AUSTIN-HEALEY , DESPORTIVOS ATRAENTES - MUDANÇA DE PARADIGMA
2026-01-14 22:03:23

Há, na evolução da indústria automóvel europeia, um conjunto de engenheiros brilhantes que, normalmente, não são recordados pelas suas capacidades e pelo seu desempenho técnico. Donald Healey é um desses personagens ilustres, que desenvolveu uma carreira de sucesso, mas que nunca teve a projeção de um Ferdinand Porsche ou mesmo de um w. O. Bentley. E, no entanto, o seu trajeto técnico teve sempre a marcá-lo alguns episódios de sucesso. O primeiro Austin-Healey, apresentando ao mundo no Salão de Londres de 1952, foi o apogeu da sua carreira, complementada com várias versões do mesmo conceito e com outros modelos mais acessíveis como o Sprite. AUSTIN-HEALEY 100-4 BN2 1956 THE RON AND SARAH JURY GRAND NATIONAL COLLECTION LOTE 112 = VENDIDO POR 77.000 USD O INICIO DA AVENTURA A década de 50 proporcionou boas surpresas no universo da indústria automóvel britânica e uma delas foi a aparição da nova marca Austin-Healey em 1952, no Salão de Londres. Donald Healey era um personagem conhecido no mundo automóvel de então. Logo em 1946 tinha iniciado a produção em pequena série de automóveis desportivos, começando com o Westland e 0 Elliot. 0 Silverstone, pensado mais estritamente para a competição teve grande sucesso desportivo. E a associação com a marca americana Nash, que forneceria motores para um novo modelo, destinado ao mercado americano deu-Ihe um elevado crédito no seio da indústria automóvel. A sua ideia, depois dessas experiências bem-sucedidas, era 0 de fornecer ao mercado um modelo com o mesmo grau de desempenho, mas mais acessível, posicionado entre o MG TD e 0 Jaguar XK120.com esta ideia pré-definida, contratou com a Austin 0 fornecimento do seu motor de 4 cilindros com 2660 cm8, capaz de desenvolver 90 CV, desenhando um “roadster” denominado 100 que foi evoluindo e ganhando popularidade crescente nos anos seguintes. Quando Donald Healey apresentou o seu protótipo Hundred de dois lugares no Salão de Londres de 1952, a reação foi entusiástica. Healey e Leonard Lord, responsável pela Austin, celebrariam um acordo para construir 0 novo modelo na fábrica de Longbridge, em Austin, usando carrocerias fornecidas pela Jensen Motors. 0 modelo foi imediatamente batizado como Austin-Healey 100. A primeira geração foi designada por BN1, e em 1955 nasceria 0 BN2. Tinha 0 mesmo motor, mas as alterações na transmissão, na suspensão dianteira e nos travões deram-Ihe um melhor comportamento dinâmico que foi rapidamente aprovado pelo mercado. AUSTIN-HEALEY 3000 MK l BN7 1960 HERSHEY, 2025 PROPOSTA: 70 A 80.000 USD A ILUSÃO DOS CILINDROS Em 1956 , ao que consta, à revelia do próprio Donald Healey Leonard Lord decidiu avançar com uma versão teoricamente mais interessante sob 0 ponto de vista mecânico do Austin-Healey, com a introdução do motor de seis cilindros do Austin A90, com 2.639 cme, que oferecia praticamente a mesma cilindrada e a mesma potência do motor de quatro cilindros. A ilusão quanto à montagem de um motor com mais cilindros podia residir na sua melhor elasticidade mas a verdade é que o binário valia praticamente o mesmo em ambos os propulsores, cerca de 200 Nm, obtido a um regime mais baixo no motor de quatro cilindros. E como o motor de seis cilindros era mais pesado e mais comprido, várias alterações tiveram de ser feitas na suspensão dianteira, 0 que se traduziu por um “road handling” pior. 0 resultado ficou claro desde o início: 0 pior desempenho dos motores iniciais de seis cilindros deu a estas versões uma performance comercial francamente abaixo do que tinha sido estimado, obrigando Donald Healey a fazer repetidos testes a nível de carburação para melhorar os valores de “output” do propulsor. A versão BN6, lançada um ano depois, já disponibilizava 117 cv e 0 primeiro 3000 Mk |, de 1959, tinha uma potência máxima estimada de 124 cv, com uma cilindrada aumentada para 2.912 cm3. Uma característica importante neste modelo era a adoção de discos de travão nas rodas dianteiras bem como uma versão com uma maior distância