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AS CASAS DE ULTRALUXO PARA ESTRANGEIROS

Sábado

2026-01-14 22:06:40

IMOBILIARIO ONDEFICAM CUSTAM OS NOVOS REFuGIOSDASELTES SÃO CONDOMINIO M Nãofàltám mordomias piscinas aquecidas spas seguranca 24 horas As mensalidades dd pagar. Brasileiros enorte americanos dominam a procura E há quem viva em antigos cin ASPAREC EMRESORTS ondomínios disparam na mesma medida. até aos EUR3.000, que poucos portugueses podem mas e sedes de jornais, convertidos em habitacão de luxo, onde nada falta. Por RaquelLito Oásis urbanos com piscinas aquecidas, spas, ginásios e apartamentos de design , tudo incluído no mesmo prédio , são a nova moda do imobiliário de luxo. Também há o mesmo na versão de moradias, com estas comodidades espalhadas pelo empreendimento, como se fosse um resort. A SàBADO revela-lhe sete condomínios de topo, nas zonas onde mais se concentra o fenómeno (Cascais, Avenida da Liberdade, Tróia e Foz do Porto), numa altura em que o Governo discute o novo pacote à habitação. CASCATS BLOOM MARINHA 85 5piscinas privativas Aponta-se o comando remoto para o imponente portão de madeira e, num clique, abre-se um mundo novo. Seguindo pela estrada calcetada, com blocos de granito COr de areia, do condomínio Bloom Marinha, encontra-se um casario a condizer com os pinheiros mansos, as oliveiras e os arbustos que delimitam as moradias. Intui-se poder de compra , e muito , a avaliar pelos preços das casas que sobem até aos EUR12,5 milhões. A geografia obviamente conta, por estar inserido na Quinta da Marinha, no coração do parque natural de Sintra-Cascais. Alinhadas, as 85 fachadas minimalistas de cimento e madeira mas com diferentes alturas e configurações, para evitar o efeito visual de bairro massificado , parecem saídas de uma revista de arquitetura. Nas traseiras, viradas a sul para não apanharem os ventos da serra de Sintra, as águas das piscinas exteriores reluzem (cada casa tem uma) e convidam ao mergulho, mesmo no inverno, pois podem ser aquecidas com bomba de calor até a uns exagerados 30 graus. Marcos Silva, um dos proprietários, olha à volta e sorri. Sente-se resguardado, a salvo da vida perigosa no Brasil, que se agrava de ano para ano: E um ambiente muito tranquilo, uma casa aconchegante num condomínio seguro”, conta, enquanto o mais recente elemento da família, a golden retriever Glitter, corre à beira da piscina. Natural de Limeira (município de SàO Paulo), este investidor imobiliário de 54 anos, casado, a viver em Portugal há três, admite à SàBADO que ganhou anos de vida. Antes morou num apartamento em Lisboa e antes ainda em Miami: “Era um pouco diferente de Cascais.” só em 2025, se mudou para esta bolha de sonho, acompanhado. “Gostamos de passar mais tempo na sala de estar, a assistir a bons filmes e aproveitar o tempo em família.” Aqui, não se ouvem buzinadelas, nem se veem estendais de roupa, tão-pouco papéis no chão. Também não há caixotes do lixo a céu aberto, estão escondidos em compartimentos para o efeito e os detritos são removidos pelas equipas do empreendimento. A SàBADO So encontra jardineiros e funcionárias da limpeza a circularem pelas ruas internas. O projeto do gabinete de arquitetos CPU Architects International esmerou-se para que tudo aqui esteja a condizer: até os postes de iluminação são de ferro galvanizado, para não destoarem da cor das casas. Coleção de carros Os donos acusam presença pela frota de luxo de Mercedes, BMW, Porsche, Lamborghini, entre outros. Um deles faz coleção de carrOS deste nível, terá das maiores do País. Já um vizinho prefere exibir estátuas de pedra no jardim, a fazer lembrar Bali. Nos interiores, há quem recorra aos móveis de madeiras exóticas, importados, ou, mais perto de casa, aos decoradores de renome em Cascais, como Gracinha Viterbo. Uma moradora opta pela obra de preservação de um antigo poço de cal no jardim e pondera convertê-lo em adega. Também não faltam salas de cinema e ginásios privativos, não fosse este um dos encla-ves mais luxuosos do País, onde se