CONDUZIMOS O BMW QUE VAI DEFINIR O FUTURO DA MARCA
2026-01-16 22:06:02

É impossível diminuir a importância do novo iX3 para a BMW: o primeiro membro da família Neue Klasse não pode falhar. BMW iX3 Primeiras impressões 8.5/10 Data de comercialização: Março 2026 As expetativas para o novo BMW iX3 eram altas e a marca alemã não desiludiu: voltou a elevar a fasquia. Prós Comportamento muito competenteTravagem / regeneração eficazesSistema operativo avançadoAutonomia alargadaVelocidade de carregamento Contras PreçoComplexidade dos modos de conduçãoAusência de patilhas de regeneração atrás do volante Estes são tempos de alguma indefinição para as marcas de automóveis premium tradicionais. A propulsão elétrica veio baralhar muitas das referências e o que realmente importa para ser premium já não é exatamente o que era fundamental há meia dúzia de anos. Também por isso, alguns dos fabricantes tradicionais afundaram-se nos seus dogmas e procuram hoje recuperar o terreno perdido para os novos atores nesta indústria em total reinvenção. © BMW O iX3 será produzido na nova fábrica da BMW em Debrecen, na Hungria, enquanto o i3 (Série 3 elétrico) será feito em Munique, na fábrica-mãe da BMW, em atividade desde 1972. Está a ser totalmente reconvertida para produzir apenas veículos elétricos a partir de 2027. O BMW iX3 é, então, o primeiro elemento de uma geração de modelos que vão contar com uma nova plataforma eletrónica, um chassis e um sistema elétrico totalmente novos (incluindo motores e bateria), e que iremos ver crescer a partir de março do ano que vem, mês em que se inicia a produção e as entregas aos clientes dos primeiros iX3. Vão ser lançadas dezenas de modelos Neue Klasse até ao final desta década, o que equivale a dizer que se trata de uma autêntica revolução na oferta do construtor bávaro. No exterior, destacam-se os rins verticais da grelha frontal que foram esculpidos de uma forma que evocam os BMW dos anos 60. Depois, a nova assinatura luminosa (uma opção que se chama Iconic Glow) assume funções que, no passado, eram dos frisos cromados. E isto, ao mesmo tempo que na secção lateral se destacam as amplas superfícies vidradas e os manípulos à face da carroçaria. Interior espaçoso, mas há aspetos a melhorar Com uma distância entre eixos de praticamente 2,9 m, não é de estranhar que o espaço interior do BMW iX3 receba facilmente cinco adultos, sem grandes restrições. O comprimento atrás é muito generoso: meço 1,80 m e há muito espaço para as pernas e para a cabeça. Em largura, podem viajar três adultos de compleição física “normal”. A bagageira pode receber 520 litros a 1750 litros de bagagem, a que se juntam 58 litros debaixo do capô dianteiro, prático para deixar os cabos de carregamento, que inclui uma tampa para deixar tudo ainda mais arrumado. Os materiais da parte superior do painel de bordo e nos painéis das portas são de toque suave, mas a zona central do tabliê é dura, apenas com um fino revestimento em diferentes materiais, consoante o nível de equipamento. A qualidade de construção inspira confiança, mas é pena que o orçamento não tenha contemplado revestimentos de toque suave dentro das bolsas das portas, ao contrário do que existe no compartimento entre os bancos da frente ou no porta-luvas. Duas novidades nas portas: por um lado a abertura é elétrica (processo inicial, depois o utilizador tem de as mover com mais amplitude para entradas e saídas) e os comandos da regulação elétrica dos bancos estão no painel das portas (mais típico nos Mercedes do que nos BMW). Os vidros não são duplos, mas são bastante espessos, o que contribui para uma boa insonorização do habitáculo. Ecrã de pilar a pilar A BMW junta quatro elementos neste conceito a que chama Panoramic iVision: o Panoramic iDrive, uma faixa digital que se estende a toda a largura da zona inferior do para-brisas com uma grande variedade de conteúdos; o ecrã central de 17,9?; o novo volante de pequeno diâmetro, aro grosso e muito ergonómico (e repleto de comandos hápticos); e, opcionalmente, um head-up display 3D. © BMW É melhor ir-se habituando: os interiores dos BMW vão passar a seguir esta configuração. Durante as três horas e meia de condução por estradas andaluzes, fui tentando apreender o máximo de conteúdos e lógicas de controlo do ecrã central e da barra panorâmica e, genericamente, a avaliação é muito positiva. Gráficos modernos, processamento rápido, arrumação racional e muitas possibilidades de personalização. Mas, sendo estas unidades de pré-série, ainda havia algumas arestas por limar, nomeadamente no regresso a menus que só servem para perder tempo, como os