do século, tendo o juiz de Coimbra, Santos Luís, vislumbrando uma falta de Costeado sobreZandonaide que motivou longadiscussão, transtornando as hostes locais até um final abrupto.com Fafe ninguém Fanfe, o relato de António Valença é uma marcha-atrás imperial de detalhes. “Perdemos ingloriamente para o Sporting de Manuel Fernandese Jordão. Um penálti escandaloso, num salto entre Costeado e Zandonaide, levou-nos à derrota, quando já merecíamos o prémio de ir a Alvalade ao desempate. A equipa bateu-se bem, discutiu o jogo. Saímos de rastos com o que aconteceu. Esse tipo de Coimbra foi muito habilidoso, resolveu armar barraca. Foit iuma coisa tão falada que ele desistiu de apitar”, lembra, ilustrando o clima de alta tensão que se instalou. “O povo ficou indignado, ele portou-se muito mal, ninguém entendeu a decisão, o jogo parou vários minutos, porque ninguém aceitava aquilo.com O alvoroço instalado, ele não tinha formai de sair do estádio, aúnica solução foi sair fardado como polícia, eler e OS auxiliares. o clube emprestou kispos aos homens da GNR. O Fafe era dos clubes que metia mais gente no estádio. Genteapaixonada e queviviamuitoclube, podiam aparecer sete mil pessoas.” E sobre a fama do arreganho bairrista da terra, que dita expressão popular Justiça de Fafe , Valença é perentório. “Somos acolhedores e tratamos de receber bem. Mas se tentam passar POr cima de nós, a coisa fica feia”, avisa. .4 SORTEIO Sporting defronta o FC Porto, caso elimine o Aves SAD Torreense ou Fafe na final da Taça Há 24 anos que uma equipa do terceiro escalão não está no Jamor, o que deixa nas mãos do conjunto minhoto a possibilidade de repetire o feito do Leixões, sob o comando de Carvalhal. MANUEL CASACA eoo o dia 24 de maio de 2026 vai ficar na história do Fafe ou do Torreense, porque um deles vais iestar na final da Taça de Portugal. Falta saber quem será o adversário. Se o Sporting eliminar o jAves SAD nos quartos-de final, então haverá mais um clássico com o FC Porto, seguindo depois uma destas equipas para o Jamor. Carrasco do Braga, o Fafe, da Liga 3, pode colocar o terceiro escalão do futebol português novamente na final, repetindo aquilo que fez o Leixões, então comandado por Carlos Carvalhal, em 2001/02 Nessa altura, a equipa matosinhense estava na então denominada II Divisão B. OTorreense é o digno representante da II Liga. A equipa de eTorres Vedrasafastouo Leirianos quartos-de-finale pode repetir aquilo que o Chaves fez, em 2009/10, época em que o conjunto treinado pOr Manuel Tulipa perdeu (2-1) diante do FC Porto. Derlei, presidente daS SADI do Fafe, enalteceu o percurso da sua equipa. “Chegar a uma meia-final quando se joga na terceira divisão, dois escalões abaixo do nível mais alto, sabendo a diferença que existe, sobretudo em termos de orçamento, éumenormed orgulho. ê um prémio chegar a esta fase. Queremos continuar a sonhar e a acreditar”, vincou. André Fadrilho, diretor-geral do Torreense, da II Liga, elogiou o percurso do Fafe, lembrando que “mostrou uma estrutura profissional e organizada, capaz de criar dificuldades a qualquer equipa”. “ê um privilégio jogar nesta fase. ê uma montra e uma valorização do nosso projeto. ê um sentimento especial estar nesta fase e queremost estarna grande festa, no Jamor”, concluiu. Médio do Fafe. João Oliveira conta como foi eliminar o clube onde cumpriu a formação FAFE-TORREENSE MEISFINAIS SPORTING OU AVES SAD-FCPORTO As memórias do capitão da histórica meia-final de 1978/79 “História ainda pode ser épica” João Oliveira preferia o Torreense antes de saber o que ditaria o sorteio “Dá para sonhar, o pessoal ficou confiante alguns eufóricos. Todos acham que pode ser possível ir a0 Jamor e escrever uma história ainda mais