CIP PREVÊ “BOM ANO” PARA OS NEGÓCIOS. PROTAGONISTAS ANTECIPAM 2026 AO JE
2026-01-05 22:09:04

Armindo Monteiro, líder da CIP, diz ao JE que espera um ano sem grande história, algo que poderá ser bom para os negócios. Conheça as previsões deste e de outros protagonistas para o que irá marcar 2026. Armindo Monteiro, presidente da CIP , Confederação Empresarial de Portugal 2026 vai ser um ano de crescimento moderado: pouco mais de 2%. Um valor desta grandeza não terá impacto significativo na competitividade, produtividade e salários e a convergência com a Europa manter-se-á distante, apesar de crescermos acima da zona euro. Consumo, emprego e investimento , neste caso, ainda por efeito do PRR , permanecerão como principais motores da economia. Já as exportações voltam a ser penalizadas pela instabilidade internacional e a estagnação de mercados como Alemanha ou França. Podemos ainda assistir ao regresso do défice orçamental, cenário que inviabilizaria nova descida de impostos. Prevê-se, pois, um ano sem grande história do ponto de vista económico, o que até pode ser bom para os negócios. A não ser que a situação geopolítica se degrade ainda mais e o comércio global sofra novo abalo tarifário. João Rodrigues Pena, empresário, Gestor e Consultor Em 2026, Portugal mantém-se no doce marasmo. Continua a discussão intensa e estéril dos problemas estruturais , saúde, educação, habitação, justiça, imigração , vem um novo Presidente mas é o Mundial de Futebol que vai marcar 2026. A nível global o desenvolvimento tecnológico domina, acelerando a transformação estrutural da economia mundial e as disputas regulatórias, mas num contexto cada vez mais conturbado. Sempre a ganhar força, Trump verga China, Rússia, Índia e a patética União Europeia e como não desdenha sangue, os conflitos atuais intensificam-se e vão eclodir novos. Enquanto mandar no Mundo um poderoso imperador arguto, sem escrúpulos e sem rivais, paz e estabilidade não passam de sonhos. Margarida Almeida, CEO da Amazing Evolution “Partindo do pressuposto de que os riscos geopolíticos se mantêm circunscritos às atuais geografias de conflito, em 2026 o turismo deverá entrar numa fase de normalização do crescimento, depois da forte recuperação pós-Covid. A evolução continuará a ser mais evidente no Algarve, na Madeira e no Porto. Os Açores enfrentam maior incerteza, devido a questões de acessibilidade aérea, como a saída da Ryanair e o processo de venda da SATA, que podem desacelerar o crescimento se não forem geridas estrategicamente. Lisboa continuará a ser central, mas o funcionamento do aeroporto é hoje um constrangimento real ao desenvolvimento do setor. Crescerá o turismo de qualidade: autêntico, com propósito, ligado ao território e às pessoas. O desafio será evoluir de forma consistente e com mais valor, o que exige visão estratégica nas empresas e no Estado. Precisamos de um Estado mais eficaz e capaz de criar condições para uma economia robusta, com menos carga fiscal sobre quem cria valor, mais fiável, com maior capacidade de execução, emprego mais qualificado e mais inovação. Só assim o crescimento da economia será estrutural, sustentável e transformador.” Paulo Monginho, CEO da OGMA Num contexto que continuará a ser dominado pela incerteza e tensão geopolítica, as empresas terão de se focar nos desafios que têm pela frente: a gestão de pessoas, a integração da inteligência artificial, as métricas da sustentabilidade e uma atenção redobrada à cibersegurança. No caso específico da inteligência artificial, passará a ter um papel de destaque na produtividade. Aproveitando o reforço no investimento em Defesa, há que procurar parcerias estratégicas e valorizar projetos que acrescentem valor à economia portuguesa, mobilizando conhecimento e inovação. Duarte Gomes Pereira, secretário geral da Associação de Instituições de Crédito Especializado (ASFAC) As previsões para 2026 continuam a ser marcadas por um elevado grau de incerteza, resultante de múltiplos fatores externos que condicionam a evolução da economia global. O contexto internacional permanece sensível a desenvolvimentos geopolíticos, a tensões comerciais e a riscos macroeconómicos que podem repercutir-se na estabilidade financeira e no comportamento das famílias. Será desejável que, ao longo de 2026, se verifique uma progressiva normalização do ambiente internacional, contribuindo para mitigar pressões sobre a inflação, o emprego, as taxas de juro e os custos de financiamento, fatores determinantes para a confiança dos consumidores e para a dinâmica do mercado. É fundamental a existência de estabilidade política e de uma orientação económica consistente, criando condições favoráveis ao investimento, ao funcionamento eficiente do sistema