próprios técnicos da BMW admitem (garantindo que serão corrigidos). Modos a mais e botões a menos Por outro lado, os Meus Modos (Personal, Sport, Efficient e Silent) vão além de definições que afetam a condução, alterando cores e conteúdos dos ecrãs, mas o seu manuseamento é complexo. É que dentro dos Modos, há os Programas da Experiência de Condução (Eco, Comfort, Dynamic e Individual) - é nestes que se podem alterar definições que afetam a condução e comportamento do SUV. Mas, se nos programas Dynamic e Comfort é possível mexer na aceleração, volante e regeneração, em Eco já não. Tudo seria mais simples se todos os programas fossem fixos nas suas definições e só o Individual permitisse alterar definições. E, já agora, se os programas da Experiência de Condução não estivessem dentro dos Meus Modos Isto já para não falar na questão da ausência de comandos físicos. Não há nenhum para selecionar os Meus Modos e os programas de Experiência de Condução, lacuna que é compensada por um atalho logo na primeira camada do ecrã central. Mas para selecionar os níveis de desaceleração regenerativa parece-me muito pouco prático andar a vasculhar pelos menus. Umas patilhas atrás do volante seriam uma solução muito melhor. Descubra o seu próximo automóvel: Dinâmica ultracompetente Verdade seja dita, a ausência das patilhas é dos poucos defeitos que foi possível encontrar na condução do novo BMW iX3 50 xDrive, a única disponível no momento do lançamento. É servida por dois motores elétricos que totalizam 345 kW (469 cv), bem como um binário máximo de 645 Nm. A aceleração é sempre instantânea e muito rápida, impressão confirmada pela aceleração de 0 a 100 km/h em menos de cinco segundos (e velocidade de ponta de 210 km/h). © BMW O motor traseiro tem um rendimento superior - 240 kW (326 cv) e 435 Nm versus 123 kW (167 cv) e 255 Nm do dianteiro - dando ao BMW iX3 um comportamento no qual predominam as sensações dadas pela tração posterior. Aliás, a velocidades estabilizadas e com boa aderência, funciona apenas com a tração traseira. As rodas dianteiras participam quando se guia de forma mais desportiva em curvas e/ou em pisos de aderência precária. Totalmente convincente é a resposta da travagem, imediata, potente e linear, sem sinais da transição de intervenção regenerativa e hidráulica, que desagrada em muitos carros elétricos. Algo que a BMW já tinha conseguido fazer bem no i4 e i5, mas elevou claramente a fasquia a este nível com esta nova base técnica. No que diz respeito à regeneração, existem quatro níveis e um adicional quando selecionamos a posição B, que dá acesso à condução apenas com um pedal (one pedal drive). Em condução quotidiana, a BMW afirma que até 98% das travagens poderão ser apenas via recuperação, sem a aplicação dos travões de fricção (que são discos ventilados nas quatro rodas). Ao mesmo nível, está o desempenho do chassis. Mesmo sem amortecedores eletrónicos variáveis, o iX3 (a unidade testada equipava pneus 255/40 R21) evidenciou sempre um compromisso muito bem afinado entre estabilidade e conforto, sem grande amplitude de movimentos laterais e com boa capacidade de absorção de irregularidades na estrada. Firme, mas não em excesso. © BMW A direção é agradavelmente comunicativa e nada plástica como acontece na esmagadora maioria dos carros elétricos, se bem que teria gostado um pouco mais de peso em modo Sport. E mesmo dando 2,8 voltas ao volante entre batentes, os engenheiros bávaros conseguiram que não fosse necessário muitos movimentos de braços, nem em curvas mais fechadas. No circuito de Ascari Depois de todos os quilómetros em estradas públicas andaluzes, as quatro voltas feitas na divertida pista de Ascari ajudaram a regressar com a certeza de que, mais do que um elétrico de comportamento competente, é um BMW de comportamento competente. O Heart of joy é apenas um dos quatro super-cérebros da nova plataforma Neue Klasse da BMW. Depois existem mais três para as funções de conforto (bancos, ar condicionado, etc), infoentretenimento e sistemas de assistência ao condutor e estacionamento automático remoto. Numa prova feita com pinos, a aceleração até aos 130 km/h em reta culminava com uma travagem a fundo e desvio de obstáculos em simultâneo, percebendo-se a capacidade do evoluído cérebro de controlo dinâmico a que a marca alemã chama “Heart of joy” (coração da diversão) para travar e acelerar a roda certa, fazer as transições de binário do eixo dianteiro para o traseiro, e a gestão do controlo de estabilidade e de tração de maneira muito progressiva. O que parece confirmar que é até 10 vezes mais rápido do que as unidades de controlo