entre eixos que permitia acomodar dois bancos de criança atrás dos bancos dianteiros e que se tornou um sucesso comercial. Dos cerca de 13.650 veículos do 3000 Mk | produzidos, quase 11.000 eram desta versão 2+2. AUSTIN-HEALEY SPRITE MKI 1959 AUBURN FALL 2019 11.000 USD LOTE 3013 = VENDIDO POR DIVERTIDO E ACESSÍVEL 0 Sprite da Austin-Healey, lançado em 1958, representou a entrada da Austin-Healey no segmento inferior da gama “roadster”. A ideia não era fabricar um automóvel desportivo, “ready to race”, mas sim um automóvel acessível tanto em preço como nas exigências da condução, que fosse fácil de produzir, e que desse a ideia ao seu condutor de um veículo ágil e divertido. Donald Healey pensou que a maneira de fazer um automóvel barato tinha de residir em dois argumentos tecnológicos: a adoção de uma carroçaria monobloco, para produzir em larga escala, e a escolha dos órgãos mecânicos disponíveis a partir de modelos da BMC, para não haver custos adicionais a pensar, projetar, testar e produzir outros componentes similares. 0 motor OHV de 948 cm3, com 43 cv, era o mesmo dos modelos Austin A35 e Morris Minor 1000, também eles produtos populares da British Motors Corporation, mas otimizado com a adoção de dois carburadores SU de 1 1/8 polegadas. A direção de pinhão e cremalheira vinha também do Morris Minor 1000 enquanto a suspensão dianteira era igual à do Austin A35, com molas helicoidais e braços triangulares. 0 eixo traseiro, rígido, era guiado por molas de lâminas semielípticas e por amortecedores. A generalidade dos outros componentes era retirado da linha de montagem de outros modelos, e no final 0 Sprite ficou mesmo barato, permitindo retirar boas margens comerciais de toda a operação. Em Portugal, no ano de 1958, um Sprite custava praticamente 59 contos, 0 mesmo que 0 Fiat 600 Coupé Viotti. NASH-HEALEY ROADSTER PININFARINA 1953 THE GENE PONDER COLLECTION, 2022 LOTE 3166, VENDIDO POR 93.500 USD O PRIMEIRO AMERICANO DESPORTIVO Num encontro casual durante a travessia do Atlântico a bordo do Queen Elizabeth, o engenheiro britânico Donald Healey e o presidente da Nash-Kelvinator, George Mason, discutiram a possibilidade de colaborar no desenvolvimento de um carro desportivo, 0 que seria uma novidade no contexto da indústria automóvel americana. A dupla chegou a um acordo e, em breve, lotes de motores Nash Ambassador de seis cilindros em linha, com 3,8 litros de capacidade, acoplados a caixas manuais de três velocidades com “overdrive", cruzavam 0 oceano Atlântico em direção a Warwickshire, em Inglaterra, à pequena fábrica de Donald Healey. Ai, o conjunto produzido nos Estados Unidos era montado num chassis de um Healey Silverstone sendo tudo “envelopado” com uma carroceria Panelcraft desenhada por Healey. A produção começou em dezembro de 1950 e nesse ano produziram-se 104 unidades desse modelo. Porém, um novo passo no “upgrade” do produto seria dado com a formalização de um contrato da Pininfarina para 0 desenho e produção de uma nova carroçaria, desta feita construída em aço e não em alumínio, que iria consubstanciar a segunda geração do Nash-Healey. 0 preço do carro subiu de pouco mais de 4.000 dólares para 5.858, 0 que 0 tornava um dos veículos mais caros do mercado. 0 enorme preço que não cobria os custos de produção , e o aparecimento no mercado de veículos com melhor comportamento dinâmico como 0 Jaguar XK 120, acabou por ditar o fim da produção deste modelo no verão de 1954, que marcou 0 seu espaço na história da indústria automóvel americana. A produção total do Nash-Healey representou um total de 506 unidades. AUSTIN-HEALEY SPRITE MK Il 1963 HERSHEY 2013 LOTE 106 , VENDIDO POR 27.500 USD PROLONGAMENTO POR CONTINUIDADE Em 1961, 0 Sprite recebeu uma grande atualização na sua estética, com uma carroçaria totalmente nova, mais clássica, mantendo no essencial toda a base mecânica da anterior geração. Algumas alterações tanto na distribuição como na alimentação , neste caso, com a introdução de carburadores maiores permitiram algum ganho de potência neste novo modelo que se chamaria Sprite Mk