financeiro e à atividade das instituições de crédito. Neste enquadramento, o próximo ano apresenta-se como um período exigente para o crédito ao consumo, impondo prudência, capacidade de adaptação e rigor por parte dos diversos intervenientes do setor, sendo essencial que a transposição da Diretiva do Crédito aos Consumidores seja efetuada de forma coerente, sem ultrapassar as suas previsões, para não comprometer o level playing field. Por fim, a estabilidade do enquadramento fiscal e regulatório, alinhado com o contexto europeu será decisiva para assegurar um mercado de crédito ao consumo sólido e competitivo, assente em regras claras, concorrência justa e numa concessão de crédito responsável. A ASFAC e as suas Associadas manterão o seu empenho na contribuição para a melhoria da qualidade de vida dos consumidores portugueses e do tecido empresarial nacional. Francisco Teixeira, Country Manager WPP Este ano, dois em cada dez euros de investimento publicitário serão aplicados por inteligência artificial em todo o Mundo, mas seis em cada dez euros serão conduzidos pelo conteúdo a que estão associados. A IA, o algoritmo e os dados serão crescentemente determinantes na forma como as marcas conquistam, captam e retêm consumidores, mas a substância continua a ser senhora e rainha. São duas boas notícias: a IA automatiza o que é simples e escalável, mas é crucial o papel único do criativo, porque a IA não substitui a criatividade, amplifica a distribuição. Logo, saber escolher é cada vez mais saber excluir, e escolher bem é, por isso mesmo, saber excluir bem. Não espanta que o CEO da Unilever tenha aumentado em 50% o investimento na criação de comunidades de consumidores , porque hoje, como nunca, é crucial saber o que sentem, querem e fazem. Os consumidores, de carne e osso. Sérgio Raposo Frade, Presidente do Grupo Crédito Agrícola Apesar da incerteza global, as principais economias (China, EUA e Zona Euro) deverão crescer em 2026. As taxas de juro deverão apresentar-se estáveis ou registar ligeiras reduções suportando investimento e consumo. Portugal, sustentado por consumo, maior execução dos fundos europeus e mercado de trabalho resiliente, deverá voltar a crescer a um ritmo superior à média da zona euro. Neste contexto, as empresas portuguesas, mantendo uma gestão rigorosa de riscos, gozarão de um clima favorável ao investimento em inovação, diversificação de mercados e de fontes de criação de valor. A Inteligência Artificial confirmará ser um pilar cada vez mais relevante, transformando modelos de negócio, processos e competências necessárias, impulsionando a produtividade e tornando-se uma peça indispensável à competitividade nas estratégias ou iniciativas empresariais. Ana Alcobia, VP do Time Out Market Portugal vai voltar, em 2026, a depender de quem cá vive. Nunca soubemos medir o verdadeiro valor do turismo em Lisboa e, agora, que os turistas serão menos, muitos vão sentir saudades. Os expatriados têm algum peso quando as pastelarias fecham e as casas ficam mais caras? Será a força de trabalho dos imigrantes que sustenta a economia? Cada grupo contribui, sim, mas de maneiras diferentes e o problema que continua sem solução é o mesmo de sempre, a falta de dinheiro dos portugueses. No setor da restauração, a sustentabilidade e tendências como o GLP-1 (Ozempic) vão andar lado a lado e, mais uma vez, só sobreviverá quem se conseguir adaptar. Nuno Villa-Lobos, presidente do CAAD A Justiça enfrenta um importante e decisivo teste entre perceção e realidade. O espaço público em Portugal (no mundo, na verdade,) tem sido vulnerável a discursos e narrativas simplificadoras, e, por esse motivo, a consolidação de dados, a transparência e o escrutínio são fundamentais para a solidez democrática. A experiência do CAAD demonstra que a arbitragem tributária, quando institucional, pública e sujeita a controlo, fortalece o Estado, reduz custos, acelera decisões e melhora a relação com os cidadãos. Em 2026, o desafio será aprofundar reformas em tempo de estabilidade, resistindo ao populismo e enfrentando o imobilismo, e afirmando uma Justiça mais célere, aberta e baseada em factos. Miguel Saraiva, Arquitecto e fundador da S+A Para a arquitetura em 2026, o cenário económico oscila entre a oportunidade e a urgência de reformas. O novo Simplex é a grande esperança para desbloquear o investimento, mas carece de aprovação robusta na Assembleia da República. O motor de crescimento, ainda e pelo último ano o PRR, a sua execução exige máximo profissionalismo, sendo decisiva para o desenvolvimento económico (infraestruturas e tecnologia) do país. Porém, o sucesso exige mudanças estruturais. Urge atualizar o CCP, que atualmente não serve nem ao Estado, nem aos projetistas, nem