CORRIDA AO LÍTIO NACIONAL ACELERA E FAZ ENGORDAR INVESTIMENTOS
2023-09-20 11:46:05

Com cada tonelada de lítio paga a peso de ouro, há cada vez mais apetite mundial pelas reservas portuguesas. Para garantir a exploração de 28 megatoneladas de concentrado de lítio em Boticas, a Savannah mais do que duplicou o seu investimento inicial, para 260 milhões. barbarasilva@inegocio5.pt Acorrida ao lítio em Portugal está cada vez mais renhida. O potencial é grande e o Governo já recebeu intenções de investimento em toda a cadeia de valor na ordem dos 9.000 milhões de euros. Nos próximos meses, o Executivo lançará um concurso internacional para permitir que mais empresas avaliem a extraçào de lítio em seis novas áreas. Parajáaia "poleposition"para começar a extrair do solo esta matéria-prima crítica - crucial para a produção debaterias elétricas - estão duas empresas. Uma é portuguesa e a outra britânica-a Lusorecursos, com a mina do Romano, em Montalegre, e a Savannah Resources, com a mina do Barroso, em Boticas, respetivamente. Ambas estão de olho no "ouro branco" e dispostas a investir em força. Com um orçamento inicial de 110 milhões de euros para a fase inicial do projeto (40 milhões já gastos entre 2017 e 2022), a Savannah mais do que duplicou entretanto este valor e fala agora num investiment o superior a 260 milliõessóparaasinfraestruturas e construção da mina a céu abert a A decisão final de investimento será tomada em2025. De acordo com a empresa, esta aposta poderá ser "reembolsada" em apenas um ano e meio, tendo em conta receitas totais esperadas de 3,9 mil milhões de euros (a uma média de quase300milhões por ano) e um "cash flow" de 1,6 mil milhões durante os 14 anos de vida do projeto. Em "royalties" e impostos serão gastos mais de 860 milhões. Por seu lado, a Lusorecursos, pres-ê um investimento inicial de650milhões de euros, a que se somam custos operacionais de cerca de 200 milhões por ano. Quanto a receitas, pode chegar a 500milhões de euros por ano. Confirmando o enorme "apetite" pelos milhões do lítio, há um terceiro "player" a rondar trata-se dahiso-ameriainaAethelMining, do empresário Ricardo Santos Silva, que na semana passada esteve em Boticas para manifestar o seu interesse em comprar o projeto da mina do Barroso, da Savannah, como confirmou ao Negócios o presidente da câmara Fernando Queiroga Questionada anteriormente sobre o negócio, só depois de tornados públicos estes desen ZONAS DE EXPLORAÇAO E PROSPEÇAO Os dois projetos com luz verde ambiental ficam em Boticas e Montalegre, no distrito de Vila Real. Já as seis novas áreas que entrarão no concurso do Governo (a cinzento escuro) espalham-se pelo norte e centro do pais. vohimentos a Savannah veio dizer que "não se encontra atuahnente num processo de venda doprojeto de lítio do Barroso, nem da empresa". Ao Negócios, a empresa mineira disse estar em curso o "processo de seleção" para identifiearuma lista restrita de potenciais parceiros estratégicos, quepossam "ajudar a financiar as despesas do projeto". A empresa fala de "conversas com uma grande variedade de grupos" económicos e promete novidades para o fiual de 2023. Já com uma Declaração de Impacto Ambiental favorárél condicionada por parte da Agência Portuguesa do Ambiente, desde maio, e agora com um novo CEO no leme - o português Emanuel Proença, vindo da Prio -, a Savannah está numa "nova fase" do licenciamento ambiental que espera que esteja concluído no segundo semestre de 2024, disse fonte da empresa ao Negócios. "O objetivo é iniciar em 2026a produção de cerca de 200 mil quilotoneladas de concentrado de espodumena por ano, contendo li tio suficiente para meio miHiào debaterias de veículos elétricos", acrescentou. No total a Savannah espera produzir 1,5 milhões de toneladas de lítio em Boticas. Numa apresentação recente, a empresa garante que já reuniu o interesse de refinadores, fabricantes debateria entre outros. "O projeto de lítio do Barroso pode fornecer mais de 5% da procura de lítio estimada para 2030na UE", frisou fonte oficiaL Também com luz verde da APA dada este mês, o projeto da Lusorecursos em Montalegre inclui a primeira refinaria de lítio em Portugal e a segunda na Europa). As obras terão início em 2025 e vão durar dois anos, estando a entrada em exploração prevista para 2027. Ao Negócios, o CEO da Lusorecursos, Ricardo Pinheiro garantiu que todo o lítio que será produzido já tem comprador. A empresa prevê retirar da mina subterrânea 1,5 milhões de toneladas de minério por ano que. depois de refinado, dará origem a 18 mil toneladas de hidróxido de lítio A empresa já tem na callia "três potenciais clientes europeus", com os quais está a