II. Praticamente ao mesmo tempo, a MG decidiu, no âmbito da estratégia da BMC, usar este novo Sprite como base de um novo modelo, que recebeu a designação comercial de Midget. Em 1963, a gama Sprite Mk Il receberia um novo motor de 1.098 cm® que substituiria integralmente a anterior versão de 948 cm®. Este novo propulsor proporcionava mais 10 cv de potência, um ganho considerável num veículo de baixo peso. A introdução deste novo motor determinou uma alteração considerável na caixa de velocidades, que passou a receber sincronizadores do tipo Porsche, bem como uns robustos discos de travão nas rodas dianteiras. Como curiosidade, refira-se que a Innocenti, com quem a BMC tinha um acordo industrial muito vasto, também comercializou a sua própria versão do Sprite, com uma carroçaria original desenhada por Tom Tjaarda e executada na Ghia, que se produziu entre 1961 e 1968. A comercialização paralela do MG Midget deverá ter prejudicado a carreira comercial do Sprite pois a versão de Abingdon acabou por se tornar mais popular do que 0 modelo original. No total 0 Sprite Mk Il teria uma produção de 31.665 unidades. 1956 AUSTIN-HEALEY 100-4 BN2 Depois da apresentação em 1952, o Austin-Healey Só conheceu as primeiras evoluções em 1954, com 0 100 S. Um ano depois surgiria 0 100 BN2, uma versão tecnicamente revista do BN1, com melhor suspensão, melhor transmissão e melhor travagem que rapidamente se popularizou no mercado. 1960 AUSTIN-HEALEY 3000 MKI BN7 Lançado em 1959, 0 Austin-Healey retomava a ideia do motor de seis cilindros do 100/6 BN4 utilizado no Austin A90 Westminster, com 2.639 cm, mas desta feita recorrendo ao motor do A99, com 2.912 cme, que desenvolvia 124 cv de potência. 1959 AUSTIN-HEALEY SPRITE MKI Depois do lançamento das versões de seis cilindros, Leonard Lord sugeriu a Donald Healey a realização de um automóvel mais pequeno e mais barato. 0 resultado foi 0 Austin-Healey Sprite, frequentemente chamado de "Bugeye" ou "Frogeye" devido à forma dos faróis. 1953 NASH-HEALEY ROADSTER PININFARINA Muito antes da Chevrolet e da Ford, a Nash foi a primeira marca americana a lançar um automóvel do segmento desportivo, utilizando um chassis inglês e, na sua segunda geração, também uma carroçaria italiana. 1963 AUSTIN-HEALEY SPRITE MK Il Em 1961, o "Frogeye” seria substituído por um “roadster” convencional, que manteria no início a mesma base mecânica e também a mesma designação comercial Sprite , mas que seria comercializado em paralelo sob a marca MG. As diferenças estéticas entre o BN1 e o BN2 SàO minimas, mas a evolução mecânica é muito evidente, dando ao Austin-Healey um comportamento dinâmico significativamente diferente, para melhor. 0 BN2 representou aproximadamente um terço das vendas do modelo 0 Austin Healey 3000 Mk | revelou-se um sucesso comercial, graças ao entusiástico acolhimento verificado no mercado norte-americano para onde foi direcionada praticamente toda a produção. 0 motor, muito mais elástico nesta versão de 3,0 litros, e a travagem, melhorada com os discos dianteiros, foram outros elementos que concorreram para 0 bom nível de vendas Para ser barato, 0 Frogeye foi concebido para ser produzido em larga escala. E nessa perspetiva, a carroçaria tinha de ser monobloco, o que foi conseguido à custa da produção de uns sub-chassis que ajudavam a suportar toda a estrutura unitária. No total foram produzidas 48.987 unidades, 0 que demonstra não só o sucesso do conceito, como também a facilidade de produção subjacente Com uma linha muito atraente, da responsabilidade da Pininfarina, 0 Nash-Healey de segunda geração tinha tudo para dar certo no contexto dos automóveis desportivos americanos, exceto 0 preço. Quando 0 Chevrolet Corvette apareceu, em 1953, o valor de retalho, na ordem dos 3.000 dólares, era metade do que era proposto pelo Nash-Healey O Austin-Healey Sprite de segunda geração teve um nível de vendas mais baixo do que 0 Mk |, graças à concorrência inesperada, mas inevitável, do MG Midget, que era 0 mesmo automóvel, apenas com o símbolo octogonal a diferenciá-los JOSÉ BARROS RODRIGUES