concentram várias fortunas mas desconhecidas aos olhos dos portugueses. Os proprietários não participam das festas do jet set, nem aparecem nas revistas do social. São donos de empresas nas áreas das tecnologias de informação, da indústria petroquímica, acionistas de bancos, até reformados precoces que venderam os seus negócios nos países de origem e escolheram Portugal para viver, em busca de melhor qualidade de vida. Uma comunidade internacional, de brasileiros, russos, ucranianos, suíços, ingleses e norte,americanos, na sua maioria entre OS 40 e os 50 anos, que preza o anonimato. Menos de 10% são portugueses. A vaga de brasileiros abastados com pé na Europa tem chegado mais aqui pelo passa-palavra (de amigos que compraram casa), ou simplesmente pela pesquisa online. Em 2021, em plena pandemia, um interessado ligou para a imobiliária Bloom Homes, cuja loja continua a funcionar, e, sem fazer visita presencial, avançou para compra: 8 milhões de euros por uma das maiores casas. Na fase de contrato de promessa compra e venda (CPCV) veio um representante legal no seu lugar. O próprio só visitou o local numa fase muito adiantada de obra. Seguindo a velha máxima de que tempo é dinheiro, sabem que aqui, onde o metro quadrado supera os 11 mil euros, as casas po-dem ser ativos financeiros pela valorização contínua. Atualmente, o soberbo T6 de 864 m , com elevador privativo e suíte para empregada, vale 12,5 milhões , o preço máximo. A casa mais barata, T1, está à venda por EUR1.595.000. Mas os bloomers não convivem entre si. Levado à letra, Bloom quer dizer renascer, no sentido de dar uma nova vida ao terreno de 14 hectares, equivalente ao mesmo número de campos de futebol ou 140 mil m , outrora da família Champalimaud. Vigilância com 62 câmaras A nova elite espera proteção e tem-na: pelo condomínio há 62 câmaras de videovigilância, de última geração, sensíveis à luz e que distinguem os humanos dos animais. Se um gato passar a cerca, o alarme central não dispara. Mas se for uma pessoa, aí sim, o alerta chega à central, na entrada do empreendimento, com seguranças em permanência. Dez a 15 vezes ao dia, os seguranças conduzem um carro-patrulha pelo recinto, para passarem os cartões magnéticos em 25 pontos de controlo, nas zonas comuns. Só avançam se não houver perigo iminente e nunca houve, até à data. é muito importante para os clientes estrangeiros, sobretudo brasileiros”, explica o diretor comercial da entidade promotora (Zaphira Capital), que fez o empreendimento, Graciano Garcia. Uns, vêm com as famílias e até trazem o staff: caso de um casal com dois filhos que veio com seis empregados. Outros, que viajam com frequência, precisam de uma entidade gestora que zele pelo seu imóvel quando estão fora. Outros ainda, compram, vendem logo a seguir para comprarem maior, no mesmo empreendimento, porque a valorização destes imóveis é contínua. A casa onde entra a SãBADO, uma moradia T4 com 429 m , é um exemplo de revenda. Em planta, quando o empreendimento foi lançado no mercado em setembro de 2019, estava à venda por EUR3 milhões, hoje em dia vale EUR4.695 milhões. O dono do imóvel está irredutível em baixar o c C preço, mas não faltam interessados. Neste mesmo dia, de manhã, recebeu a visita de um potencial comprador polaco. Lá dentro, a temperatura é amena e nem é preciso ligar o piso radiante (aquece até 30 graus) ou os aparelhos de ar condicionado embutidos nas paredes de cada divisão. A caixilharia das janelas corta a entrada do frio. Na cozinha em ilha (com fogão ao meio), está tudo por estrear, até os tachos mantêm os selos de marca. Na suíte master, no piso superior, a cama virada para o janelão inspira os sonhos. Na cave, que está despida, há quem converta similares em ginásios, ou salões de jogos. Quando postas à venda, as casas têm de estar minimamente mobiladas porque o Bloom está classificado como empreendimento turístico de cinco estrelas. Graciano Garcia explica a diferença: “Permite às pessoas disponibilizar as casas para a exploração turística, conseguindo daqui