bonita, torná-la épical”, afiançou, intratável na receita para novo sucesso. “Recai algum favoritismo para eles, que fizeram orçamento para subir à I Liga. Têm bons argumentos, mas temos OS nosSos. Vamos respeitar a estratégia e dar tudo uns pelos outros”, sustentou, conhecedor deste tipo de decisão. "Com os grandes era algo impossível, estive numa meia-final contra o FC Porto, pelo Académico. Ainda houve empate em Viseu, mas no Dragão foi tudo diferente”, lembrou. Na cabeça está uma possível final que seria especial. "Seria o reencontro com o Rui Borges, O Ricardo Chaves e todo o staff. Falo esporadicamente com ele. E O Ricardo mandou-me mensagem. Acho que ele está com medo do Fafe! Antes do sorteio perguntou-me se queria defrontar O Sporting em Alvalade ou no Jamor. Agora tem a resposta!” HERôI CARLOS DANIEL Louva DICAS DE DERLEI Cari los Daniel ajudou a rasgar os horizontes. “Foi gratificante fazer cair O Braga, pelo golo e pela atitude da equipa, por todos esses sacrificios, que foram coroado A entrega foi surreal", detalhou, rendido a “uma atmosfer: incrível” o brasileiro, formado no Flamengo, não esquece sinamento de Derlei. “Agradeço lhe as dicas na finalização. Ele passa muita confiança, está a tornar-i me melhor jogador, fez a diferença neste golo ao Braga, tive a calma para defnir, com base nessas conversas”. Ce “Saímos de rastos, foi uma coisa tão feia e tão falada, que ele deixou de apitar. Opovo ficou indignado” António Valença Antigojogador e técnicoo do Fafe CURTAS Inteligência como base do triunfo Valença vibrou come o ruído de um tomba-gigantes. “o Fafe fez um grande jogo, cheio de inteligência. O Braga subestimou um pouco a nossa equipa. Pagou caro isso, e não foi POr acaso que o Salvador se atirou a eles. O Fafe surpreendeu pela positiva e os rapazes mereceram”. Contra o Braga na Taça sai à casa Esta graça das grandes, qual gracinha, sobre o Braga na Taça de Portugal, encontra paralelo na única vez que se haviam enfrentadona prova, em 1987/8 8. O desfecho foi cópia fiel dessa época, o derrube dos guerreiros teve bis de Horácio Gonçalves. Travados em Jardel na invasão às Antas Em 1999/00 o fim da linha na Taça dita-se nas Antas, apresentava-se de carrasco Jardel, com “hat-trick” pelo FC Porto. Equipa de Manuel Machado tinha Flávio Meireles, Alex, Nelo, Castro, Primo e Armando Evangelista. Nas bancadas, perante dilúvio, três mil adeptos. Como Rui Costa foi parar a Fafe O Fafe regista asua única presença no escalão maior em 88 8/ 89. Anos depois chega Rui Costa, cedido pelo Benfica. ê Valença quem o treina. “Combinei com o Reinaldo Teles e Pinto da Costa ver osjuniores do FC Porto. Calha ser como o Benfica e o Rui saltou-nosà à vista, quando a mira era para um portista. Disse que o queria e ele veio. Fez uma época espetacular. O Queiroz e o Vingada reconheceram que foi o jogador que mais evoluiu dessa geração. Apanhou uma Zona Norte muito pesada e competitiva”. Voz de adepto de cidade a sonhar Rui Dias, adepto incondicional, exalta a fé em Fafe, após o sorteio. “o sonho comanda a vida, não podemos enjeitar o sonho de ir a uma final. E como já alguém disse, as finais não são para se jogar, são para se ganhar ! A atitude pode não chegar, mas dá a esperança de irmos ao palco de sonho” TAçA DE PORTUGAL MEIAS-FINAIS (VIIEliminatória) 1.?mão 03a05/03/2026 Fafe (L 3)-Torreensel (1) Sporting D)/Aves SAD (0)-FO Porto (1) Nota: osjogosd da: Lemão serão realizados de 21 a23/04/2026 Legenda.(0ILiga(U)L52.(L3L523 FINAL 24/05/2026, domingo Arealizar no Estádio Nacional do Jamor JOGO VEMATRASO DOS QUARtOS DEFINAL 04/02/2026, quarta-feira Sporting()-AvesSAD(U) RTP1/20h45 António Valença, o 8, na receção ao Sporting de 79 Sorteio das meias-finais foi ontem PEDRO CADIMA