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BRAGA - UTOPIA PROJETA BRAGA NO MAPA LITERÁRIO E CULTURAL

Diário do Minho

2025-11-16 09:06:05

Festival Utopia projeta Braga no mundo literário e cultural internacional Está ofci ialmente aberta a III edição do Festival Literário Utopia, que vai decorrer até ao dia 23 de novembro, com uma programação rica e abrangente, envolvendo vários espaços culturais e escolas de Braga. Um evento que, graças à dimensão e alcance dos seus protagonistas, com Prémios Nobel e vultos culturais, projeta e coloca Braga no mundo literário e cultural a nível nacional e internacional. O epicentro do Utopia volta a ser o Espaço Vita, os Claustros do mesmo espaço e a icónica Capela Imaculada. A sessão de abertura teve casa simpática, apesar das condições climatéricas antipáticas. Na sessão de boas-vindas, Paulo Ferreira, diretor do Festival, fez questão de frisar o crescimento do evento, que começou em 2023 como uma vontade de criar um espaço para a literatura habitar o centro da vida pública, mas que, em apenas dois anos, tornou-se, «numa plataforma em expansão. Hoje, o Utopia é um gesto que parte de Braga, mas que já não se fecha aqui», disse, dando exemplo das presenças nas cidades de Bogotá e Medellín, na Colômbia; com escritores e editores da região do Minho. E, em 2026, o Utopia Braga estará em Ponta Delgada, Capital Portuguesa da Cultura. Sobre a edição que começou ontem, Paulo Ferreira prometeu que durante os próximos dez dias, Braga volta a ser tomada pela literatura. «Estaremos um pouco por todo o lado , de claustros a capelas, de escolas a livrarias, de palcos a salas improváveis. Temos mais de 100 horas de programação, dezenas de autores e artistas, uma feira do livro, leituras encenadas, ofci inas, jantares, encontros e... conversas. Muitas conversas». Paulo Ferreira destacou as presenças do Prémio Nobel da Literatura Abdulrazak Gurnah, que deu ontem mesmo início às conversas. E nos 10 dias vão passar por Braga, personalidades como Mia Couto, Frederico Lourenço, Kátia Guerreiro, Katja Hoyer, Lúcia Moniz, Sofia Moreira de Sousa, Ricardo Araújo Pereira, Karla Suarez, Dino D Santiago, Onésimo Teotónio de Almeida, entre outras. Presidente da Câmara diz que a cultura só se cumpre quando é para todos Por sua vez, João Rodrigues teve ontem o seu primeiro ato público como presidente da Câmara de Braga. Na sua estreia no festival como líder do executivo bracarense, também deu as boas-vindas a todos, agradeceu a todos quantos fazem crescer o Utopia, que «não é apenas um evento em Braga, é um rosto de Braga». E também ele recordou que o que começou como um gesto corajoso, de pôr a literatura no centro da vida pública, «é hoje um si-nal claro daquilo que Braga quer ser, «uma comunidade que lê, que pensa e que procura conhecer mais através das palavras. No ano em que somos Capital Portuguesa da Cultura, acolher o Utopia é mostrar uma cidade descomplexada, cosmopolita, que se respeita a si própria e que já não pede licença a ninguém para seguir o seu caminho». Para João Rodrigues, a cultura cumpre-se quando é para todos e, a par da escola, é o maior elevador social. «Não escolhemos o sítio onde nascemos, mas a escola e a cultura podem dar a cada pessoa as ferramentas para se fazer a si própria e escrever o seu caminho. Uma cidade como Braga, descomplexada e aberta ao mundo, mede-se também pela capacidade de garantir que ninguém fci a de fora deste acesso à cultura», afri mou. Após a abertura, entrou em palco o Prémio Nobel. Programa Utopia Texto de D. José Tolentino Mendonça encenado hoje na Capela Imaculada “Sala de Jantar”. Após a sessão de abertura de ontem, com o presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues; o responsável Paulo Ferreira e o Prémio Nobel, Abdulrazak Gurnah, entre outros convidados, o festival literário Utopia tem hoje um grande dia. Entre outros itens da programação, destaque para a estreia da peça de teatro “Sala de Jantar” hoje, às 21h30, na Capela Imaculada do Espaço Vita, com texto do Cardeal português D. José Tolentino Mendonça. A peça tem encenação de John Romão e interpretação de Albano Jerónimo, e traduz-se numa refel xão sobre a alimentação como ato de relação e revelação. A Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva acolhe a exposição “José Veiga, o Desenhador da Alma de Braga”. A Academia Sénior de Braga recebe, às 16h30, a apresentação do livro “Camilo Castelo Branco em Braga” de Secundino Cunha. Às18h30, acontece outro dos grandes momentos do dia e do próprio Festival literário Utopia. O dstgroup convida o prémio Nobel da Literatura 2021, Abdulrazak Gurnah e Mia Couto para uma conversa no Auditório do Espaço Vita, com moderação de Ana Daniela Soares. O Utopia não se esqueceu das crianças e há muita programação infantil. Por exemplo, hoje, às 10h00, nos Claustros do Espaço Vita, realiza-se a