à sociedade. Esta revisão deve alavancar a necessária valorização financeira dos arquitetos, historicamente desconsiderados na fileira da construção. Sem honorários justos, não há qualidade sustentável. Martim Avillez Figueiredo, sócio fundador da CoRe Capital Norman Lewis, um injustamente desconhecido escritor inglês que dedicou a vida a olhar o que o rodeava, descreveu assim uma terra que visitava: “um radioso local onde homens pequenos em chapéus grandes ainda ocasionalmente disparam uns sobre os outros”. Não julgo que exista melhor forma de descrever 2026: um ano radioso de oportunidades cuja sombra está nos chapéus grandes de muitos homens pequenos. Talvez por isso, na Core Capital, deixaremos novamente os chapéus em casa, arregaçaremos mangas e continuaremos o nosso plano de investimento na competitiva indústria nacional dos bens transacionáveis que, como antes, continuará necessitada de boa gestão e capital fresco. Larguem os chapéus! Bom ano! Miguel Patrício, Chairman of the Board Kraft Heinz Company A economia global terá em 2026 mais um ano de crescimento, impulsionado pelos investimentos em infra estrutura (especialmente relacionados a inteligência artificial), ao crescimento da indústria bélica , aos investimentos em energia , entre outros. Será mais ano com queda de desemprego. No entanto, as classes sociais menos favorecidas sofrerão ainda mais. A inflação em alimentos, em parte devido ao aumento de tarifas mas também por redução de produtividade agrícola por questões climáticas, continuará em alta. A dificuldade de acesso ao crédito imobiliário continuará a por pressão nos custos de arrendamento. A China e USA continuarão cada vez mais a comandar a economia global e a Europa, com muitas dificuldades em liderar o desenvolvimento económico mundial será cada vez mais coadjuvante Américo Pinheiro, CEO da Ferreira de Sá A liderança exige decisões claras, mesmo quando são impopulares”, dizia Eisenhower. Em 2026, esta máxima ganha renovado e irónico sentido no contexto económico e geopolítico global. Portugal e o sector do Design enfrentam os desafios clássicos com a urgência do momento: talento criativo, expansão internacional e fortalecimento de marca. 2026 será exigente, mas será dos que o desenharem com coragem. Rui Pinto Lopes, CEO da Pinto Lopes Viagens Em 2026, o sector do turismo deverá continuar a caminhar para uma consolidação de modelos de viagem mais personalizados e sustentáveis. A aposta recai no aperfeiçoamento da experiência do viajante, com itinerários mais bem calibrados e maior atenção ao impacto nos destinos. Ganham especial relevância as viagens em grupos pequenos, tal como sugerem os circuitos “PLV Small Group Travel , que permitem uma relação mais próxima com as comunidades locais, maior flexibilidade e uma vivência mais autêntica no destino. Em paralelo, reforça-se a escolha por soluções de mobilidade mais sustentáveis, como os Circuitos em Comboio, que estão novamente em voga e refletem uma forma de viajar mais responsável, onde conhecer o mundo implica também respeitá-lo. Carlos Vasconcelos, Chairman da Medway No panorama nacional, acreditamos que iremos atravessar um período de estabilidade política, pelo menos nos próximos dois anos, o que é importante para o planeamento de investimentos, de medidas de gestão e de projetos. Como empresa de transportes ferroviários, continuamos a não entender a esquizofrenia do país que defende e apoia formalmente a política europeia para uma economia sustentável, tendo objetivos muito claros e quantificados em relação à emissões de CO2 e à correspondente transição modal no transporte de mercadorias, mas, simultaneamente, continua a aplicar medidas de beneficio da rodovia, com clara distorção da concorrência, como seja a eliminação de portagens na rede rodoviária, enquanto vai aumentando significativamente as taxas de uso na ferrovia. Para além das externalidades que claramente favorecem a rodovia, distorcendo a concorrência, o país continua a prosseguir um caminho que favorece o meio de transporte mais poluente, em lugar de criar as condições para apoiar o meio mais sustentável: a ferrovia. Em todo o caso, mau grado este cenário geral negativo, alguns passos recentes têm vindo a ser dados pelo Governo que nos permitem algumas esperanças, confiando que correspondem aos movimentos inicias de uma verdadeira política de incentivo ao transporte ferroviário (repito, apoiando os seus clientes/utentes e não os operadores ferroviários), esperando que tenham continuidade. Dito isto, confiamos que 2026 poderá representar um crescimento da economia que, embora ténue, terá um impacto positivo na logística e, por conseguinte, na nossa atividade de operador ferroviário de mercadorias. Redação