VENDAS DA PORSCHE CAEM EM TODOS OS MERCADOS MENOS NOS EUA
2026-01-16 22:06:02

Apesar da redução do número global de vendas, o Porsche Macan continuou a ser o modelo mais vendido com um crescimento de 2% face a 2024. Após vários anos de recordes consecutivos, a Porsche não escapou à instabilidade que domina atualmente a indústria automóvel. Em 2025, o construtor de Estugarda registou uma quebra de 10% nas entregas globais, para um total de 279 449 veículos. De acordo com Matthias Becker, membro do Conselho Executivo responsável pelas vendas e marketing, esta descida tem dois motivos principais. Primeiro, devido à falta de disponibilidade dos modelos 718 e Macan com motor de combustão na Europa. Em segundo lugar, pela desaceleração da procura no mercado chinês. Ainda assim, o responsável sublinha que os números de vendas “estão em linha com as expectativas” da Porsche. Em 2025, 34,4% dos Porsche entregues a nível global eram eletrificados, o que representa um crescimento de 7,4 pontos percentuais face ao ano anterior. Nesta “fatia”, 22,2% eram modelos totalmente elétricos e 12,1% equipados com sistemas híbridos plug-in. Quedas em (quase) todos os mercados O impacto destes pontos referidos por Becker, refletiu-se na maioria dos principais mercados em que a Porsche se encontra disponível. A única exceção foi a América do Norte, onde as vendas se mantiveram estáveis face a 2024, com 86 229 unidades entregues. Nos mercados estrangeiros e emergentes, a marca registou a menor variação negativa, com uma descida de apenas 1%, num total de 54 974 unidades. © Porsche Na Europa foram entregues, pela primeira vez, mais carros eletrificados do que modelos com motor a combustão: quota de 57,9%, com cerca de um terço a ser totalmente elétrico, como o Porsche Taycan desta imagem. Já na Europa (excluindo a Alemanha), o segundo maior mercado da marca, as entregas de novos modelos da Porsche caíram cerca de 13%, para 66 340 unidades. Na Alemanha, a descida foi ainda mais acentuada, com um valor de 16%, para um total de 29 968 automóveis. Em ambos os casos, a marca aponta como principal causa a suspensão das vendas dos 718 e do Macan com motor de combustão. A maior quebra, no entanto, foi registada na China, onde as entregas caíram 26%, para 41 938 unidades. A Porsche atribui este desempenho às condições difíceis do mercado, especialmente no segmento de luxo, e à forte concorrência local, sobretudo nos elétricos. Descubra o seu próximo automóvel: Macan lidera as vendas Apesar de um contexto mais negativo, o Porsche Macan voltou a ser o modelo mais vendido da marca, com um crescimento de 2% e um total de 84 328 unidades entregues. Mais de metade - 45 367 unidades - já correspondem à nova geração deste modelo, 100% elétrica. O modelo mais icónico da marca, o Porsche 911, também registou um ligeiro crescimento (+1%), com um total de 51 583 unidades comercializadas. Em sentido contrário, todos os restantes modelos registaram números de vendas mais reduzidos: Panamera (-6%; 27 701 unidades), 718 Boxster e Cayman (-21%; 18 612 unidades), Taycan (-22%; 16 339 unidades) e Cayenne (-21%; 80 886 unidades). © Porsche O novo Cayenne totalmente elétrico teve a sua estreia mundial em novembro, com as primeiras entregas previstas para a próxima primavera. O modelo atual continuará disponível nas versões com motor de combustão e sistemas híbridos plug-in. A Porsche justificou a queda nas vendas do Taycan com a desaceleração da procura por veículos elétricos. Já a quebra do 718 Boxster e Cayman resulta do final da sua produção, encerrada em outubro do ano passado. “Em 2026, o nosso foco é alinhar a procura e a oferta com a estratégia de valor acima de volume , planeando os volumes de forma realista, tendo em conta o fim dos modelos 718 e Macan a combustão”, afirmou Becker. Nova liderança e cortes em estudo Desde 1 de janeiro, a liderança da Porsche passou de Oliver Blume, diretor-executivo do Grupo Volkswagen, para Michael Leiters, que assume agora a missão de recuperar os resultados da marca. Relacionado Porsche escolhe ex-CEO da McLaren para sair da crise Entre as prioridades está um programa de redução de custos atualmente em negociação com o sindicato. Entre as medidas em análise, estão o fim de bónus e benefícios por antiguidade, a redução do número de trabalhadores, a passagem de algumas atividades para empresas externas, cortes nas contribuições para pensões, menos estagiários, regras mais apertadas para o teletrabalho e a eliminação de pausas adicionais nas linhas de produção (fonte: Automotive News Europe). Segundo Ibrahim Aslan, presidente do sindicato dos trabalhadores, até um em cada quatro postos de trabalho podem estar em risco. A Porsche já tinha anunciado planos para cortar até 1900 empregos até 2029 e para não renovar cerca de 2000 contratos de trabalhadores temporários na Alemanha. Mariana Teles