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ENERGIA SOLAR INTEGRADA

Edifícios e Energia

2025-11-18 22:03:04

AUnião Europeia definiu um roteiro claro: edifícios mais eficientes, inteligentes e sustentáveis. O Pacto Ecológico Europeu, a Estratégia Renovation Wave e a Diretiva de Desempenho Energético dos Edifícios (EPBD) traçam metas exigentes para um setor responsável por cerca de 400% do consumo energético e 360% das emissões de co, no continente. Em Portugal, aambição é clara. Segundo a versão final da revisão do Plano Nacional de Energia e Clima 2030 (PNEO 2030), opaísquer atingir5,7 GW (gigawatt) de capacidade instalada em sistemas descentralizados até ao final da década. Este número inclui as Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC) e as Unidades de Pequena Produção (UPP), somando-se à micro e mini produção. As instalações de sistemas fotovoltaicos continuam a disparar, impulsionadas pela descida dos custos, pela pressão climática e pelas metas ambiciosas da União Europeia para a construção sustentável. Cada vez mais famíliasem Portugal instalam painéisfotovoltaicosnas suas habitações, A ideia é simples e muito apelativa: aproveitar a energia gratuita do sol para reduzir a fatura elétrica. O caminho parece traçado: cidades inteligentes, edifícios autossuficientes e energia produzida onde é consumida. A revolução já começou, e está a acontecer nas nossas paredes, telhados e janelas. Os sistemas de energia integrada chamados BIPV , Building Integrated Photovoltaics , estão a desenvolver,se rapidamente porque vão muito além da colocação de painéis sobrepostos em coberturas ou fachadas, que, por si só, desvirtuam a estética urbana e paisagem local. Com estes sistemas de energia solar integrada, os módulos solares são parte integrante da estrutura do edifício, sobrepondo-se a materiais convencionais como vidro, telha ou revestimentos. O resultado é duplo: produçãode eletricidade limpa e integrao ção arquitetónica harmoniosa. Esta convergência entre tecnologia e design respondea uma tendência mais ampla , a democratização da energia. Cada vez mais consumidores tornam-se produtores e consumidores, gerando e consumindo a sua própria eletricidade. A descentralização do sistema elétrico está a ganhar forma, edifício a edifício, telhado a telhado. Neste contexto, o BIPV surge como solução-chave e de enorme potencial. Além de gerar energia no ponto de consumo, reduz perdas de transporte, melhora a eficiência térmica e contribui para aautonomia energética dos edifícios. A integraçãoestética, antes vista como um desafio, é hoje uma oportunidade: fachadassolarescoloridas, vidros fotovoltaicos semitransparentes e curvos, etelhas solares já fazem parte do novo léxico da arquitetura europeia, permitindo adaptar o sistema ao projeto arquitetónico, sem comprometer o desempenho energético. Mas há obstáculos a ultrapassar: o custo inicial ainda superior face aos sistemas tradicionais continua a travar alguns projetos. Faltam também normas técnicas claras, incentivos específicos e formação especializada para arquitetos e instaladores. A ausência de políticasconsistentes de certificação e financiamento ainda limita a adoção em larga escala. Apesardisso, o setor estáa amadurecerrapidamente.A indústria já oferece soluções modulares e personalizáveis e os arquitetos começam a encarar o BIPVnão como um acessório, mas como um elemento construtivo natural. A medida que os custos caem e as exigências ambientais aumentam, aintegração solar nos edifíciostende a tornar,se uma norma - não uma exceção. A energia solar integrada é hoje uma realidade em expansão, sustentada por avanços tecnológicos e políticas públicas de descarbonização. No entanto, persistem questões por resolver: como acelerar a certificação de produtos? Como garantir a compatibilidade com códigos de construção nacionais? E, sobretudo, como envolver o setor financeiro na escalada desta transição? Outra vertente, a implementação fotovoltaica para aproveitara energia, gratuita do sol paracarregart o carro elétrico sem depender da rede é bastante apelativa. Afinal, se temos sol durante o dia e um veículo elétrico na garagem, não faria sentido aproveitar ao máximo essa energialimpa e gratuita e reduzir a dependência energética? Na teoria, sim. Na prática, as contastêm de ser feitas