auferir rendimentos complementares. Podem usar as casas uma parte do ano e pô-las à exploração turística nos restantes meses.” As rendas são estratosféricas, começam em EUR6.000 até duplicarem este valor. E como tal, sobe-se a fasquia do condomínio: as mensalidades vão de EUR500 a EUR3.000, consoante as tipologias. Incluem a limpeza dos jardins e das piscinas, recolha do lixo e segurança. Os serviços extras, como o de lavandaria, pagam-se à parte. á entrada pública do Bloom, com cancela aberta durante o dia, nasce a zona comercial. Para já, funcionam a clínica de fertilidade Ovom e O Club Pilates. No ginásio, trabalha-se a agilidade contra o avançar dos anos, a postura, os abdominais, os músculos ao longo das costas e os glúteos. Abriu a 27 de outubro de 2025 e a adesão entre os 45 e 55 anos foi positiva. Muitos dos praticantes residem no Bloom e noutros condomínios em redor (como o Sheraton). Na aula ao fim da manhã, de uma sexta-feira, há nove alunos quando o limite é de 12. São assíduos, mais do que em Lisboa, onde a marca norte-americana tem vários ginásios. “As pessoas têm mais disponibilidade, tanto que temos maior número de clientes no tipo de mensalidade ilimitada [EUR180, uma aula por dia] do que nos outros clubes”, nota Rita Guerra, diretora de desenvol-vimento da marca em Portugal. Porventura, por não perderem tempo em trânsito. A instrutora Carlota Lacasta reforça: “Cada vez mais as aulas têm vindo a ficar preenchidas.” As lojas são bem-vindas, sobretudo para quem tem desafogo financeiro. “Até costumo fazer uma referência às aldeias: todas têm uma praça e um coreto, onde as pessoas se juntam. A Quinta da Marinha não tem esse lugar”, aponta Graciano Garcia. Até maio, vão abrir mais: um supermercado gourmet, a pastelaria Garrett (afamada no Estoril), o restaurante Nai, um café-brunch e a farmácia Sacoor. BAYVIEW Casa inteligente A 10 minutos de carro do Bloom, o registo muda mas o poder de compra mantém-se. Na versão de apartamentos, os mais cobiçados ficam no topo dos prédios. São as chamadas penthouses, melhor ainda se tiverem piscina e se, descendo o elevador, ficarem perto de tudo. Em Cascais, em construção nova de condomínios de luxo, são as mais caras e as primeiras a vender-se mesmo em planta. Visitamos uma, só com um ano de uso. Tem três suítes, uma sala com duplo pé-direito (6 metros) e gestão inteligente dos equipamentos, como ar condicionado (através do sistema de domótica, via telemóvel). Fica no 40 andar do edifício Atlantic, um novo condomínio que se insere num projeto maior, o Bayview (Atlantic + Cascais Bay + Horizon), num total de 70 apartamentos, onde estava o Pão de Açúcar e um estacionamento desordenado. Foram todos vendidos, muitos deles quando nem sequer havia betão à vista. O licenciamento para o novo epicentro de Cascais, virado para a Marginal, demorou décadas. “Este projeto tem 35 anos, pelo menos. Vai ficar tudo bem desenvolvido arquitetonicamente”", estima Nuno Durão, sócio gerente da imobiliário Fine and Country. Será um quarteirão cosmopolita, a avaliar pela rapidez com que se vendem os imóveis onde o metro quadrado ronda os 18 mil euros , nada de outro mundo para este tipo de compradores internacionais, habituados aos preços astronómicos do Mónaco (EUR150 mil/m?) e de Miami (EUR45 mil/m?). “Quando estes edifícios estiverem prontos, haverá brasileiros, americanos, turcos, ucranianos e franceses a morar aqui”, acrescenta. Os portugueses estarão em minoria, como noutros condomínios de luxo. No Atlantic, e voltando à penthouse, entra luz natural por todo o lado. “só há uma em 20 apartamentos. Como é o melhor produto, é o que as pessoas querem. Quem tem uma penthouse, tem uma moradia no último piso. Esta é a sensação”, enquadra Nuno Durão. Visita do primo de Elon Musk Haja dinheiro, mais precisamente EUR3.450.000, e compra-se a privacidade de viver neste dúplex, com piscina na cobertura e amplas varandas nos três quartos e na sala. A casa de 178 m? + 155 m? de terraços está à venda. A vista é deslumbrante, para o mar , pena