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AUTOMÓVEIS - RENAULT CLIO REINOU NUM MERCADO EM CRESCIMENTO

Jornal de Notícias

2026-01-05 22:09:04

Renault Clio reinou num mercado que cresceu 7,3% Marcas de luxo venderam mais de 1600 automóveis. Tesla dominou nos elétricos, seguida da BYD e da BMW rpinto@jn.pt MERCADO o Renault Clio foi o automóvel mais vendido em Portugal õno ano passado, com 8242 unidade vendidas, mantendo uma liderança consistente tanto õno mercado de particulares como no canal das frotas. os snúmeros, ontem divulgados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), dão conta de 225 039 veículos ligeiros de passageiros matriculados, abrangendo automóveis a combustão, híbridos e elétricos, traduzindo-se num aumento de 7,3% em relação a 2024. Os dados da ACAP colocam, na segunda posição, o Peugeot 2008, de que se venderam 7463 exemplares, sendo de õnovo o SUV compacto mais vendido no mercado português. Em terceiro lugar, surge o Dacia Sandero, que havia sido o mais vendido em 2024. Mesmo assim, esta marca do Grupo Renault conseguiu, com 6670 unidades, entregar mais carros do que no período homólogo. FRANCESES EM GRANDE Seguem-se o Dacia Duster (5854) e o Citroên C3 (5428), uma presença constante entre os modelos mais vendidos em Portugal. Outros habituais entre os mais vendidos são o Peugeot 208 (4108 veículos) e O Renault Captur (4554). No oitavo lugar, surge o primeiro elétrico, o Tesla Model 3, de que foram comercializados 4372 exemplares (menos 1792 unidades que em 2024) O Peugeot 308 marca igualmente presença no top 10, com 4372 vendas, enquanto o Mer-cedes-Benz Classe A voltou a ser o modelo premium mais vendido em Portugal, com 3790 unidades, confirmando a procura pOr propostas compactas de marcas de prestígio. TOP DOS BLeTRICOS No segmento dos veículos 100% elétricos (BEV), o Tesla Model 3 foi, então, o modelo mais vendido em Portugal em 2025, liderando as matrículas entre os elétricos. Na segunda posição, surge o Tesla Model Y, que, com 3192 matrículas (mais 260 que õno ano anterior), se destacou como o SUV elétrico mais matriculado õno mercado. O Renault 5 E-Tech, que tem sido um sucesso de vendas na Europa e chegou a Portugal no segundo semestre de 2024, foi responsável pOr 1941 unidades. Entre os elétricos mais vendidos, segundo os dados da ACAP, figura, ainda, o Volvo EX30. Em volume de vendas, a chinesa BYD está õno segundo lugar dos BEV, com 493: 8 unidades (um crescimento de 73,3% em relação a 2024). LUXO EM ALTA No patamar superior do mercado, a Porsche voltou a liderar o segmento de luxo, com 1442 vendas (1346, em 2024). Segue-se a Aston Martin, com 62 2carros vendidos (mais um do que no ano anterior), a Bentley, com 53 automóveis (mais dez), a Ferrari, que matriculou 41 carrOS (também mais dez do que em 2024) e, com menos uma unidade vendida, a Maserati. A Lamborghini matriculou 31 desportivos (33 em 2024), pOr último, a Rolls Royce vendeu três automóveis. No segmento premium, marcas como Mercedes-Benz, BMW e Audi mantiveram níveis de vendas consistentes, sobretudo nos segmentos compacto e médio. Aliás, as duas primeiras surgem õno top 5 das marcas mais vendidas, com a Mercedes a vender 17 736carros e a BMW 14 075. Parque automóvel em Portugal continua a envelhecer Idade média ultrapassa OS 14 anos. Necessário incentivo ao abate IDADE A idade média do parque automóvel em Portugal continua a aumentar e mantém-se entre as mais elevadas da Europa, refletindo um envelhecimento com impactos ambientais, económicos e de segurança rodoviária. Em 2024, os veículos ligeiros de passageiros em circulação no país apresentavam uma idade média de 14,2 anos, valor superior à média da União Europeia, confirmando uma tendência de crescimento nos últimos anos. Este cenário resulta de vários fatores, a começar pelo elevado custo de aquisição de automóveis novos, que, conjugado com a incerteza quanto à transição para tecnologias mais limpas, como os veículos elétricos, leva muitos condutores a adiarem a compra de um carro novo, prolongandoa vida útil do automóvel atual. A composição do parque automóvel evidencia esta realidade: cerca de 63,1% dos veículos ligeiros de passageiros têm dez ou mais anos. MAIS POLUIçáO Veículos mais antigos são, em regra, menos eficientes e mais poluentes, contribuindo para níveis mais elevados de emissões de dióxido de carbono, entre outros poluentes. E, em termos de segurança, dispõem de menos sistemas modernos de assistência à condução e de proteção dos