negociar. "Independentemente dos clientes, já temos o lítio todo vendido à partida", diz o CEO. E remata; "O preço do lítio nos mercados mundiais é o que justifica a implementação deste projeto". Governo já conla com intenções de investimento D de 9.000 milhões de euros De acordo com fonte oficial do ministério do Ambiente e Ação Climática, o país já tem um "pipeline" de investimentos na exploração, refinação e produção de baterias de lítio. Portugal tem as maiores reservas de lítio da Europa já identificadas, o que até ao momento valeu ao país manifestações de intenção de investimento na cadeia de valor deste minério na ordem de9.000milhões de euros, afirmou ao Negócios fonte oficial do ministério do Ambiente e Ação Climática "O país terá um papel importante no desenvolvimento da cadeia de valordolítioejátem um "pipeline" de investimentos, desde a exploração, refinação, produção de baterias e I&D. Neste momento. as intenções de investimento ascendem a 9.000 milhões de euros, com a criação de8.000empregos direto6", diz a mesma fonte. E preciso recuar cinco anos, até 2018, para lembrar a estratégia original do Governo para o lítio, aprovada em Conselho de Ministros com vista a promover a "aposta na fase inicial da fileira", através do "incentivo à revelação dos depósitos minerais como ponto de partida e a instalação de duas unidades tecnológicas". Depois disso, o Governo determinou uma Avaliação Ambiental Estratégica de oito potenciais áreas para integrar o concurso para atribuição de novos direitos de prospeção e pesquisa de lítio. No final, foram aprovadas apenas seis áreas, com uma dimensão total de 1500km2. que se localizam no Norte e Centro de Portugal O processo avançou e, neste momento, estão a ser concluídas as peças procedimentais para que se dê início ao concurso, que será lançado nos próximos meses, diz fonte do MAAC. Na visão do Governo, a abertura deste concurso permitirá alargar a base de extração e será essencial para a dinamização da fileira a longo prazo. Atualmente, existem apenas dois contratos de prospeção e pesquisa de lítio em vigor. Depois de terminado o concurso e cumpridas os contratos de prospeção(comuma duração máxima de cinco anos), cada projeto terá de ser ainda sujeito a uma Avaliação de Impacto .Ambiental Se a decisão da Agência Portuguesa do Ambiente for favorável uma nova exploração de lítio poderá ser então iniciada Apresentado em março de 2023 por Bruxelas, o Criticai Raw Materials Act prevê metas concretas: extração na UE de 10% do consumo interno anual de matérias-primas criticas (entre elas o lítio); e processamento de 40% e reciclagem de 15% das baterias. "Estes objetivos estão alinhados com a estratégia nacional e constituem uma oportunidade relevante para o nosso país. Já foram emitidas Declarações de Impacto Ambiental positivas para oprojeto mineiro do Barroso, a 31 de maio, epara oprojeto do Romano, a 7 de setembro", reforça fonte do MAAC. .Além das minas. Portugal tem a ambição de ter, pelo menos, duas refinarias de lítio no país. uma em Montalegre (da Lusorecursos) e outra em Setúbal (da Galp e Northvolt). "As minas do Barroso e do Romano reforçam a resiliência de Portugal e da UE, no contexto da estratégia de autonomia de matérias-primas criticas. O lítio extraído em Portugal será made in Europe, o que constitui uma vantagem competitiva para o desenvolvimento da cadeia de valor, com base na extração em território nacional. Portugal ambiciona desenvolver toda a fileira desde a revelação dos depósitos minerais até à extração, refinação e reciclagem das baterias. Para isso é importante estabelecer acordos de cooperação com os grandes países produtores de lítio a nível mundial", remata o MAAC. Refinaria da Galp e Northvolt terá decisão de investimento em 2024 De acordo com as duas empresas, a "expectativa é de que uma decisão de investimento positiva venha a ser tomada" durante o próximo ano, para ver nascer em Setúbal uma refinaria de lítio capaz de equipar com baterias 700 mil veículos elétricos anualmente. BÁRBARA SILVA barbarasilva@negocios.pt 2024.com início marcado para daqui a pouco mais de três meses, este é o ano traçado pela petrolífera portuguesa Galp e pela fabricante sueca debaterias elétricas Xorthvolt para a decisão final de investimento sobre a refinaria que planeiam construir em Setúbal para produzir anualmente até 35 mil toneladas de hidróxido de lítio. O suficiente para equipar 700mil veículos elétricos por ano, ou fabricar 50 GWh de baterias. O projeto requer um investimento inicial estimado de700milhões de euros e poderá cxiar L500empregos diretos e indiretos. No final de 2021, a Galp e a Northvolt anunciaram um acordo para a criação de uma "joint venture" para o lítio, de seu nome Aurora uma sociedade detida em partes iguais pelas duas empresas. "O projeto Aurora tem tido avanços expressivos na área de engenharia, licenciamento e planeamento logístico. A expectativa é a de que uma decisão de investimento positiva venha a ser tomada em2024". disseram fontes oficiais da Galp e Northvolt ao Negócios. No entanto, para que esse investimento seja uma realidade, "será necessário concluir o processo de licenciamento, a obtenção de financiamento, e assegurar a contratação do aprovisionamento de matéria-prima (concentrado de espodumena)", explicou a mesma fonte. A petrolífera continua focada na exploração de petróleo e gás, e na produção de combustíveis em Sines, mas não esconde o intereséé se cada vez maior pelas energias renováveis (acomeçarpelo hidrogénio verde) e novos negócios, onde se insere o lítia "A Galp continua atenta a oportunidades na cadeia de valor das baterias. Ao projeto Aurora junta-se o investimento de 4,7 milhões de euros na empresa norte-americana 6K, que produz componentes para bateria de iões de lítia E ainda os estudos conjuntos com a TES, de Singapura para reciclagemdebaterias na Península Ibérica", revela a mesma fonte. Apesar da presença global da empresa, para a Galp só faz sentido ter uma refinaria de lítio em Portugal "As reservas nacionais podem ser usadas para criar uma cadeia de valor debaterias nopaís, desenvolvendo um cluster industrial de valor acrescentado para a economia nacional", diz fonte da petrolífera sublinhando que "é muito importante que o lítio extraído nas minas portuguesas seja processado também no país, contribuindo para uma maior criação de riqueza". No entanto, tanto a Galp como a Northvolt já admitiram que o lítio português não é suficiente e a futura refinaria de Setúbal terá de começar a operar commatéria-prima importada de outros países, como a Austrália, o Canadá ou o Brasil Do lado da fabricante sueca de baterias, a intenção de investir em Portugal mantém-se inalterada garante fonte oficial "Queremos combinar o "know-how" industrial português com especialistas globais no processamento e refinação de lítia A possibilidade de comprar lítio no país, no futuro, será uma forma natural de reduzir a pegada carbónica das baterias que produzimos. Portugal tem potencial para desenvolver todas as fases da cadeia de valor". "A vontade de investir mantém-se inalterada", dizem chineses da CALB De acordo com a China Aviation Lithium Battery Technology (CALB), a escolha de Portugal para construir a sua maior fábrica de baterias de lítio na Europa "foi a localização e o bom relacionamento com a China". O que leva uma fabricante chinesa de baterias de lítio para automóveis elétricos escolheropaeífico litoral alentejano para investir na construção da sua maior fabrica em território europeu? A resposta é dada sem hesitação: a "principal motivação" para escolher Portugal, e mais especificamente Sines, para a instalação de uma unidade industrial de larga escala na Europa "foi a localização e obom relacionamento com a China", refere ao Negócios fonte oficial da China Aviation Lithium Batten,- Technology (CALB). Para estes investidores da segunda maior economia mundial - gigante asiático que controla 67% da refinação de lítio e domina a produção de componentes para baterias elétricas "o verdadeiro potencial de Portugal passa também pela cadeia de abastecimento local", pelo que "a vontade de investir no país continua totalmente inalterada" e a CALB continua "a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades governamentais portuguesas para garantir todas as condições necessárias". O projeto de construção de uma fabrica de baterias em Sines já está em processo de licenciamento ambiental. mas a Agência Portuguesa do Ambiente pediu um maior aprofundamento. Para a empresa, aquela que será a sua maior fabrica em toda a Europa "deverá começar como um cluster completo de baterias para, em conjunto com as empresas fornecedoras e com "stakeholders" em Portugal, responder às potenciais encomendas de clientes europeus", refere a mesma fonte. Quanto à unidade industrial projetadapara Sines, diz que será "altamente inteligente, informatizada e automatizada, com zero emissões de carbono", tratando--se de "um passo fundamental na estratégia da CALB para criarbases industriais na Europa". Numa primeira fase. a fabricapoderá representarperto de l%doPIB português ( com possibilidade de subirpara 4% quando entrarempleno funcionamento), uma vez que todas as suas vendas serão exportações para o mercado europeu Na sequência do memorando de entendimento, assinado entre a CALB, cotada na bolsa de Hong Kong, e o Estado