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VÊM AÍ OS RESULTADOS TRIMESTRAIS E A FASQUIA ESTÁ MAIS ALTA

Negócios Online

2026-01-12 22:09:10

A época de apresentação de resultados do quarto trimestre arranca esta terça-feira e estende-se até março. Conheça o calendário em detalhe, as estimativas dos analistas e o que é necessário para que as ações mantenham a tendência positiva. Se 2025 foi dominado pelas políticas de Donald Trump, o arranque de 2026 está a ser marcado por uma agitação ainda superior provocada pelas decisões do presidente dos Estados Unidos. O ataque surpreendente na Venezuela, a pressão crescente sobre a Gronelândia e o choque com a decisão de avançar com um processo-crime contra o presidente da Fed estão a gerar turbulência nos mercados. Contudo, apesar dos ventos contrários que vêm da Casa Branca, os mercados acionistas estão a registar um arranque de ano favorável, tal como se verificou em 2025. Um renovado entusiasmo com a Inteligência Artificial mitigou os receios de bolha e os indicadores económicos continuam a manter à margem o fantasma da recessão nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que deixam intactas as perspetivas de alívio da política monetária da Reserva Federal (Fed). Para lá da geopolítica e da política monetária, os investidores vão contar agora com um novo tema que tem sido um dos principais catalisadores das valorizações substanciais que os mercados acionistas registaram nos últimos três anos. A apresentação de resultados do quarto trimestre arranca já esta terça-feira, numa época que vai ser longa (ver listagem em baixo) e pode servir de incentivo para os investidores se focarem nos fundamentais das empresas. As últimas “earnings seasons” foram determinantes para o rally das ações globais, com as cotadas a conseguirem lidar com o impacto das tarifas de Trump, crescimento mais lento da economia e manutenção das taxas de juro em níveis elevados nos Estados Unidos. Os lucros têm superado as previsões de uma forma generalizada, reforçando a atratividade das ações e contribuindo para travar a escalada dos múltiplos de avaliação. Mais do que superar as previsões, para que se mantenha o otimismo nas bolsas, é essencial que as empresas avancem com previsões animadoras para os resultados de 2026. Uma tarefa mais complicada, uma vez que a fasquia está cada vez mais elevada e as previsões dos analistas já sugerem um crescimento muito robusto dos lucros este ano. Cotadas do S&P500 devem continuar nos dois dígitos As estimativas dos analistas, compiladas pela LSEG, apontam para que os lucros das cotadas do índice norte-americano S&P500 subam 8,4% no quarto trimestre de 2025. A previsão para o terceiro trimestre também era de um dígito alto, mas os lucros aumentaram 14,9% entre julho e setembro, no quarto trimestre consecutivo de aumentos de dois dígitos. As estimativas atuais apontam para que os lucros registem aumentos superiores a 10% em todos os trimestres de 2026 e 2027, pelo que as cotadas norte-americanas podem estar a caminho de uma impressionante série de três anos sempre com subidas de dois dígitos nos lucros trimestrais. Depois de um crescimento sólido de 13% que é esperado para 2025, as previsões dos analistas indicam uma subida de 15% nos lucros das cotadas do S&P500 em 2026. A confirmar-se esta evolução, será o terceiro ano seguido de subidas de dois dígitos nos lucros das empresas norte-americanas, o que só sucedeu por duas vezes nos últimos 35 anos. Aconteceu em 1993-1995 e em 2003-2005, sendo que nestas ocasiões o S&P500 valorizou mais de 10% no terceiro ano. Cotadas europeias aceleram em 2026 As perspetivas para as cotadas europeias são mais contidas, mas também sugerem uma evolução favorável. O consenso, igualmente de acordo com a LSEG, aponta para uma descida de 3,9% nos lucros das cotadas do índice Stoxx600 no quarto trimestre, o que representa a evolução mais fraca desde o último trimestre de 2023 (-6,5%). Contudo, se as cotadas europeias repetirem a tendência dos últimos trimestres, a variação dos lucros no quarto trimestre ainda pode ser positiva. No