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DEFESA - INDÚSTRIAS DÃO PREJUÍZO DE EUR11 MILHÕES

Expresso

2023-09-15 06:00:09

Desde 2020 que estavam por publicar as contas das indústrias de defesa debaixo do chapéu da holding estatal idD Portugal Defense, a empresa gestora de participações que foi presidida por Marco Capitão Ferreira, o ex-secretário de Estado da Defesa, constituído arguido por corrupção e participação económica em negócio, e que manteve a tutela desta entidade enquanto esteve no Governo. As contas da idD, finalmente publicadas no site da empresa esta semana, destaparam um prejuízo de EUR10,9 milhões em 2022, que piorou “significativamente, face a 2021”, quando Contas escondidas da idD revelam dois anos de perdas, sob tutela de Capitão Ferreira o resultado negativo já tinha sido de EUR4,3 milhões. A “magnitude” do resultado negativo das indústrias de defesa explica-se, no relatório e contas relativo ao ano passado, pela “inexistência de atividade industrial e pela performance de algumas participadas”. Apesar deste volume de prejuízos, a empresa tem cinco administradores desde o tempo de Capitão Ferreira quando deveria ter três, como norma nas empresas públicas e nenhum diretor, para um total de 26 trabalhadores. Um dos fatores para um resultado tão negativo tem a ver com a área diretamente gerida pela idD: a componente industrial, que consiste na chamada “desmilitarização” destruição de munições inoperacionais, fora de prazo, etc., dos três ramos das Forças Armadas , que esteve paralisada ao longo de 2022. Esta paragem resultou numa “quebra de EUR1,2 milhões pela ausência do contrato”. O relatório e contas reconhece que “a praticamente inexistência de atividade fabril em 2022 teve um impacto muito significativo na capacidade de geração de receita da companhia neste exercício financeiro”. O Conselho de Administração, presidido por Alexandra Pessanha, justifica a paragem da atividade industrial por um “atraso na negociação, e no processo de visto do Tribunal de Contas (TdC)”, e adiamento “do contrato bianual de prestação de serviços com a Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional”. Quanto à performance das participadas, os resultados negativos da OGMA Indústria Aeronáutica de Portugal (onde o Estado mantém 35% do capital via idD) acentuaram as perdas. O resultado “foi muito penalizado pelo prejuí zo gerado na participada OGMA”, o que “originou uma perda no montante global de EUR8,7 milhões, para a qual contribuiu a perda na participada OGMA no montante de EUR9,2 milhões”, pode ler-se no relatório. O resultado (antes de impostos) da empresa, cuja maio ria do capital pertence à brasileira Em braer, passou de EUR1,7 milhões negativos em 2021 para um prejuízo de EUR21,8 milhões em 2022. Depois de Marco Capitão Ferreira ter sido arguido no Processo Tempestade Perfeita, a ministra da Defesa, Helena Carreiras, pediu uma auditoria financeira à idD ao TdC, que foi alargada também aos contratos e adjudicações por proposta do PSD no Parlamento. A idD Portugal Defense gere as seguintes participações: 100% do Arsenal do Alfeite, 100% da ETI Empordef Tecnologias de Informação, 59,8% da Extra Explosivos da Trafaria, 45% da NavalRocha Sociedade de Construção e Reparações Navais, 35% da OGMA Indústria Aeronáutica de Portugal, 18% da EID Empresa de Investigação e Desenvolvimento de Eletrónica e 17,5 % da EDISOFT Empresa de Serviços e Desenvolvimento de Software. vmatos @expresso.impresa.pt