que esteja a chover. Ainda que, por fora, o prédio seja discreto e não tenha mordomias associadas, como ginásio, porteiro e afins, o valor mensal do condomínio é de 450 euros. Nuno Durão contrapõe: há quem não goste das ditas amenities (serviços associados ao condomínio, algumas equiparáveis a hotéis de cinco estrelas), mas queira o conforto e a segurança do condomínio fechado. “Quem vai para um condomínio que tem mais amenities é porque quer fazer parte de uma comunidade. Outros preferem viver aqui isolados, tranquilos na sua vida, c C e se quiserem qualquer coisa da comunidade, vão ao sítio que escolhem", diz. Filipa Carriço revela que o dono da penthouse comprou, entretanto, um T2 no edifício da frente, com os tais serviços que se espera: segurança 24 horas, ginásio, piscina interior e exterior. Na sala envidraçada da sua penthouse nada se ouve das empreitadas à volta. Mérito do isolamento acústico, assegurado pelas janelas e paredes robustas. A árvore de Natal atesta a vivência do dono-mistério, que se faz representar por Filipa Carriço. “o proprietário gosta de confidencialidade”, justifica a porta-voz. Ele é investidor imobiliário, português, aprecia o luxo discreto, o design, a arte contemporânea (nas paredes tem duas obras de Vhils) e os desportos náuticos. Quando não está em casa, nem a trabalhar, dá a volta ao mundo no seu veleiro. Por isso, a proximidade ao azul oceânico e à marina ganha aqui mais relevo. Demora-se cinco minutos a pé a chegar ao Paredão, 10 minutos ao centro da vila, onde há restaurantes de vários tipos em resposta à afluência, cada vez maior, de elites endinheiradas vindas do Brasil, dos Estados Unidos, da Turquia e do Reino Unido. “Cascais será o novo Palo Alto ou Silicon Valley”, antevê Nuno Durão. Um primo de Elon Musk (pai dos carros elétricos da Tesla e ex-braço-direito de Donald Trump) terá sobre-voado a zona de helicóptero, recentemente. Recorde-se que em julho de 2024, o famoso multimilionário visitou Cascais e foi notícia. Peter Rive também andou por aqui, mais uma figura de proa como cofundador da companhia energia solar SolarCity (em 2016 comprada pela Tesla B por EUR2,32 mil milhões). é certo que Cascais sempre foi uma zona cara, mas, segundo Nuno Durão, precisava de mais qualidade nos acabamentos. “Ainda se falava de vidros duplos, mas a caixilharia destes novos apartamentos é completamente diferente”, exemplifica. Aponta para o prédio em construção, mesmo à frente, e que deverá ficar concluído no fim deste ano: “Está a ver tudo o que é preto nas paredes? vão ser jardins verticais.” E conclui: nada bate a geo-grafia de Cascais, que “hoje em dia vale muito” pela proximidade das praias, das escolas internacionais, da serra de Sintra, do comércio e por ficar a menos de uma hora do aeroporto. AVENIDA DA LiBERDADe, LISBOA ODEON Viver num cinema Onde antes o público do cinema Odeon esperava no intervalo do filme, à beira do varandim de vitrais com estruturas de ferro ao estilo de Gustave Eiffel =, O francês David Bernard pratica ioga ou faz aparelhos de cardiofitness. é um empreendedor energético, de 48 anos, a trabalhar remotamente num software que, com a inteligência artificial, ajuda as empresas de recrutamento a identificarem competências socioemocionais dos candidatos. As suas pa-Ainda mais caros recem estar em alta: convive, trabalha com afinco e fala com entusiasmo da nova casa no condomínio Odeon, arrendada desde junho passado por EUR4.000 ao mês. O preço inicial era de EUR4.500, mas como pagou adiantado um ano, teve desconto. David não dirá que é uma renda barata, mas face às praticadas em Manhattan (EUR10 mil por mês), por apartamentos com estas características e localização, considera-a aceitável. Está a poucos passos da Avenida da Liberdade, ao lado tem O Atheneu e uns metros adiante o Coliseu dos Recreios e o Teatro Politeama. Já viveu no sul de França por um ano, em Ibiza durante oito meses, em Palma de Maiorca três anos e em Los Angeles três meses. Mas aqui o nómada digital sente-se em casa. Aprecia o acolhimento