TESLA DECLARA GUERRA AOS VOLANTES EM 2026
2026-01-12 22:09:11

Não é de esperar muitas novidades da Tesla para 2026, pelo menos com um volante. O foco estará mais nos táxis-robô e condução autónoma Tudo indica que 2026 não será um ano de grandes lançamentos para a Tesla, sobretudo no mercado europeu. Depois de um 2025 marcado por resultados de vendas negativos - foi ultrapassada globalmente pela BYD -, seria expectável uma reação centrada em novos modelos. Mas os planos da marca norte-americana seguem noutra direção. Sim, haverá algumas novidades, mas concentram-se em novas versões de modelos já em comercialização, com a maior a estar na chegada quase certa do Model Y L ao mercado europeu, a versão longa do popular SUV elétrico. Em 2026, por isso, o protagonista será outro: não o automóvel em si, mas sim a condução autónoma e o automóvel como serviço. O volante, esse, começa a parecer um detalhe dispensável. © Tesla Depois de se ter livrado dos botões, a Tesla quer também livrar-se do volante. Cybercab explica quase tudo O Tesla Cybercab é um dos elementos-chave desta estratégia. Um táxi-robô concebido de raiz para operar sem volante e sem pedais, pensado mais para clientes empresariais do que clientes particulares. A Razão Automóvel já esteve com o Cybercab ao vivo e esse contacto direto ajuda a perceber que este não é apenas um concept futurista. O interior minimalista, a ausência total de comandos físicos e a lógica construtiva apontam para um veículo desenhado para uso intensivo, custos controlados e produção em escala. A Tesla já iniciou testes com frotas de Model Y em cidades como Austin, nos EUA, em antecipação da chegada do Cybercab, funcionando como plataforma de recolha de dados reais em ambiente urbano. Elon Musk, que lidera a marca, avançou que o Cybercab começará a ser produzido tão cedo como abril de 2026. Em paralelo, a Tesla continua a trabalhar na chegada do Full Self-Driving (FSD) à Europa - condução autónoma. Depois de ter realizado demonstrações públicas no continente, o sistema poderá obter aprovação regulatória já em fevereiro de 2026, pela autoridade neerlandesa RDW. Menos novidades, mais gestão de gama No plano dos modelos tradicionais e que ainda têm um volante, 2026 será, sobretudo, um ano de gestão e consolidação. As novidades mais relevantes para a Europa passam pelas versões mais acessíveis (Standard) dos Model 3 e Model Y, ambas já disponíveis para encomenda. Os preços arrancam nos 36 990 euros para o Model 3 e nos 39 990 euros para o Model Y, mantendo-se na gama as versões Premium e Performance. Na Europa, o Tesla Model Y, produzido na fábrica de Berlim-Brandenburgo, é ainda o modelo mais relevante da marca em termos de volume. É precisamente a partir deste modelo que surge a principal novidade da Tesla de 2026 para a Europa: o Model Y L, versão longa do SUV elétrico, com até sete lugares. Promete dar aos ocupantes da terceira fila o espaço que faltou à versão curta . E poderá tornar o papel do maior e mais caro Model X ainda mais diminuto do que já é hoje. O Model Y L que, inicialmente, deveria ser apenas para o mercado chinês, ao que consta, já tem certificação europeia, pelo que o seu lançamento poderá estar mais perto que longe. Será ou não mentira? Em 2017, a Tesla revelou no mesmo palco dois projetos ambiciosos: o Tesla Semi e o Tesla Roadster. O tempo acabou por tratá-los de forma muito diferente. No caso do Semi, o camião, 2026 marca finalmente a entrada numa fase de produção mais consistente, depois de vários anos de projetos-piloto com operadores como a PepsiCo e a DHL. Estes testes permitiram validar autonomia, custos operacionais e viabilidade económica, abrindo caminho à escala industrial. Já passou tanto tempo que a Tesla mostrou em novembro passado uma versão revista do Semi para 2026: Traduzindo para o sistema métrica, o Semi 2026 promete cerca de 800 km de autonomia, 800 kW (1088 cv) de potência, consumos de 1,06 kWh/km - o equivalente energético a 11,9 l/100 km, quase três vezes menos que um típico camião Diesel - e carregamentos até 1,2 MW (1200 kW). Talvez mais relevante ainda, é que o Semi poderá chegar à Europa ainda este ano, algo que não estava inicialmente previsto. Já o Roadster continua preso ao estatuto de promessa. Inicialmente anunciado para 2020, foi sendo sucessivamente adiado: 2021, 2022, 2024, 2025 E agora volta a surgir prometido para uma apresentação no próximo dia 1 de abril - uma data impossível de ignorar. Estará a Tesla a antecipar o Dia das Mentiras, ou vai aproveitá-lo para fazer um brilharete mediático? Certo é que já passaram praticamente nove anos desde a revelação do Roadster e os números impressionantes que prometia não são tão impressionantes hoje: já há hipercarros elétricos à venda que os atingiram e superaram, como o croata Rimac Nevera ou o chinês Yangwang U9. A exceção são os 1000 km de autonomia prometidos pela Tesla. A grande incógnita agora é saber se a Tesla irá manter esses números ou se o Roadster será revelado com números revistos à luz da realidade atual do mercado. Isto é se for revelado. O ano de 2026 promete ser um dos mais determinantes para o futuro rumo da Tesla: não como típico construtor de automóveis, mas como aquele que vai retirar o volante da equação, reformulando também o modelo de negócio. André Mendes