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CARROS A GASÓLEO E A GASOLINA PODEM SER VENDIDOS PARA LÁ DE 2035

Expresso

2025-12-19 22:09:32

Afinal, ainda não é desta que a Europa se vai livrar dos carros a gasóleo e a gasolina Há pouco mais de dois anos, a Comissão Europeia decidiu proibir a venda de carros equipados com motores de combustão interna (a gasóleo e a gasolina) a partir de 2035. Esta imposição deixou praticamente toda a indústria automóvel europeia em sobressalto, e, como tal, foram muitas as marcas que investiram dezenas de milhares de milhões de euros na preparação das suas linhas de montagem para a produção de carros elétricos. Acontece que o mercado não aderiu como era esperado à compra de automóveis movidos a eletricidade essencialmente por serem inacessíveis à maioria da população, além de haver limitações em termos de autonomia das baterias e também das redes de carregamento. Algumas marcas começaram a encerrar linhas de montagem e até fábricas devido à falta de procura de carros elétricos. E as principais associações do sector a nível europeu , que emprega cerca de 13 milhões de trabalhadores começaram a intensificar a pressão sobre a Comissão Europeia para que as metas de proibição de carros a combustão fossem revistas, de modo a evitar o encerramento de mais fábricas. E foi neste contexto que se chegou à decisão da passada terça-feira, segundo a qual, a partir de 2035, os fabricantes europeus “terão de cumprir uma meta de redução de 90% das emissões poluentes” face a 2021 e não de 100%, como estava previsto. Cedência ao lóbi das marcas europeias O anúncio faz parte de um conjunto de medidas com as quais Bruxelas diz que é preciso “manter o rumo em direção à mobilidade limpa, mas com pragmatismo”. Na verdade, trata-se de uma cedência à indústria automóvel europeia, que há largos meses pedia uma flexibilização das normas impostas quanto à proibição de venda de carros equipados com motores a combustão interna depois de 2035. Bruxelas diz agora que as marcas podem utilizar “aço de baixo carbono fabricado na União Europeia e também combustíveis sintéticos e biocombustíveis”, para compensar a cedência em 10% das emissões poluentes. Isto permitirá, segundo Bruxelas, que os carros híbridos plug-in, os que forem equipados com extensores de autonomia, os híbridos ligeiros e os veículos com motor de combustão interna em geral “continuem a desempenhar um papel importante após 2035, além dos veículos totalmente elétricos e dos veículos a hidrogénio”. Por outro lado, Bruxelas decretou ainda que, antes de 2035, os fabricantes de automóveis “poderão beneficiar de supercréditos para automóveis elétricos pequenos e acessíveis fabricados na União Europeia”. Embora sem entrar no detalhe sobre o que significa o acesso a supercréditos , Bruxelas assegura que “isto irá incentivar a implementação no mercado de mais modelos de veículos elétricos de pequena dimensão”. A Comissão nota ainda que, “para a meta de 2030 para automóveis e carrinhas, foi introduzida uma maior flexibilidade, permitindo o financiamento bancário e empréstimos para o período de 2030 a 2032". Foi também concedida uma flexibilidade adicional para o segmento das carrinhas, onde a adoção de veículos elétricos “tem sido estruturalmente mais difícil”, com uma redução da meta das reduções de co, em 2030 de 50% para 40%. A Comissão propõe também uma alteração específica às normas de emissões de co2 para veículos pesados, “com uma flexibilidade que facilita o cumprimento das metas de 2030”, sem entrar em mais pormenores sobre O assunto. Em suma, Bruxelas garante que o pacote de medidas apresentado aborda a questão da transição para a mobilidade limpa tanto do lado da oferta como da procura: “Do lado da ofer-ta, apresenta uma revisão das normas de emissões de co, existentes para automóveis e carrinhas e uma alteração específica para as normas relativas aos veículos pesados. Do lado da procura, propõe uma iniciativa para descarbonizar as frotas empresariais com metas nacionais vinculativas para veículos com emissões zero e baixas emissões.” “Europa continua na vanguarda” “Inovação. Mobilidade limpa. Competitividade. Este ano, estas foram as principais prioridades nos nossos intensos diálogos com o sector automóvel. as organizações da sociedade civil e as partes interessadas”, disse na passada terça-feira Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, sobre as medidas que agora estão em cima da mesa. E acrescentou ainda que, “à medida que a tecnologia transforma rapidamente a mobilidade e a geopolítica remodela a concorrência global, a Europa continua na vanguarda da transição global para uma mobilidade limpa”. A Comissão promete menos burocracia, com uma redução dos custos para os fabricantes europeus, “impulsionando a sua competitividade global e libertando recursos para a descarbonização”. “Espera-se que as empresas poupem aproximadamente £706 milhões por ano” neste domínio. Bruxelas promete menos burocracia, com redução dos custos para os fabricantes elétricos modelos vários Ford abandona Enquanto na Europa se discute a cedência nas metas ambientais provocada pela venda de carros com motores de combustãc interna, a fabricante automóvel americana Ford Motor anunciou, na passada segunda-feira, que vai descontinuar vários modelos de veículos elétricos, em resposta às políticas do Governo de Trump e à queda da procura de veículos elétricos. A Ford, citada pela agência Reuters, afirmou que se concentrará fortemente em modelos a gasolina e híbridos e, eventualmente, contratará milhares de trabalhadores, embora haja alguns despedimentos, a curto prazo, numa fábrica de baterias no Kentucky. A empresa espera que a sua quota global de híbridos, veículos elétricos de autonomia alargada e veículos totalmente elétricos atinja os 50% até 2030, face aos atuais 17%. A mudança da Ford reflete a resposta da indústria automóvel à queda da procura de modelos elétricos. A pressão dos gigantes europeus do sector automóvel deu resultado e Bruxelas cedeu nas emissões de CO2 FOTO HENDRIK SCHMIDT/GE TTY IMAGES VÍTOR ANDRADE