dos portugueses e a facilidade com que faz amigos. Acesso ao spa do hotel O inquilino sente a “good vibe” da história de um dos cinemas mais emblemáticos, de art déco, inaugurado em 1927, quando ainda havia filmes mudos. A casa agrada-lhe, o design também e consegue conciliar lazer com trabalho. Entre as 6h e as 7h acorda, faz uma caminhada de meia hora, depois regressa a casa, pratica ioga, prepara o pequeno-almoço na kitchenette e começa a trabalhar. Almoça por casa e às 17h, no máximo às 19h, termina o trabalho. Pode optar por jantar fora, num dos inúmeros restaurantes da zona. Uma vez por semana, David dá-se ao luxo de ir a pé ao spa com sauna e banho turco: basta,lhe atravessar a rua. Uma cortesia da promotora do prédio (Odeon Properties) aos moradores do condomínio, através de um protocolo com o hotel The One Palácio da Anunciada. Jorge Capelo, sócio da Odeon, Os 10 apartamentos têm a marca Karl Lagerfeld A marca do diretor criativo da Chanel, Karl Lagerfeld (falecido em 2019), chegará a Lisboa em formato de condomínio de ultraluxo, de 10 apartamentos na Rua Braamcamp. O metro quadrado rondará EUR25 mil ea construção inicia-se no segundo semestre deste ano, através da promotora Overseas. conta à SaBADO que o processo se deveu aos constrangimentos na reabilitação de um edifício classificado, como o cinema histórico. Por falta de espaço para ginásio ou piscina, avançaram para o acordo com o hotel de cinco estrelas, por alguns anos. “os custos associados com o uso do hotel foram incorporados por nós no custo da construção”, diz. Quanto ao condomínio, ronda OS EUR300 por mês por um T2 como o de David. Inclui um serviço aproximado ao de concierge, sem farda nem salamaleques, assegurado pelo senhor Rui que está em permanência no prédio de segunda a sexta-feira. E ainda contam com a garagem automatizada, lá iremos. Estacionamento automático David desce ao átrio do prédio que nos faz recuar no tempo, mantendo a traça de foyer de cinema antigo. Abre uma porta e dirige-se ao painel de controlo, passa um chip (uma chave em formato de cartão magnético) e aguarda. Nem cinco minutos depois, sem manobras nem perigos de amolgadelas, o Porsche branco 911 está pronto a sair da garagem. Sobe na plataforma, de frente. ê Só abrir o portão. Para o efeito inverso, posiciona o carro de frente, passa o chip e espera que a plataforma desça e estacione o carro num dos 27 luga-C res, em três pisos abaixo do solo. Foi a solução encontrada pela promotora, pela impossibilidade de fazer uma rampa, que roubaria metros quadrados preciosos à loja que manterá o arco antigo, de 24 metros. Jorge Capelo justifica a escolha da garagem futurista: “Tentámos avaliar o parque com elevador, mas muitas pessoas têm claustrofobia, então falámos com uma empresa, que nos foi apresentada pelo arquiteto da reabilitação do Odeon [Samuel Torres de Carvalho]. Fez o sistema automatizado de estacionamento.” os moradores agradecem, ainda que optem mais por andar a pé. Quem mora aqui não tem chauffeur à porta, como tantos clientes das lojas de luxo da Avenida da Liberdade. Passam despercebidos e preferem assim, como uma condómina asiática que, habituada a que a sirvam, está a aprender a gostar do luxo mais discreto e a desfrutar de Lisboa. A tal ponto que já decidiu passar aqui a reforma. Dentro de ano e meio, talvez, poderá fazer refeições requintadas num restaurante asiático de luxo, cujo projeto de arquitetura está a ser avaliado pela câmara de Lisboa. 