TÉCNICA TIPOS DE CÉLULAS - CILÍNDRICAS VS PRISMÁTICAS
2025-12-31 22:09:15

As baterias são normalmente constituídas por um conjunto de células cilíndricas ou prismáticas. As diferenças estão, na robustez na padronização, na gestão térmica, na densidade volumétrica e no aproveitamento do espaço. AS células utilizadas nas baterias dos veículos elétricos (BEV) podem assumir diferentes formatos, sendo OS mais comuns o cilíndrico e O prismático. A escolha entre estas arquiteturas não é meramente estética, envolve compromissos técnicos, industriais e de desempenho que influenciam diretamente a eficiência, a segurança e o custo do sistema de rmazenamento de energia. As células cilíndricas são compostas por elétrodos enrolados em espiral dentro de um invólucro metálico tubular. Este formato é altamente pa-dronizado e beneficia de décadas de experiência acumulada na indústria eletrónica, o que permite processos de produção automatizados, consistência elevada entre unidades e custos relativamente baixos. A robustez mecânica é outro ponto forte, já que estas células suportam bem vibrações e impactos, características relevantes em certas aplicações como é o caso do automóvel elétrico. Além disso, a geometria cilíndrica favorece a dissipação térmica, reduzindo a formação de pontos quentes e simplificando o sistema de arrefecimento. Contudo, apresentam desvantagens: a eficiência volumétrica é limitada, pois o empacotamento em módulos deixa espaços vazios entre células, e para atingir capacidades elevadas é necessário integrar um número muito grande de unidades, aumentando a complexidade do pack. PRINCIPAIS DESAFIOS Já as células prismáticas possuem formato retangular, com elétrodos empilhados ou enrolados em invólucros rígidos de alumínio ou aço. A principal vantagem reside na densidade energética volumétrica superior, aproveitando melhor o espaço disponível dentro do pack e permitindo módulos mais compactos. Este design é particularmente atrativo para fabricantes que procuram maximizar autonomia sem aumentar demasiado o volume 2 CONDUçâO da bateria. A flexibilidade de integração também é maior, já que os blocos prismáticos podem ser desenhados para se adaptar ao espaço estrutural do veículo. No entanto, estas células apresentam desafios: a gestão térmica é mais complexa, pois a geometria retangular dificulta a dissipação uniforme do calor, exigindo sistemas de refrigeração mais sofisticados. Além disso, a produção é menos padronizada e mais cara, com maior risco de variações internas e deformações ao longo dos ciclos de carga e descarga. A escolha entre formatos não é universal e depende da estratégia de cada fabricante. A Tesla, por exemplo, tem privilegiado as células cilíndricas pela confiabilidade e escalabilidade industrial, enquanto empresas como BYD ou alguns modelos da BMW apostaram em prismáticas para otimizar o espaço e aumentar a autonomia. GERAçãO GEN 6 No entanto, a BMW deu recentemente um passo decisivo ao adotar células cilíndricas de sexta geração (Gen6) no novo iX3. Estas células, com 46 mm de diâmetro e 95 mm de altura, foram integradas diretamente na estrutura da carroçaria, numa abordagem “pack-to-open-body” que aumenta a rigidez estrutural e reduz o peso. O resultado é uma bateria mais eficiente, com ganhos de cerca de 20% em densidade energética e uma redução de 10% no peso total. Além disso, a nova arquitetura de 8oov permite carregamentos ultrarrápidos até 400 kW, recuperando mais de 370 km em apenas 10 minutos e reduzindo o tempo de carregamento de 10% a 80% para cerca de 21 minutos. A BMW reporta ainda uma redução de 20% nos custos de fabrico e uma pegada de carbono 34% menor ao longo do ciclo de vida da bateria, graças ao uso de materiais reciclados e à maior eficiência energética. A decisão da BMW de migrar das prismáticas para as cilíndricas ôno iX3 não é apenas técnica, mas estratégica: ao combinar maior densidade energética, carregamento ultrarrápido, redução de custos e integração estrutural, a marca posiciona-se para competir diretamente com fabricantes que já exploram há anos os benefícios das células cilíndricas. Em síntese, as cilíndricas destacam-se pela robustez, padronização e facilidade de arrefecimento, mas sacrificam eficiência volumétrica; as prismáticas maximizam o aproveitamento do espaço e a densidade energética, embora impliquem maior custo e complexidade de gestão térmica. A BMW, ao apostar nas cilíndricas de nova geração, demonstra como a evolução tecnológica pode alterar o equilíbrio entre vantagens e desvantagens, moldando o futuro das arquiteturas das baterias que equipam a nova geração de modelos BEV.O NOVA GERAçâO DE CeLULAS (GEN 6) NO NOVO IX3 VANTAGENS E DESVANTAGENS CARACTERiSTICA CILiNDRICAS PRISMãTICAS FORMATO Tubular Retangular DENSIDADE VOLUMETRICA Média Alta ROBUSTEZ MECãNICA Elevada Média PRODUçãO Altamente consolidada Crescente APLICAçôES Tesla, BMW... Audi, Mercedes ... NOVO AUDI A6 COM CÉLULAS PRISMÁTICAS MARCO ANTÓNIO