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MOTORES A COMBUSTÃO (HÍBRIDOS OU NÃO) VÃO CONTINUAR - COMISSÃO EUROPEIA ABANDONA META DAS ZERO-EMISSÕES EM 2035

Blue Auto

2026-01-14 22:06:36

Era uma possibilidade e acabou mesmo por acontecer: fortemente pressionada por parte da indústria automóvel e também pela diplomacia de alguns dos países mais representativos do setor a nível continental, a Comissão Europeia cedeu, deixando cair a meta de 2035 como data a partir da qual só poderiam ser vendidos carros novos zero-emissões. Na realidade, o órgão executivo comunitário refez a proposta legislativa anterior abdicando do objetivo de 100% de emissões zero até aqui estabelecido para o ano de 2035 e flexibilizando-o para 90%: “A partir de 2035, os fabricantes de automóveis terão de cumprir um objetivo de redução de 90% das emissões pelo tubo de escape, ao passo que os restantes 10% de emissões terão de ser compensados através da utilização de aço hipocar-bónico fabricado na União ou de combustíveis eletrónicos e biocombustíveis” , defende agora a Comissão, acrescentando que as medidas adotadas no último mês de dezembro “mantêm um forte sinal de mercado para os veículos com nível nulo de emissões, dando simultaneamente à indústria mais flexibilidade para alcançar os objetivos em matéria de emissões de CO2”. Esta proposta de revisão para os standards de emis-sões CO2 foi aliás apresentada como integrada num pacote constituído por quatro importantes iniciativas desenvolvidas pelos comissários para incentivar a indústria automóvel europeia, definindo o caminho a seguir na próxima década e apoiando os esforços do setor na transição para uma mobilidade limpa , esse Pacote Automóvel prevê assim, além da revisão dos limites de emissões a cumprir pelos construtores, uma iniciativa intitulada “Omnibus Automóvel” destinada a aliviar os encargos administrativos e reduzir os custos para os fabricantes europeus, reforçando a sua competitividade a nível mundial e libertando recursos para a descarbonização, além de introduzir uma nova categoria de veículos elétricos até 4,2 metros de comprimento a produzir no espaço da União Europeia e que os Estados-Membros deverão incentivar de modo a estimular a sua procura; bem como uma diretiva especificamente dedicada às frotas profissionais, com metas nacionais vinculativas para veículos com nível nulo ou baixo de emissões; e ainda o reforço da indústria europeia das baterias. Apesar da Presidente da Comissão Europeia destacar que com este pacote apresentado em dezembro as normas em matéria de CO2 “proporcionam agora maior flexibilidade para apoiar a indústria e reforçar a neutralidade tecnológica, proporcionando simultaneamente previsibilidade aos fabricantes e mantendo um sinal claro do mercado no sentido da eletrificação” , não há como deixar de considerar poder tratar-se mesmo de um “passo atrás” na liderança e na competitividade da Europa no mercado da eletrificação automóvel, até porque o novo projeto de legislação (deverá ainda ser debatido no Parlamento Europeu e negociado pelo Conselho da União) indica explicitamente que o objetivo de redução de 90% para as emissões “permitirá que os híbridos recarregáveis, os extensores de autonomia, os híbridos ligeiros e os veículos com motor de combustão interna continuem a desempenhar um papel para além de 2035” (curiosamente, o texto não faz referência aos híbridos elétricos), prolongando assim a viabilidade pós-2035 de motorizações que não cumprem as zero emissões. Com esta flexibilização, e numa altura em que se vendem cada vez mais carros elétricos, não se percebe bem como é possível concluir que , ainda nas palavras de Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão , “a Europa continua na vanguarda da transição ecológica mundial”. Tal como não parece fazer muito sentido argumentar , como defendido na nova proposta da Comissão , que este novo quadro político ajuda a “assegurar a neutralidade climática e a independência estratégica até 2050”, quando o que está em causa, na prática, é estender a vida útil de veículos poluentes. O que parece sim evidente é que essa flexibilização não é mais do que uma tentativa de resposta aos apelos de parte da indústria automóvel, a qual, ainda que fortemente empenhada na eletrificação , até por conta dos avultados investimentos já realizados ,, não quer arriscar ter de pagar pesadas multas por eventuais incumprimentos nos limites de emissões, além de apostar em continuar a produzir e comercializar ainda durante mais alguns anos as bem mais lucrativas motorizações tradicionais