português, a 3 de novembro de 2022, o objetivo é que a fábrica eomece a operar em2025 paraque,no ano seguinte, asbaterias possam estar a "sair de Sines para a Europa para acomodar a carteira de encomendas que [a empresa] já tem até ao final do primeiro trimestre de 2026". A construção do projeto será feita por fases e o valor de investimento não foi ainda revelada Mais recentemente, a empresa chinesa estabeleceu um contrato de reserva de direito de superfície na ordem de 90 hectares para instalação da fábrica em Sines e apresentou à Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal ( AI CEP) uma candidatura para obter a classificação do mega projeto de investimento como Potencial de Interesse Nacional [PIN]. Em2028, a CALB prevê ampliar as instalações de Sines, o que vai permitir "escalar de 15 para 45 GWh". Poderá ainda haver ainda uma terceira fase para duplicar a capacidade e igualar a fábrica da Tesla 11a Europa BÁRBARA SILVA Portugal é o 7o maior produtor de lítio, com 600 toneladas/ano Austrália Chile, China Argentina Brasil Zimbabué, Portugal e Canadá. Estes são os oito países do mundo que mais produzem lítio, sendo que os dois primeiros da lista, juntos, foram responsáveis por quase 77% da produção global em 2022 (100 mil toneladas). Já Portugal registou uma produção de 600 toneladas no ano passado, mostram os dados do United States Geological Survey. No que diz respeito a reservas já identificadas de lítio, lidera a Bolívia (21 milhões de toneladas), seguida da Argentina (20 milhões). Estados unidos (12 milhões), Chile (11 milhões), Austrália (7,9 milhões) e China (6,8 milhões). O gigante asiático é o terceiro maior produtor a nível mundial e o sexto ao nível das reservas, mas além de explorar e desenvolver as suas próprias minas em território nacional também tem como estratégia gastar o equivalente a cerca de 5,2 mil milhões de euros para comprar de lítio a outros grandes produtores internacionais, como o Chile, Canadá e Austrália Neste momento, a China tem cerca de 60% da capacidade de refinação de lítio no mundo.oque sublinha o seu domínio na cadeia de valor global das baterias elétricas. As estimativas apontampara um valor do mercado mundial de baterias de lítio na ordem dos 48,7 mil milhões em 2022, devendo chegar aos 181,7 mil milhões em2030. A medida que o mundo aumenta a produção de baterias e veículos elétricos, a procura por lítio dispara. Em 2021a produção mundial deste mineral chegou às540mil toneladas. Para 2025, é esperada uma procura de 1,5 milhões de toneladas, que duplicará para os três milhões em 2030. Nos mercados internacionais, a matéria-prima negociava esta terça-feira nos 182.500 yuans por tonelada (equivalente a 23,5 mil euros), no mercado de Xangai que serve de referenda global Este mês, os preçoe do mineral ficaram pela primeira vez abaixo da fasquia de 244 mil euros por tonelada o nível mais baixo registado desde abril de 2023, quando o preço atingiu mínimos de dois anos. Na origem desta queda estará um abrandamento na procura de veículos elétricos e os elevado6 "stocks" debateriasporfabricantes automóveis. Além disso, o abrandamento da economia chinesa também se traduziu num travão às vendas de elétricos, com 10 marcas do país a fazerem descontos no preço final dos carros. Este contexto resultou numa queda de preços das baterias de 10% em agosto BS Savannah vai duplicar investimento em Boticas para 260 milhões 1 Refinaria da Galp e Northvolt será decidida em 2024 | Chineses da CALB mantêm interesse em ter fábrica de lítio em Portugal PRIMEIRA LINHA 4 a7 As reservas de lítio portuguesas são as maiores da Europa e as sétimas maiores do mundo. Por ano são produzidas no país 600 toneladas. éé A mina do Barroso e a mina do Romano reforçam a resiliência de Portugal e da União Europeia, no contexto da estratégia de autonomia de matérias-primas críticas. Fonte oficial do Ministério do Ambiente e da Ação Climática 99 Fonte; Oireçao-Geral de Energia e Geologia. Agência Portuguesa do Ambiente "É muito importante que o lítio extraído nas minas portuguesas seja também processado no país" FONTE OFICIAL DA GALP Apesar de ainda estar focada na exploração de petróleo e gás e na produção de combustível, a Galp mostra apetite pelas energias renováveis. A futura fábrica de baterias elétricas de Sines faz parte da "estratégia da CALB para criar bases industriais na Europa" FONTE OFICIAL DA CALB 600 PORTUGAL Em 2022, o país produziu 600 toneladas de lítio, segundo o United States Geological Survey. 5,2 CHINA Apesar de ser o terceiro maior produtor, o país asiático compra 5,2 mil milhões de lítio a outros países. A CALB vê potencial na cadeia de abastecimento portuguesa.