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VEÍCULOS ELÉTRICOS -CHINA E EUROPA COINDENADOS AO DIÁLOGO

Diário de Notícias

2023-05-17 06:33:33

Opinião jorge 4:osta Oliveira Veículos elétricos China e Europa condenados ao diálogo Há 20 anos, enquanto na Europa se continuava a empurrar com a barriga a questão da mobilidade e do armazenamento elétricos, na China percebeu-se o enorme potencial destes setores estratégicos para alavancar uma parte significativa da economia do futuro. Como consequência, em execução de políticas públicas claras (incluindo fortes incentivos financeiros) as empresas chinesas investiram em todos os segmentos da cadeia de valor. Montantes massivos foram investidos em I&D. Procurou-se assegurar o acesso a minérios como titio, níquel, cobalto, manganês, grafite, elementos raros daterra, cobre, ferro, alumínio. Algumas empresas (lianqi, Ganfeng) especializaram-se no processamento químico (refinação) desses minérios em metais críticos. Empresas especializadas na fabricação de elétrodos (cátodos e ânodos), eletrólitos e outras componentes de baterias elétricas beneficiaram de fortes apoios estatais, produzindo essas componentes em giga factories. Multiplicaram-se os fabricantes de veículos elétricos (EV) na China - em 2021 havia 500 marcas de EV no país. O avanço da China na mobilidade elétrica atingiu tal dimensão que relevantes produtores estrangeiros de baterias (LG Energy) e de EV (Testa, BMW, Dacia, Smart, Wird) decidiram montar unidades de produção lá. Nos últimos anos, a Europa decidiu finalmente investir na mobilidade e no armazenamento elétricos. Para o efeito, estabeleceu uma estratégia europeia, fixou prazos [irrealistas] para o termo daprodução deveículos com motor a combustão e criou IPCEI e outros mecanismos de apoio às várias vertentes da mobilidade elétrica. Apesar da relevância do setor (7% do PIB europeu), vai demorar até ao final desta década para termos EV europeus com baterias fabricadas na Europa. Nos EUA, aparte mais importante da estratégia - os incentivos financeiros e fiscais constantes do Inflation Reduction Ad- apenas foi definida em 2022; veremos se se mantém caso o novo presidente americano provenha de setores do Partido Republicano que acham que o aquecimento global e os gases com efeito de estufa são fantasias. O atraso europeu está a levar a um aumento de vendas de EV chineses na Europa; segundo um relatório da Allianz, até 2030, tal deve traduzir-se numa perda de 13% do mercado europeu e de 7000 milhões de euros em lucros líquidos para os fabricantes de veículos europeus. Entretanto, a China tornou-se um exportador liquido de veículos e a tendência é claramente para o superavit neste apetecível setor aumentar. A indústria nascente de EV egigafactories europeias está dependente de fornecimento por empresas chinesas - muitas delas estatais - de baterias elétricas (durante 5-10 anos) e de metais críticos (no longo prazo, durante pelo menos 10-20 anos) provenientes da China. Por outro lado, atenta a progressiva dissociação entre os EUA e a China e as baixas tarifas aduaneiras, a Europa constituirá seguramente o segundo maior mercado para EVchineses, prevendo os analistas um crescimento significativo da quota de mercado destes. A dependência europeia em baterias elétricas e em metais críticos não é alterável no médio praza O mercado europeu está gradualmente a tornar-se uma importante fonte de rendimento para os melhores fabricantes de EVchineses (BYD, NIO, Li Auto, Xpeng,WM Motor). Também neste setor, a UE e a China estão condenadas a dialogar. Consultor financeiro e business developer www.linkedin.com/innorgecostaoliv eira