final de setembro, as previsões dos analistas indicavam uma queda de 0,5% nos lucros do terceiro trimestre, mas os resultados líquidos acabaram por aumentar 7,3%. Para 2026 os analistas contam com uma evolução positiva, com uma aceleração das taxas de crescimento trimestre após trimestre, terminando o ano perto dos 10%. Vários analistas também estimam uma subida de lucros próxima dos dois dígitos no agregado do ano, com os resultados das cotadas do Stoxx600 a serem sustentados pela evolução mais forte da economia europeia e estímulos orçamentais da Alemanha e outros países da Zona Euro. Ventos favoráveis na banca Como habitual, é a banca norte-americana que domina o arranque da época de apresentação de resultados. Os números do JPMorgan vão ser publicados já esta terça-feira e as contas do Bank of America, Wells Fargo, Citigroup, Goldman Sachs e Morgan Stanley nos dois dias seguintes. As cotadas do setor têm habituado o mercado a apresentar resultados muito acima do esperado, sendo que as previsões atuais apontam para um aumento de 6,8% nos lucros do quarto trimestre das 76 cotadas financeiras do S&P500 (representam 13,5% do índice, o segundo setor mais relevante do índice). Embora a taxa de crescimento represente uma travagem forte face aos dois trimestres anteriores, as perspetivas são favoráveis, com a resiliência da economia e o aumento das fusões & aquisições a manterem os ventos favoráveis para a banca norte-americana. Os analistas estimam o regresso ao crescimento dos dois dígitos nos lucros já no primeiro trimestre. Na banca europeia a apresentação de resultados só fica intensa mais no início do próximo mês. Os lucros terão aumentado 3,4% no quarto trimestre, um dos poucos setores com variação positiva. No agregado de 2025 os lucros terão aumentado 8,1% para 253,2 mil milhões de euros, o que representa mais de um terço do total das cotadas do Stoxx600. Um peso que ajuda a explicar porque o setor da banca foi o que mais brilhou nas bolsas europeias no ano passado. Tecnológicas continuam com força Ainda antes dos resultados dos bancos europeus, as atenções vão estar centradas nas contas das grandes tecnológicas norte-americanas. Destaque para a última semana de janeiro, com os resultados da Microsoft, Tesla, IBM, Apple, Amazon.com, sendo que os números da Alphabet e Meta Platforms serão publicados na semana seguinte e as contas da Nvidia só no final do próximo mês. Embora as cotações das empresas do setor tenham perdido algum fulgor nos últimos tempos devido às elevadas avaliações, os resultados das empresas que representam mais de um terço do S&P500 deverão continuar muito fortes. As estimativas indicam um aumento de 26,5% nos lucros do quarto trimestre, com as taxas de crescimento a acelerarem para valores na casa dos 30% nos quatro trimestres de 2026. As tecnológicas vão assim continuar a ser o principal motor do crescimento dos lucros das empresas norte-americanas, sendo essencial que continuem a surpreender pela positiva e com estimativas otimistas para 2026, por forma a que permaneça intacta a perspetiva de que este vai ser o quarto ano seguido de ganhos nas bolsas globais. Calendário longo e preenchido A época de apresentação de resultados do quarto trimestre é a mais longa do ano devido ao fecho do exercício. Arranca agora e perdura até março, sendo que quase todos os dias haverá contas relevantes para analisar. Em baixo o calendário com os principais apresentações de resultados até ao final de fevereiro. A maior parte das empresas portuguesas só publica os números no mês seguinte. 