apresentação do livro infantil “Urso Papão”. Para amanhã está marcada a estreia do espetáculo “Ponto de Fuga”, às 17h30, no Auditório do Espaço Vita. Um espetáculo que combina a espontaneidade com a profundidade de uma viagem pelo mundo das artes, apresentado por Martim Sousa Tavares com a participação musical de João Barradas. Também amanhã, destaca-se a conversa com a autora espanhola Alice Kellen, cuja obra está traduzida para diversos idiomas, consolidando a sua posição como uma das autoras mais proeminentes da literatura espanhola e das histórias românticas. A programação é extensa, diversa e para todos os gostos. O convite é que se visite o site do Utopia, para não se perder aquilo que se gosta. COM A PRESENÇA DE ABDULRAZAK GURNAH, NOBEL DA LITERATURA 2021 dstgroup volta a colocar Braga no centro do mapa cultural internacional Francisco de Assis O festival literário Utopia serviu de mote para o dstgroup trazer a Braga Abdulrazak Gurnah, o Prémio Nobel da Literatura 2021, considerado uma das vozes mais marcantes da literatura contemporânea. Assim, a construtora liderada por José Teixeira congratula-se por voltar a colocar Braga no centro do mapa cultural internacional. «Esta presença marca um dos momentos mais relevantes da história recente do festival e reforça o papel do dstgroup enquanto principal mecenas privado do pensamento, da literatura e da criação artística em Portugal», lê-se no texto enviado ao Diário do Minho. Depois da participação na sessão de abertura ontem, numa conversa conduzida pela jornalista Maria João Costa, hoje o Nobel da Literatura 2021 volta a participar numa conversa com o também multipremiado Mia Couto, escritor moçambicano. Um diálogo esperado entre dois escritores que exploram temas como migração, memória, pós-colonialismo e identidade. «Convidamos um Nobel para celebrar a literatura e dar oportunidade aos que procuram a origem dos mistérios da vida de encontrar as pistas para a vida em harmonia, para uma vida boa. A literatura é o apoio de Arquimedes. A literatura permite o salto do remediado para o justo valor existencial», justificou o presidente do dstgroup, José Teixeira. Gonçalo M. Tavares e “Almas de Braga ,Alguns Caminhos e Tradições” no festival Utopia De referir que, para além do escritor tanzaniano, o dstgroup, enquanto mecenas do Festival Literário Utopia, pelo terceiro ano consecutivo, promove mais algumas iniciativas de «extrema relevância». Assim, destaca, no dia 21 de novembro, uma sessão dupla com Gonçalo M. Tavares, que apresentará o seu novo livro “O Fim dos Estados Unidos da América” e o documentário, encomendado pelo dstgroup, “As Almas de Braga , Alguns Caminhos e Tradições”. No sábado, dia 22, sobe ao palco do Theatro Circo o artista CATTO, num espetáculo seguido de uma after-party com os DJ Monte e Amadeu Clasen, espaço no Oboé. Os responsáveis do dst frisam que todas as ini-ciativas são de entrada livre, sem necessidade de inscrições. Para o dstgroup, um dos pontos altos da programação do festival literário utopia de Braga, será a estreia do documentário “As Almas de Braga , Alguns Caminhos e Tradições”, uma encomenda direta do dstgroup ao escritor Gonçalo M. Tavares, que assina um retrato poético e sensorial da cidade. Com cerca de 60 minutos de duração, o filme percorre ruas, gestos e vozes de uma Braga onde a tradição e a modernidade se encontram diariamente. «Das lavadeiras junto ao rio aos mestres artesãos de cordofones, do rancho folclórico ao palco iluminado do Theatro Circo, das festas de S. João ao repicar dos sinos das “mil igrejas”, o filme traça o retrato de uma Braga viva, plural e em movimento. No ano em que a cidade se afirma como capital da cultura, o documentário convida a redescobrir o que pul-sa por trás das pedras antigas e das novas criações - uma cultura que é memória, devoção e reinvenção constante», afirma Gonçalo M. Tavares. Documentário é contributo do dstgroup para Braga Capital da Cultura 2025 O documentário nasce da vontade de compreender o significado profundo de Braga enquanto capital da cultura , não apenas como título honorífico, mas como expressão de uma vitalidade artística e comunitária que atravessa gerações. «A encomenda ao Gonçalo M. Tavares é uma contribuição do dstgroup para Braga Capital da Cultura, para procurar os arquétipos do inconsciente coletivo da cidade, a sua natureza e os seus costumes. Um documento para ficar a fazer parte do repositório de Braga para daqui a 100 anos se compreender a sua psique», explicou José Teixeira. ELEVADOR SOCIAL O presidente da Câmara fala da cultura como elevador social Festival Utopia foi o primeiro ato oficial de João Rodrigues como presidente da Câmara de Braga PRÉMIO NOBEL Abdulrazak Gurnah esteve pela primeira vez em Braga Abdulrazak Gurnah, Prémio Nobel da Literatura 2021 fez a conferência inaugural e volta a falar hoje Francisco de Assis