ocupantes. Apesar do crescimento das vendas de veículos novos, a renovação do parque automóvel permanece lenta e reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes, nomeadamente incentivos ao abate, medidas fiscais ajustadas e aposta em soluções de mobilidade mais seguras e ambientalmente sustentáveis. REIS] PINTO REPORTAGEM Foi um ano “atípico” no comércio de carros usados Concorrência Pagamentos a pronto aumentam, crédito diminui e pequenos vendedores pressionam o setor dificil. “Foi um ano atípico (..) depois das férias, ónos meses de setembro, outubro, novembro e até dezembro, o setor automóvel teve uma queda acentuada”. Para oempresário, o receio económico está fortemente ligado à instabilidade política e a decisões anunciadas para o setor. “e a instabilidade política. As pessoas parecem ficar à espera de ver o que é que vai acontecer". Medidas como as alterações ao IUC, entretanto adiadas, também tiveram impacto. “e apenas um IUC, mas mexe. As pessoas passam a estar num compasso de espera antes de decidirem comprar carro”. NEGóCIO DE OCASIáO Outro dos desafios apontados é a concorrência crescente de pequenos vendedores particulares, que usam as redes sociais para o negócio de ocasião. “As pessoas compram um carro e acabou, depois não têm onde se queixar, não têm onde reclamar”. Um fenómeno mais visível óno segmento até aos 10 mileuros, muitas vezes associado a clientes sem acesso a crédito. “E isso não é bom para o setor automóvel e não há qualquer fiscalização”. Olhando áS vendas, o segmento mais procurado mantém-se nos “valores médios”. “Entre OS 15 e OS 30 mil euros. e o que sai sempre, diariamente”. Já os elétricos e os híbridos continuam a crescer de forma gradual, impulsionados sobretudo pelas vantagens fiscais para as empresas. “o elétrico e o plug-in têm um crescimento muito estável e muito gradual”. Estes últimos têm contribuído para estabilizar as vendas do último mês. “Em dezembro, temos mais procura dos empresários e dos trabalhadores independentes pelos elétricos e híbridos para poderem fazer amortizações”. No seu stand, os elétricos representam entre 5 e 7% das vendas, enquanto os híbridos podem chegar aos 25%. Outro fenómeno que tem marcado o ano foi o aumento significativo do pagamento a pronto. “As compras a pronto cresceram de forma brutal. Entre 70 e 75% das compras no meu stand, são pagas a pronto pagamento”. Em contrapartida, refere que o crédito automóvel “baixou consideravelmente”. Em alguns casos, alerta, trata-se de um “falso pronto pagamento”, resultante da consolidação de créditos, algo que considera não ser “um bom presságio”. VAI SER ANO DE LIMPEZA Em sentido positivo, destaca a consolidação das vendas online, acelerada pela pandemia. “A COvid revolucionou isto completamente. Hoje em dia, fazemos vendas online, com as pessoas a comprar um carro através do site. Se antes as vendas eram essencialmente locais, agora chegam de todo o país, nós vendemos carros para todo o lado”. Para 2026, a perspetiva é cautelosamente otimista. “Vai ser um ano de limpeza óno mercado automóvel”, antecipa, acreditando que os operadores mais frágeis acabarão por sair. “Não dá para todos, o setor está encharcado de gente”. Ainda assim, mantém a confiança. “Tenho uma casa estável, com alguns anos e com um bom nome. Espero continuar a crescer, que é o que tenho feito desde o primeiro dia que cá estou, porque esta empresa não teve, até agora, ano que não crescesse”. POR Salomão Rodrigues sociedade@jn.pt O ano que agora termina foi, para alguns vendedores de carros usados, “um ano atípico”, marcado pela incerteza das políticas parao o setor e pela consequente retração dos clientes, pelo aumento dos pagamentos a pronto e pela crescente concorrência de particulares na venda de veículos. Um mercado em transformação, onde as vendas online continuam a ganhar peso. Nuno Ribeiro, proprietário há cerca de 17 anos do Stand Alta Rotação, em Santa Maria da Feira, e ligado ao setor automóvel há mais de duas décadas, olha para o momento atual com a experiência de quem já atravessou diferentes ciclos do mercado. Depois de um início de 2025 que classifica como estável, o último trimestre revelou-se mais No segmento dos veículos elétricos, liderou a Tesla (Ð Sérgio Ribeiro Dono do Stand Alta Rotação “As compras a pronto pagamento cresceram de uma forma brutal. Entre 70 e 75% das compras no meu stand são agora pagas a pronto” Nuno Ribeiro tem uma experiência de 17 anos no Stand Alta Rotação, em Santa Maria da Feira Reis Pinto