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GOVERNO VAI DAR MAIS EUR20 MILHÕES PARA CARROS ELÉTRICOS ATÉ MARÇO

Expresso Online

2026-01-14 22:04:50

O último aviso de 2025, com 17,6 milhões de euros em cheques para veículos elétricos, esgotou em poucas horas. O Governo já tem mais uma fase de candidaturas na calha A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou esta terça-feira que irá abrir no primeiro trimestre de 2026 uma nova fase de candidaturas para apoios à compra de veículos elétricos, com uma nova dotação de EUR20 milhões. Isto depois de 2025 ter encerrado com mais um aviso esgotado no espaço de poucas horas. No passado dia 29 de dezembro, foi publicado no Fundo Ambiental o último aviso do ano para incentivos à aquisição de veículos com emissões reduzidas, com uma dotação de 17,6 milhões de euros. Este valor inclui os 9,6 milhões remanescentes de anteriores avisos de 2025 e o restante veio de verbas que foram realocadas de outros programas, pelo facto de não terem sido executadas. No total, a fatia do orçamento do Fundo Ambiental para 2025 dedicada a apoiar a compra de veículos de emissões nulas ascendeu a um total de EUR22,5 milhões. Nessa última fase de candidaturas do ano passado, o Governo alargou os apoios a veículos de emissões reduzidas já adquiridos, desde que comprados novos a partir de 1 de janeiro de 2025. No entanto, ficaram excluídos os cheques para veículos ligeiros de mercadorias 100% elétricos, que "serão objeto de aviso próprio". Tal como nos anteriores, este novo aviso para 2026 manterá a exigência de abate de um automóvel a combustível fóssil com mais de 10 anos, bem como a majoração do apoio para as IPSS, autoridades de transportes e autarquias locais, já que as frotas de ligeiros de passageiros afetas a uso social têm uma utilização mais intensiva do que o habitual. Este será também o ano da criação do novo Fundo Social para o Clima , cujo programa já seguiu para Bruxelas, depois de ter estado em consulta pública -, que abarcará os apoios ao combate à pobreza energética, como o E-Lar e o Vale Eficiência, e também os vouchers para a compra de automóveis elétricos. "2026 será um ano para fazer as coisas que estão atrasadas. É uma grande prioridade aproveitar o fim do PRR, que ainda tem dinheiro, o Programa Operacional Sustentável e o Fundo Social do Clima. Os programas anteriores do Fundo Ambiental eram demasiados complexos e difíceis de executar, por isso foram simplificados. Vamos continuar com os cheques para veículos elétricos, porque é sempre do agrado de muita gente. Muito rapidamente teremos um novo concurso”, disse a ministra ao Expresso. Questionada sobre datas, a governante disse que “já está pronta a resolução para nos dar autorização para o novo aviso” no valor de 20 milhões para carros alétricos, que será lançado “até março”, mantando “as mesmas regras”. Falta apenas a autorização do Conselho de Ministros. Leilão para novas áreas de pesquisa de lítio pode avançar em 2026 Maria da Graça Carvalho deu também conta que Portugal acaba de receber "luz verde" de Bruxelas para abrir novos concursos para aumentar a resiliência energética das infraestruturas críticas (como hospitais e outras), de modo a que possam instalar painéis solares e baterias. Isto na sequência do apação ibérico de 28 de abril. Segundo a governante, o primeiro aviso terá 25 milhões de euros de dotação e poderá ser lançado ainda no primeiro trimestre. Outras dos temas por concretizar na lista de trabalhos do seu ministério, e que Graça Carvalho quer fazer avançar este ano, é o leilão para pesquisa e prospeção de lítio e outros minerais críticos em seis zonas do país já identificadas desde 2018, ainda com o governo socialista. "Há um ano lançámos os princípios básicos da estratégia de mineração a nível nacional. É nisso que estamos a trabalhar, e por isso o leilão ainda não avançou. E também porque queremos contar com o envolvimento das populações e garantir que fique riqueza no país", disse a ministra, defendendo a necessidade de um "melhor convívio entre os grandes projetos de minerais críticos e energia renováveis e a população". Para isso, o Governo está também a estudar aumentar as compensações para os municípios que acolham estes projetos. Sobre datas, Graça Carvalho diz que o seu gabinete está a trabalhar rápido: "Pode ser este ano. Espero que tenhamos rapidamente essa estratégia desenvolvida para implementar medidas que beneficiam as populações. Um projeto só faz sentido nos dias de hoje se beneficiar o local e o país, se criar riqueza, emprego, e se ambientalmente tiver impactos aceitáveis". Quanto ao lítio, defende que os projetos não podem apenas prever a "exportação direta do material", sendo obrigatório que "existam fábricas em Portugal que utilizem esse material e que haja valor acrescentado da economia e do emprego". E dá um exemplo: "Não podemos abrir um buraco, extrair um minério qualquer, chegar ao porto de Sines, exportá-lo, e depois fica o buraco e o passivo ambiental. Há décadas que temos minas para remediar, que vai nos custar imenso, de empresas que fecharam e que agora cabe ao Estado". No que diz respeito ao concurso para as concessões das linhas de distribuição de eletricidade em baixa tensão, a ministra não está tão otimista e atira o leilão só para 2027, na melhor das hipóteses. Em dezembro o grupo de trabalho liderado por Nuno Ribeiro da Silva apresentou o seu relatório final, no qual "identificou as principais dificuldades técnicas do processo" e defendeu a manutenção de uma concesão que junte a média e baixa tensão, e também uma única zona a nível nacional, sendo este o modelo atual atribuído à E-Redes, do grupo EDP. A bola está agora do lado do Governo, sendo que Graça Carvalho conta ter as regras do leilão da baixa tensão definidas "até ao verão", sem avançar se seguirá ou não as recomendações propostas pelo grupo de trabalho. Bárbara Silva Jornalista [Additional Text]: Governo vai dar mais EUR20 milhões para carros elétricos até marçoBárbara Silva