dinâmico convencionais. Sistema elétrico totalmente novo O trampolim que deu azo a todos os avanços da sexta geração do sistema de propulsão elétrica da BMW é a nova plataforma de 800 V. Permite carregamentos até 400 kW (em corrente contínua, DC), quando os elétricos da BMW que hoje estão na estrada não vão além dos 205 kW. © BMW Números que prometem: até 372 km de autonomia em 10 minutos de carregamento (nas melhores condições possíveis) e carregamento de 10% a 80% em 21 minutos. Apesar do sistema de 800 V, o iX3 pode carregar em postos de 400 V. Em corrente alternada (AC) carrega a 11 kW ou, em opção, 22 kW. Os Os elétricos Neue Klasse admitem ainda cargas bidirecionais. As células cilíndricas substituem as anteriores prismáticas alcançando maior densidade energética (+20%) e maior potência de carregamento (+30%), além de passarem a estar montadas diretamente no chassis, sem subdivisões modulares nem elementos estruturais - daí resultando menos peso e menos custos -, ao ponto de a parte superior da bateria ser parte do plano inferior do carro. Até 805 km de autonomia teórica A bateria de 108,7 kWh é enorme, maior do que a dos seus principais concorrentes, com o iX3 50 xDrive a anunciar um máximo de 805 km (ciclo combinado WLTP) de autonomia com uma carga completa de bateria. © BMW O coeficiente de arrasto (Cx) foi melhorado em cerca de um quinto - é agora de 0,24 - e isso traduz-se em evidentes vantagens em termos de desempenho e autonomia. Mas, claro, esses 805 quilómetros são anunciados com as jantes de 20?, menores do que as de 21” que estavam montadas na unidade ensaiada, o que só por si vai elevar o consumo e diminuir a autonomia. No trajeto de 216 km, a ritmos com alguma exigência e uma temperatura a rondar os 10 ºC (as baterias não gostam de frio), o consumo averbado foi de 18,6 kWh/100 km - o iX3 com jantes de 20? tem consumo médio oficial de 15,1 kWh/100 km. O que torna impossível alcançar a autonomia declarada. Preço competitivo entre os premium Ainda que o preço de entrada de 72 900 euros do BMW iX3 50 xDrive o deixe ao alcance de apenas uma imensa minoria é, entre os seus rivais diretos, o mais acessível. O novo Mercedes-Benz GLC elétrico arranca nos 78 mil euros e o Audi Q6 e-tron correspondente é 10 mil euros mais caro que o iX3. Como alternativa mais desportiva, há ainda o Porsche Macan 4, que começa nos 84 mil euros. E nestas contas ainda não entraram os opcionais que costumam insuflar os preços dos premium alemães. Mas entre os elétricos, ser-se premium e alemão não é sinónimo absoluto de ter a melhor tecnologia motriz. Ampliando a busca, não será difícil encontrar propostas tecnologicamente equiparáveis (mas com outros atributos inferiores), melhor equipadas e a custar menos 30%, incluindo alguns chineses mais ambiciosos. BMW iX3 Primeiras impressões 8.5/10 A BMW puxa dos galardões no lançamento do primeiro e muito aguardado modelo da nova geração de elétricos com tecnologia totalmente nova. Performances de muito bom nível, comportamento muito eficaz, sistema operativo muito avançado e futurista são pontos fortes do iX3. Tal como a autonomia (até 805 km) e potência de carregamento. Uma ou outra falha em questões de funcionalidade não anula o excelente produto que o novo SUV confirma ser, ainda que o seu preço de entrada o deixe ao alcance de apenas uma imensa minoria. Data de comercialização: Março 2026 Prós Comportamento muito competenteTravagem / regeneração eficazesSistema operativo avançadoAutonomia alargadaVelocidade de carregamento Contras PreçoComplexidade dos modos de conduçãoAusência de patilhas de regeneração atrás do volante BMW iX3 50 xDriveMotorElétricoMotor elétrico2 (dianteiro + traseiro)Potência máxima combinada345 kW (469 cv); FR: 123 kW (167 cv); TR: 240 kW (326 cv)Binário máximo combinado645 Nm; FR: 255 Nm; TR: 435 NmTransmissãoTraçãoQuatro rodas motrizesCaixa de velocidades Relação fixa (1 vel.)BateriaTipoIões de lítioCapacidade108,7 kWh (úteis)CarregamentoPot. máxima em DC400 kWPot. máxima em AC11 kW (22 kW opcional)Tempo 10% a 80% (DC)21 minTempo 0-100% (AC)11h (11 kW) 5h45min (22 kW)ChassisSuspensãoFR: Independente McPherson; TR: Independente multibraçosTravõesFR: Discos ventilados; TR: Discos ventiladosDireçãoAssistida eletronicamente Ângulo de viragemN.D.Dimensões e CapacidadesComp. x Larg. x Alt.4782 mm x 1895 mm x 1635 mmDistância entre eixos2897 mmBagageira520-1750 litrosFrunk58 litrosPeso2285 kgPneusFR: 255/45 R20 TR: 255/45 R20Prestações e consumosAutonomia elétrica805 km (WLTP)Velocidade máxima210 km/h0-100 km/h4,9sConsumo combinado (WLTP)15,1 kWh/100 kmEmissões de CO20 Joaquim Oliveira