266 LIBERDADE Dentro do antigo jormal A Avenida da Liberdade não tem por onde crescer em nova construção, por iSSo o luxo dos condomínios mede-se pela história. E há uma incontornável: o edifício do Diário de Notícias, onde até ao fim de 2016 funcionava este jornal e outras publicações do grupo Global Media. O prédio foi vendido na altura à promotora imobiliária Avenue, por quase 20 milhões de euros, que manteve a traça original, mas o converteu para habitação. Desde 2021, a obra assinada pelo arquiteto Porfírio Pardal Monteiro, e vencedora do prémio Valmor em 1940, tem pessoas a habitar nos 34 apartamentos de várias tipologias (do TO ao T5, a partir de EUR400 mil), sendo a maior uma penthouse. Neste último piso, de 800 m , outrora uma redação, detido por um industrial estrangeiro, recuperou-se a arquitetura original. Na zona virada para a fachada fica o terraço coberto (200 m?); a meio há outro, mas descoberto (200 m?); e nas traseiras da Rua Rodrigues Sampaio a casa propriamente dita (400 m?). Por cima, preservaram-se os néons do logótipo do jornal cen-tenário. Encontrar mão de obra qualificada para o restaurar é que foi um desafio, segundo o CEO da promotora Avenue, Aniceto Viegas: “Foi uma pesquisa quase pelo País inteiro, para arranjar o artesão.” Conseguiram, o néon funciona, mas nunca foi ligado, por questões de sustentabilidade, devido aos elevados consumos de energia. Descendo aos apartamentos, houve outro desafio na fase de projeto: respeitar a volumetria original, sem comprometer a funcionalidade das casas. “Decidimos ter uma arquitetura mais clássica virada para a Avenida Liberdade. As tipologias mais pequenas ficaram naquele miolo central”, prossegue o mesmo responsável. O hall de entrada com frescos de Almada Negreiros é um dos pontos que os moradores mais elogiam, assim como a porta giratória e o elevador principal. Têm direito a concierge, serviços de portaria, limpeza e manutenção das áreas comuns, inseridos na gestão do condomínio, a cargo da consultora imobiliária B.Prime. Há assim um “conjunto de ofertas similares a um serviço de hotelaria”, frisa Francisco Grilo, chefe de consultoria e gestão de edifícios, da B.Prime. No dia a dia, o ambiente do condomínio é "tranquilo, organizado, acolhedor” e, mais recentemente, entusiasta, a propósito da inauguração da loja de roupa Eleventy, a 23 de outubro passado, no rés do chão do edifício. os moradores foram convidados para o evento da marca italiana, que segue o conceito de quiet luxury em 260 m? de história. PENiNSULA DETRoIA COMPORTA BEACH RESORT A 200 metros da praia O enquadramento postal ajuda, a 200 metros da praia na Península de Tróia e às portas da recém-hollywoodesca Comporta. Ergue-se ali um condomínio onde os carros ficarão longe da vista, arrumados em garagens. Só se verá mar, verde e casas. Sérgio Ferreira, CEO da promotora da obra (Coporgest), adianta à SãBADO que o futuro condomínio Comporta Beach Resort deverá ficar concluído no verão de 2028. os mais de EUR200 milhões de in-vestimento compreendem um hotel de cinco estrelas com 58 quartos, 71 apartamentos, 37 vivendas, três restaurantes, além da construção de passadiços e de piscinas de água salgada. Em fase de obra de estruturas, e já no mercado de venda, o preço de cada moradia começa em EUR2,5 milhões. O projeto é do arquiteto Pedro Appleton, que diz à SãBADO ter replicado a paisagem das dunas nas cores e na madeira. Quanto ao que diferencia este condomínio dos demais, não hesita: “Promover uma experiência holística, desde a chegada a todos os serviços e às comodidades que o melhor empreendimento pode proporcionar.” Portugueses, norte-americanos, brasileiros, entre clientes de outras nacionalidades, têm avançado para a compra. Certamente, atraídos pelos interiores de design australiano (Bar Studio), que tem deixado marca em hotéis de luxo em Hong Kong, Tóquio, Melbourne, etc. “Admito que possam ocorrer pequenos ajustes, mas o design é tão bem conseguido que as pessoas se vão apaixonar pelo produto”, prevê Sérgio Ferreira. C Personalizar Não é comum nestes empreendimentos C Por isso, já foi comprada a casa mais valiosa (EUR15 milhões), ainda em planta, por um cliente do Reino Unido, através da imobiliária Fine & Country. A vista panorâmica terá sido decisiva na escolha. LAGOS, ALGARVE PALMARES Golfe e ostras Se há sítio que privilegia as vistas é O Palmares Ocean Living & Golf, em Lagos, no barlavento algarvio. Num terreno da primeira linha panorâmica, o sueco J. Johansson (ex-CEO de empresas, reformado) e a mulher compraram 6.000 m de lote e construíram uma mansão de 700 m , a que