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PARA ALÉM DAS EXPETATIVAS

Motor Clássico

2026-01-14 22:04:30

Fundada em 1945 por Donald Healey, renomado engenheiro da indústria automóvel e piloto de sucesso, a empresa surgiu após discussões sobre a ideia de constituir uma marca que se dedicasse à construção de automóveis desportivos. Três homens foram fundamentais no arranque deste sonho: Donald Healey, Achille Sampietro, especialista em chassis, e Ben Bowden, um perito em aerodinâmica. Este trio trabalhou na Humber durante um período alargado que abarcou a Segunda Guerra Mundial e após o final do conflito lançar-se-iam nesta aventura. Um conjunto de modelos com sucesso desportivo catapultaria a marca Healey para um nível de notoriedade nunca antes pensado. HYMAN (FOTOS) Mto antes de Donald Heaey aançar um incrivel Suesso comercial e desportivo com O AustinHealey 100, este reputado técnico era já um homem influente na indústria automobilística britânica. Healey cedo se destacou como um piloto de ralis de nível superior no período pré-guerra, sendo a sua maior conquista a vitória absoluta no Rali de Monte Carlo de 1931, ao volante de um Invicta 4,5 S. O seu papel inicial mais visível na área da engenharia automóvel teria lugar como diretor técnico da Triumph. A integração da Triumph na Standard não atrapalhou a sua carreira, mas quando a guerra se intensificou, Healey transferiu-se para a Humber desenvolvendo veículos blindados de vários tipos, nomeadamente o conhecido Scout Car. Foi nesse cargo de grande responsabilidade na Humber que conheceu Achille "Sammy"” Sampietro e Ben Bowden. A “química” produzida por estes três personagens levou-os a começar a pensar e a desenhar nas horas vagas várias ideias para um automóvel desportivo que receberia a designação comercial de Healey. Bowden concentrar-se-ia em exclusivo no "design” da carroçaria, enquanto Sampietro projetaria um chassis, de "lay-out” clássico, embora muito eficiente para o fim em vista. Healey seria o coordenador do projeto, assegurando o respetivo financiamento e, dadas as suas relações com a Riley desde o tempo em que, como piloto, correu para esta marca, garantiria também um acordo para poder usar sem restrições o excelente motor de quatro cilindros em linha com câmara de combustão hemisférica de 2.443 cm* deste construtor. A DEFINIçaO DE UMA GAMA O processo que Donald Healey acabaria por utilizar para financiar o arranque do negócio é pouco conhecido, mas eloquente sobre a confiança que alguns capitalistas britânicos de menor dimensão procuravam, apostando em negócios propostos por técnicos nas mais diferentes áreas, no desejo de obter uma remuneração financeira superior à da banca comercial. Na realidade, a maior parte do capital inicial de £50.000 veio de um jovem ambicioso de Cumbria chamado James Jimmie Watt que utilizaria uma soma de dinheiro da sua esposa, herdada com a morte dos seus pais, permitindo assim a criação da Donald Healey Motor Company. Watt, por causa desse apoio, tornar-se-ia diretor de vendas. A produção, entretanto, começaria em 1946, com a gama inicialmente composta por um modelo de turismo, de vocação claramente desportiva, de carroçaria aberta, produzida na Westland Motors e por uma viatura fechada, com a componente mecânica similar ao Westland, mas integrando uma carroçaria de duas portas construída na Elliott of Reading. Por essa razão, os modelos acabaram por receber como designações comerciais os nomes das empresas responsáveis pela produção das carroçarias. Embora o automóvel com carácter mais desportivo fosse incontestavelmente O Westland um exemplar veio para Portugal pela mão de Afonso Burnay, o primeiro português em Le Mans O Elliott acabaria por se destacar ao tornar-se o automóvel de produção de quatro lugares mais rapido do mundo. Para esse feito, terá contribuído sobremaneira o facto do Healey Elliott ter sido otimizado em túnel de vento uma prática pouco habitual nesta época, facilitada pelas excelentes relações entre Healey e Bowden com as Forças Armadas Britânicas em geral, e com a RAF em particular, que tinha instalações desse tipo para desenvolver os seus aviões. Essa faceta esteve, sem dúvida, na base de um marco importante na consolidação da marca Healey, traduzido na circunstância de um Elliott sem modificações de qualquer espécie, ter atingido a velocidade máxima de 177,280 km/h (cerca de 110,8 mph) na reta de Jabbeke, na Bélgica, em 1947. Esta primeira geração de modelos do construtor sedeado em Warwick, um antigo pavilhão da Força Aérea, entretanto desativado, mostrou a qualidade da sua conceção, ao vencer a sua categoria em provas tão importante como a Targa Florio (1948) ou as Mille Miglia (em 1948 e em 1949). Disponível, tal como o Westland, apenas entre 1946 e 1950, os principais historiadores da marca acreditam que terão sido construídas 101 unidades do Healey Elliott. A MANUTENçaO DA MECaNICA os conhecimentos de Donald Healey valeram-lhe, em numerosas circunstâncias, algumas oportunidades que lhe proporcionaram bons negócios. Eo técnico soube, em muitas ocasiões, aproveitar o que de melhor a indústria lhe poderia proporcionar. O chassis era de uma simplicidade extrema e muito fácil de produzir e o desenho das diferentes carroçarias estavam a cargo do génio de Bowden. Na indústria, Healey soube negociar os novos amortecedores