13 DE JANEIRO: JPMorgan, Bank of New York, Delta Air Lines, Jerónimo Martins       14 DE JANEIRO: Bank of America, Wells Fargo, Citigroup, Infosys 15 DE JANEIRO: Goldman Sachs, Morgan Stanley, BlackRock, TSMC 16 DE JANEIRO: PNC Financial, State Street, M&T Bank 19 DE JANEIRO: BHP 20 DE JANEIRO: Netflix, Rio Tinto, 3M, Porsche, United Airlines 21 DE JANEIRO: Johnson & Johnson 22 DE JANEIRO: LVMH, GE Aerospace, Procter & Gamble, Intel, Alcoa, American Airlines, Ericsson, Visa, SK Hynix 26 DE JANEIRO: Ryanair Holdings, Nucor 27 DE JANEIRO: UnitedHealth, Texas Instruments, Boeing, General Motors 28 DE JANEIRO: Microsoft, Tesla, ASML, IBM, AT&T. 29 DE JANEIRO: Apple, Amazon.com, SAP, Samsung Electronics, Roche, Caterpillar, ABB, Sanofi, Deutsche Bank 30 DE JANEIRO: Exxon Mobil, Chevron, American Express, Verizon, CaixaBank, AON, 3 DE FEVEREIRO: AMD, Merck, PepsiCo, Amgen, Pfizer, Starbucks, Nintendo, 4 DE FEVEREIRO: Alphabet, Meta Platforms, Qualcomm, Santander, Novo Nordisk, Mastercard, Novartis, McDonald s 5 DE FEVEREIRO: Unilever, BNP Paribas, Shell, Sony, BBVA, 6 DE FEVEREIRO: Toyota, Honda, Société Générale 9 DE FEVEREIRO: SoftBank 10 DE FEVEREIRO: Spotify, Robinhood, BP 11 DE FEVEREIRO: Eli Lilly, T-Mobile, Uber, Walt Disney, TotalEnergies, Siemens Energy, Mitsubishi 12 DE FEVEREIRO: Siemens, Hermès, L Oréal, Schneider Electric, Applied Materials 13 DE FEVEREIRO: Natwest, EDF 17 DE FEVEREIRO: Coca-Cola, Airbnb 18 DE FEVEREIRO: Palantir, Cisco Systems, Shopify, Roblox, BAE Systems 19 DE FEVEREIRO: Nestlé, Walmart, Alibaba, Airbus, Rio Tinto, AXA, Corticeira Amorim 20 DE FEVEREIRO: Air Liquide, Danone, Warner Bros., Anglo American 23 DE FEVEREIRO: Berkshire Hathaway 24 DE FEVEREIRO: Home Depot, Endesa, Standard Chartered 25 DE FEVEREIRO: Nvidia, HSBC, Iberdrola, BCP, EDP Renováveis 26 DE FEVEREIRO: Broadcom, Allianz, Deutsche Telekom, AB InBev, Rolls-Royce, Dell, Munich Re, EDP 27 DE FEVEREIRO: Swiss Re, Holcim, BASF Algumas destas datas são indicativas e ainda podem ser alteradas gráfico com Valor Efeito janeiro O primeiro mês do ano é habitualmente muito favorável para os mercados acionistas, sendo que o aumento substancial das subscrições de fundos é um dos fatores que ajuda a explicar o fenómeno que é conhecido nos mercados por “efeito janeiro”. De acordo com dados da Citadel, que remontam a 1985, a média das subscrições de fundos de investimentos em ações, em janeiro, equivale a 2,4% dos ativos sob gestão, o que representa o melhor mês do ano. Esta tendência ganha ainda mais relevo em 2026, pois o montante colocado em produtos equiparados a “cash” está atualmente em níveis recorde. São 7,6 biliões de dólares e parte deste dinheiro deve ser aplicado em ações. Um fluxo que pode reforçar a tendência favorável de janeiro nas bolsas norte-americanas. O S&P500 valorizou em 62% dos meses de janeiro, com um retorno médio superior a 1%. No Nasdaq o histórico é ainda mais favorável, com uma valorização média de 2,5% e uma taxa de subidas de 70%. DE SEGUNDA A SEXTA 13 Inflação nos EUA Os dados da inflação que vão ser publicados esta terça-feira nos Estados Unidos vão dar visibilidade sobre as próximas decisões de política monetária da Fed. Os economistas antecipam uma estabilização em 2,7%. 14 Decisão do Supremo sobre tarifas? Era expetável que o Tribunal dos EUA anunciasse na passada sexta-feira a sua decisão sobre a legitimidade de Donald Trump impor tarifas ao abrigo de uma lei de emergência. A próxima oportunidade é esta quarta-feira. 15 PIB da Alemanha O instituto de estatística da Alemanha publica esta quinta-feira a evolução do PIB da maior economia europeia em 2025. Apesar da melhoria para 0,2% (-0,2% em 2024), a economia alemã terá continuado praticamente estagnada. Jornalista desde 1999, iniciei a carreira no Negócios, onde durante mais de 20 anos exerci várias funções, sempre com atenção especial aos mercados financeiros. Assino a Newsletter Morning Call, que é distribuída diariamente junto dos assinantes do Negócios. A Newsletter Valor Acrescentado tem como propósito preparar o leitor para a semana nos mercados, com o foco nas tendências dominantes e análise aos eventos que têm o maior potencial para mexer com os preços dos ativos cotados. Deixe-nos o seu feedback e sugestões no email: valoracrescentado@negocios.pt Nuno Carregueiro - Jornalista nc@negocios.pt 16:02 Seguir Seguir autor: Nuno Carregueiro Irá começar a seguir os autores e receber alertas no seu email. Gerir o que já está a seguir Receba um alerta no seu email de registo, a cada novo artigo publicado. Fique atento ao seu email de registo. Deixou de seguir Nuno Carregueiro