deram o nome de Villa Pernoi ( “para nós” em italiano). Porque embora estivessem inseridos num condomínio, fizeram a casa de sonho à sua medida, projetada pelo arquiteto Mário Martins. “O Mário apresentou ótimas ideias de como posicionar e estruturar a casa, para aproveitar ao máximo a localização no topo da colina com vista completa para o oceano, mas ainda assim mantendo proximidade com o jardim e total privacidade”, explica o dono à SáBADO. Foram exigentes na parte técnica, para conseguirem controlar remotamente os aparelhos da casa. Não pouparam no equipamento do ginásio; nem na tecnologia da sala de cinema privativa (com projetor a laser triplo e um sofisticado sistema de som); muito menos na adega. “Um lugar para amigos degustarem e apreciarem vinhos selecionados, na maioria portugueses”, conta J. Johansson. Conviveram com a vizinhança, jogaram golfe (o campo do empreendimento tem Dada a complexidade das construções destes condomínios, nem sempre se permite aos compradores personalizar, ou seja, escolher os acabamentos. Por exemplo, O Odeon aumentou a ilha de uma cozinha, a pedido da cliente, que entretanto desistiu da compra. 27 buracos) e visitaram os viveiros de ostras. Embora gostassem de privacidade, não descuraram o espírito comunitário. Até o fomentaram, acrescenta o sueco: “Criámos a associação PHOA, Palmares House Owners Association, para simplificar a cooperação com a administração de Palmares e para partilhar experiências entre os proprietários de casas em assuntos práticos.” Mas tudo isto será um capítulo do passado: vira-se a página por motivos de saúde do proprietário sueco. Os médicos disseram-lhe que viajar seria um fator de risco e J. Johansson pôs a casa à venda na imobiliária Sothebys por EUR8,950 milhões. Vasco Oliveira, consultor da Sotheby s a comercializar este imóvel, diz que, no total do empreendimento, restam menos de 10 lotes disponíveis. Há opções mais baratas, no meio do resort, pelos apartamentos signature de EUR600 mil a EUR1,6 milhões. Traduzem-se por “menos ostentação e mais significado, projetados para privilegiar a luz natural”, enquadra o consultor. NEVOGILGE, PORTO NOMAD EDEN Oferece-se Bentley ao comprador Na zona nobre do Porto, Nevogilde, junto à Foz, começa-se a apostar em oásis residenciais com piscinas aquecidas (interior e exterior), spa, ginásio, porteiro 24 horas por dia. Um exemplo deste tipo de lifestyle resort é O Nomad Eden, com 43 apartamentos de T1 a T5, a partir de EUR890 mil. O preço médio por m? é de EUR8.000. A conclusão da obra está prevista para o segundo trimestre de 2028, mas 35% dos imóveis já foram vendidos em planta a americanos, brasileiros, holandeses e suíços, além de portugueses do norte à procura do conceito exclusivo. Nos andares de topo, das penthouses, resta uma das quatro que estavam no mercado. Duarte Marques, responsável da Sothebys pela área de novos empreendimentos, revela o bónus para quem a comprar (está à venda por EUR4,550 milhões): “A aquisição inclui um Bentley personalizado, entregue ao comprador como símbolo do estilo de vida associado ao Eden.” Trata-se de uma edição especial da marca, da gama híbrida (GT Blue Eden). Só existe um e é azul, como o mar junto à Foz. O Têm spa, acesso restrito, segurança 24 horas, salas de cinema e piscinas privativas. Há rendas de 12 mil euros e moradias acima dos 12 milhões. Há um boom de novos empreendimentos de norte a sul e brasileiros e americanos dominam a procura O investidor brasileiro Marcos Silva fotografado na sua moradia, inserida no condomínio Bloom Marinha (Cascais) Revendas Há casas do Bloom Marinha que têm sido postas à venda, pelos proprietários, com uma valorização de 80% UM BRASILEIRO COMPROU à DISTàNCIA UMA CASA DO BLOOM MARINHA, POR 8 MILHoES DE EUROS o O condomínio Bloom Marinha desenvolve-se ao longo de 14 hectares com 85 moradias Sustentabilidade Preocupações ambientais e de eficiência energética Por cada pinheiro cortado para a construção no Bloom Marinha foram replantados quatro, para a reflorestação da zona, no parque