hidráulicos com a Girling e o sistema de travagem de tambores com a Lockheed.com a Riley, com quem Donald tinha relações de amizade com alguns dos administradores, o fornecimento do motor foi fulcral tendo em conta as suas características de modernidade e as efetivas qualidades de elasticidade e fiabilidade. Mas foi também nesta marca que a Healey, para além do excelente motor, escolheu o eixo traseirO rígido Riley, guiado através de uma barra Panhard e suportado por molas helicoidais e amortecedores telescópiCOS. Estas características gerais foram acompanhando os sucessivos modelos Healey que tiveram um protagonismo de grande nível entre 1946 e 1954, apenas otimizando algumas variáveis da mecânica, como a distância entre eixos, a rigidez e o amortecimento da suspensão e ainda alguns detalhes no motor. Os automóveis Healey mostraram-se sempre rápidos e fiáveis, mas também com um preço acima da média, devido ao método quase artesanal de produção. O HEALEY SILVERSTONE O modelo mais significativo da Donald Healey Motors foi apresentado em 1949: tratava-se do desportivo Silverstone, que dispunha do chassis idêntico ao Westland/Elliot, mas com uma distância entre eixos mais curta, uma suspensão dianteira de rodas independentes com braços oscilantes e molas helicoidais e uma pouco usual barra estabilizadora. O desenho da carroçaria era completamente diferente, talvez inspirado na produção italiana desta época = e também nalguns exemplares da Talbot e da Delahaye , apresentando a forma de um charuto com guarda-lamas separados, sendo produzida em alumínio. Este modelo teve grande sucesso na competição sendo adquirido por vários pilotos amadores A produção do Silvesrtone superou as 100 unidades e, uma vez mais, tal como os anteriores Healey, teve uma carreira desportiva invejável, vencendo à classe duas edições da Coupe des Alpes e uma edição do difícil rali Liége-Roma-Liége, em 1951. Healey explorou a hipótese de montar um motor americano v8 da Cadillac O que fez num protótipo, de forma isolada , mas a hipótese de contratualizar um fornecimento regular de propulsores embora em pequena quantidade, foi chumbada pela marca americana. Foi esta recusa que desencadearia o processo de definição do Nash-Healey. Outros modelos foram desenvolvidos pela Healey nesta primeira metade da década de 50, em paralelo com o Nash-Healey cuja distribuição se concentrava no mercado americano. Entre 1950 e 1951, a marca ainda lançou os modelos Sportsmobile, Tickford, Abbott e o G-Type, cujas carreiras terminaram nos anos de 1953 e 54. Nessa altura já a extraordinária trajetória comercial e desportiva do Austin-Healey tinha começado dando origem a outra história de sucesso do reputado técnico e empresário. 0 Healey Silverstone foi provavelmente o mais popular modelo da marca de Warwick antes dos lançamentos mediáticos do Nash-Healey ou do Austin-Healey NO INÍCIO DA DÉCADA DE 1950, DONALD HEALEY ESTEVE ENVOLVIDO PROJETOS FUNDAMENTAIS PARAA CONSOLIDACAO DA SUA MARCA: OS MODELOS PRÓPRIOS, A COOPERAÇÃO COM A NASH E A PARCERIA COM A AUSTIN 0 Healey Elliot, o automóvel de quatro lugares com carroçaria fechada mais rápido do mundo, atingiu uma velocidade máxima de aproximadamente 180 km/h na autoestrada de Jabbeke, na Bélgica, em 1947 O HEALEY SILVERSTONE FOI UM MODELO DETERMINANTE NA NOTORIEDADE DA MARCA Dada Asua Aptidao PARA PROVAS DESPORTIVAS DE GRANDE EXIGeNCIA O Healey Westland, o primeiro desportivo da marca, um modelo que teve vários sucessos internacionais graças à mecânica fiável e a um motor com um nível de elasticidade acima da média 0 Healey Silverstone, aqui com a capota de lona fechada 0 Healey Sportsmobile era esteticamente diferente dos outros modelos da marca mostrando uma forma de carroçaria do tipo "ponton", o que era uma inovação na indústria britânica O motor Riley 16 ficou na história da indústria automóvel britânica como um dos melhores motores britânicos anteriores ao conflito, apresentando uma arquitetura moderna e racional. A opção pela disposição de quatro cilindros pareceu natural, mas tudo o resto constituiu uma manifestação de irreverência dos técnicos da marca inglesa, em particular a adoção de uma distribuição com duas arvores de cames laterais, valvulas disposta em "cross-flow" = duas por cilindro, uma de cada lado do bloco, fazendo 900 entre si, com a vela de ignição colocado ao centro, garantindo uma inflamação muito homogénea da mistura = com uma câmara de combustão hemisférica, replicando aquilo que tinha sido adotado pelos técnicos da BMW no desenvolvimento do propulsor do 328, mantendo também as árvores de cames laterais. Este bloco do Riley tinha ainda alguns procedimentos do passado, nomeadamente a escolha de cilindros compridos, com um diâmetro de 80,5 mm e um curso de 120,0 mm a relação curso diâmetro era de 1,491 e a cilindrada total ascendia a 2.443 cm® = ou a cabeça ainda produzida em ferro fundido. Nascido com pouco mais de 80 cv, o desenvolvimento técnico e a qualidade da gasolina, permitiram subir a compressão inicial de 6.9, que era muito baixa, e assim este motor surgiria no mercado depois da guerra com uma potência maxima superior a 100 CV. 0 fantástico motor Riley de 2,5 litros com dupla árvore de cames à cabeça, foi um dos principais responsáveis pelo sucesso e consolidação da Healey como construtor do pós-guerra JOSÉ BARROS RODRIGUES