porque nem sempre são simples evantajosas para o consumidor. Ea razão está na forma como funcionam os tarifários de eletricida-Presidente da ANPQ Associação Nacional dos Peritos Qualificados de em Portugal, nas características técnicas dos veículos elétricos e na própria produção dos painéis fotovoltaicos. Vejamos algumas contas: a) o papel dos tarifários Grande parte dos consumidores que instalam painéis solares mantém ou adere a um tarifário bi-horário. Nestes tarifários, a eletricidade consumida durante a noite (período chamado de “vazio") é cerca de três vezes mais barata do que a eletricidade consumida durante o dia (período “fora de vazio"). Um exemplo típico: : Vazio (noite): 0,07 e/kWh (quilowatt-hora) Fora de vazio (dia): 0,21 e/kWh (valores indicativos, sem IVA) Esta diferença faz com que, muitas vezes, carregar o carro à noite seja muito mais económico do que tentar aproveitar para carregar durante o dia com recursoaosol. b) o exemplo de uma instalação típica Imaginemos uma habitação com 6 painéis solares de 450 w (watt) cada. Na prática, esta instalação pode produzir: o Cerca de 2,3 kW de pico em dias de verão, entre as 13h eas 15h. Valores mais modestos de produção, como 1 kW antes das 11h e após as 17h. Vejamos alguns cenários reais de carregamento de um veículo elétrico: b1) Carregar à noite Um carregamento de5 kWh durante a noite (vazio) custa: . 5 kWh X 0,07 EUR/kWh-0,35EUR o u seja, carregar o equivalente a cerca de 25 km de autonomia pode custar menos de 40 cêntimos. b2) Carregar durante o dia, com excedente solar Se existir excedente solar de 1,4kW durante 3h30, o carregamento é praticamente gratuito, já que não há consumo da rede. Masraramente isso acontece. O consumo normal da casa (frigorifico, computador, box de TV, alarme, etc.) ronda 200 a 500 W. Logo, o excedente disponível para o carro pode ser inferiora a 1,4 kW. Caso 1: excedente de 1 kW o carro precisa de 1,4kW. 1 kWvem do sol, 0,4kWvêm da rede. Em 3h30, o carro consome 5 kWh, mas 1,4kWh vêm da rede. Custo: 1,4 kWh «0,21e/kWh-0,30e Comparando: Noite , 0,35EUR Dia (com excedente de 1 kW) )=0,306 e Ou seja, a poupança é mínima:a apenas0,05 e. Caso 2: excedente de apenas 500 W o carro precisa de 1,4 kW. 0,5 kWvêm do sol, 0,9 kW vêm da rede. Em 3h30, 3,15 kWh vêm da rede. Custo: 3,15 X 0,216=0,66EUR Comparando: Noite , 0,35EUR Dia (com 500 w de excedente) , 0,66EUR Neste caso, carregar durante o dia é quase o dobro do preço de carregar durante a noitel c) o impacto da venda de excedentes Existe ainda um fator adicional a considerar: muitoscontratos permitem vender o excedente solar àrede, recebendo em média cerca de 0,05 e/kWh. Ou seja: Se, em vez de carregar o carro durante o dia, o consumidor optasse por vender5 kWh de excedente à rede, receberia cerca de 0,25 EUR. Se depois carregasse o carro à noite, gastaria 0,35EUR. No saldo final, o carregamento ficaria porC 10 e (0,35 e , 0,25EUR). Aqui, paradoxalmente, usaro sol diretamente para carregar ocarro pode ser menos vantajoso do que vendê-lo à rede e carregar durante a noite! O QUE APRENDEMOS COM ESTAS CONTAS? Estes exemplos mostram que a relação entre energia solar e veículos elétricos é mais complexa do que pode parecer à primeira vista. Três pontos principais ficam claros: 1. O tarifário conta muito.com preços noturnos três vezes mais baixos, o carregamento em vazio pode ser mais económico que usar o sol. 2. O mínimo de carregamento limita a flexibilidade. Se o carro pudesse carregarcom 300w ou 500w, aproveitaria melhor o excedente solar. Mas, como precisa de 14kW, acaba por puxar energia da rede. 3. A venda de excedentes pode inverter a lógica. d) Caminhos possíveis para o futuro Há várias formas de melhorar esta situação: Dimensionar bem o sistema fotovoltaico: mais painéis significam mais excedente disponível para atingir o limiar de 1,4kW; Carregadoresinteligentes: algunsequipamentosjá permitem ajustar o carregamento em função da produção solar, embora a limitação do mínimo de potência continue a existir; Baterias domésticas: são ainda caras, mas permitem armazenaro excedente do dia e usá,lo à noite, quando o preço da rede é mais baixo; Tarifáriosmais flexíveis: no futuro, poderemos ter preços diferenciados consoante a disponibilidade da rede, permitindo uma maior valorização da energia solar. CARLOS OLIVEIRA