Sintra-Cascais. Em termos de eficiência energética, as casas têm painéis solares e em algumas OS proprietários instalaram painéis fotovoltaicos com baterias de acumulação. Preços Na Zona Euro, Portugal liderou a subida de preços das casas (17,7%), no terceiro trimestre de 2025 10 A 15 VEZES AO DIA, OS SEGURANçAS DO BLOOM MARINHA FAZEM A RONDA PELO CONDOMINIO o A instrutora do Club Pilates (Carlota Lacasta), instalado à entrada do Bloom Marinha. Abriu a 27 de outubro o As aulas de grupo no Club Pilates decorrem neste espaço. Podem praticar 12 alunos Proposta Nuno Durão, sócio da imobiliária Fine & Country, sugeriu à promotora Coporgest investir num condomínio em Tróia Crescimento A análise de uma empresa do setor, B.Prime Em Lisboa, os condomínios de luxo concentram-se na Avenida da Liberdade, no Príncipe Real, na Lapa, no Chiado e na Estrela. Fora da capital, estes tipos de imóveis com gestão profissionalizada estão em Cascais-Estoril, no Porto histórico e em zonas nobres do Algarve. Uma empresa do setor, B.Prime, gere 15 condomínios nestes moldes. O A penthouse que a SáBADO visitou na tarde de 2 de janeiro está à venda por EUR3,450 milhões ? A piscina da penthouse no condomínio Atlantic, integrado no projeto Bayview (Cascais) Os APARTAMENTOS QUE SE VENDEM RAPIDAMENTE SáO OS MAIS CAROS E FICAM NO uLTIMO PISO O inquilino francês do Odeon, David Bernard, está satisfeito por morar num cinema antigo o O Odeon preserva a memória do cinema histórico, inaugurado em 1927, na R. dos Condes, em Lisboa o Varandins das casas no Odeon, onde em tempos as pessoas passavam os intervalos dos filmes O Jorge Capelo é sócio da promotora Odeon, que converteu o cinema para habitação 2.419 Número de casas. à venda, acima de EUR3 milhões, no segundo trimestre de 2025, segundo o Idealista “CASCAIS SERã O NOVO PALO ALTO OU SILICON VALLEY”, PELOS COMPRADORES INTERNACIONAIS 0 Inauguração do edifício do Diário de Notícias (1940). Ganhou o prémio Valmor no mesmo ano C Hall de entrada do condomínio 266 Liberdade. Até 2016, foi sede do Diário de Notícias O Há 34 apartamentos distribuídos pelos cinco pisos do icónico edifício do 266 Liberdade O Simulação 3D do efeito final do condomínio Comporta Beach Resort, que ficará concluído no verão de 2028 Prémios A reabilitação do edifício-do Diário de Notícias foi premiada duas vezes. Na foto, Aniceto Viegas, CEO da promotora Os RESIDENTES DO ANTIGO CINEMA ODEON TêM DIREITO a GARAGEM COM ESTACIONAMENTO AUTOMaTICO O Os tons pastéis combinados com madeira fazem alusão à paisagem das dunas de Tróia o Os moradores foram convidados para a inauguração da loja no prédio, Eleventy, em outubro passado 2028 Abertura do hotel JW Marriott Algarve Palmares Hotel & Spa, com 172 quartos, em Palmares (Lagos, Algarve) A PENTHOUSEDO EDIFICIO ONDE FUNCIONOU O DIàRIO DE NOTICIAS TEM 800 M?, METADE DESTES SàO TERRAçOS O que é ultraluxo? Há um critério simples para o definir: o preço Acima de 3 milhões de euros, os imóveis à venda entram na categoria de ultraluxo, segundo a análise do portal imobiliário Idealista. O porta-voz deste portal, Rúben Marques, explica à SàBADO que as mensalidades astronómicas dos condomínios refletem custos operacionais elevados, que funcionam quase como “um serviço de hotelaria residencial”. O Vista aérea do condomínio Palmares, em Lagos. A densidade é baixa pela exclusividade o Sala da mansão Villa Pernoi, em Palmares, à venda pela Sotheby s por EUR8,950 milhões SOBRE O COMPORTA BEACH, o ARQUITETO PEDRO APPLETON FALA DE “EXPERIENCIA HOLiSTICA” o O proprietário sueco J. Johansson, na adega da sua mansão em Palmares, Villa Pernoi o A mansão Villa Pernoi está na zona panorâmica do condomínio Palmares O ARQUITETO DA VILLA PERNOI PROJETOU A CASA NO TOPO DA COLINA PARA APROVEITAR AO MáXIMO A VISTA “Paraíso” é O que diz Duarte Marques (diretor de novos empreendimentos da Sotheby s) sobre o Nomad Eden o o Nomad Eden, na Foz do Porto, já vendeu 35% em planta o Simulação da panorâmica do Nomad Eden, com varandas ajardinadas e painéis solares Raquel Lito