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BUGATTI MISTRAL

Turbo

2025-10-23 21:04:14

1 IGNIç â,O BUGATTI MISTRAL FECHAR COM CHAVE DE OURO Enquanto a elite com contas bancárias recheadas e paixão automóvel de igual calibre aguarda a chegada do Tourbillion, O Chiron despede-se na pele de Mistral, um dos mais fascinantes e exclusivos roadsters alguma vez fabricados [à mão). Um privilégio poder guiá-lo antes de tão solene saída de cena 0 Mistral é um vento forte e frio que sopra entre o sul de França, as ilhas baleares e a Córsega, mas felizmente não há vestígios dessa forte brisa aqui, ónos arredores da pacata vila de Molsheim (cujas primeiras referências datam do século IX), onde temos a inusitada oportunidade de guiar a última interpretação do Bugatti Chiron. No mundo automóvel, a Bugatti é sempre sinónimo de superlativos. Não há um único modelo da marca sediada na fronteira noroeste da França com a Alemanha que não ostente pelo me-nos um recorde, algo que é uma tradição que remonta a mais de 100 anos, quando Ettore Bugatti construiu os seus primeiros carros. Sob a égide do italiano Romano Artioli, o fabricante artesanal renasceu na década de 1990, mas o atual impulso começou desde que O Grupo Volkswagen a adquiriu na viragem do milénio e lançou o modelo Veyron. E agora que a era de Wolfsburg chegou ao fim , tendo a Bugatti passado a ser liderada por Mate Rimac, O génio croata fundador da marca com o seu apelido , O Mistral também se despede com alguns recordes. ê sempre com um sentimento de solenidade que ónos aproximamos de um veículo de quatro rodas com o logótipo da Bugatti estampado acima da grelha em forma de ferradura de cavalo na frente e o motor w16 montado na traseira (estreado no Veyron, em 2005, e agora sai de cena). Que na dupla Veyron/Chiron se encarregou de alcançar performances únicas ao longo de 20 anos de sensações inebriantes quase sempre vividas na faixa da esquerda da autoestrada. Os 1600 cv e outros tantos Nm de binário desta obra-prima de potência e engenharia de precisão de oito litros são incomparáveis, tal como o são os números que é capaz de rubricar: 380 km/h em modo normal ou até 420 km/h depois de sorver O Santo Graal (leia-se, ser usada uma segunda chave), como aconteceu na pista de testes da Bugatti no final do ano passado, onde o piloto de fábrica Andy Wallace atingiu 453,9 km/h, estabelecendo um novo recorde mundial. Nenhum outro carro descapotável é tão rápido como o Mistral. Hoje nada de tão dramático irá acontecer nesta experiência dinâmica, mas que, mesmo sem a chave sagrada, estará carregada de adrenalina. é que não estamos propriamente nos circuitos de alta velocidade de Nurburgring, Miramas ou Nardo, mas em Molsheim, e em vez de pistas de testes fechadas, as estradas rurais da Alsácia e o sopé dos montes Vosges aguardam com ansiedade a passagem do carro que voa baixinho. Isto sugere um pouco de moderação no tratamento dado ao acelerador, mas também poupa as minhas mais resilientes madeixas de cabelo. 1600 é NUMERO MãGICO Mas a contenção poderá ser um problema. Não só porque o Mistral é tão fácil de guiar como, por exemplo, um Mini (desde que tenhamos atenção ao seu enorme diâmetro de viragem e largura impressionante) mas por, acima de tudo, a magia do número 1600 cavalos (e Nm também) que fazem com que só o cheiro da sola do sapa-to projete o carro acima de velocidades legais, mesmo que o condutor seja muito bem-comportado e cumpridor. é verdade que muitos de nós já nos habituámos à entrega explosiva de binário dos carros elétricos , obrigado, Elon , mas O W16 é de um calibre completamente diferente. E se é certo que os rotores magnéticos nos atingem como um raio que parece saído do nada, aqui a aceleração instigada pelo kickdown (prego a fundo que espoleta a redução de velocidades da telepática caixa automática de sete velocidades de dupla embraiagem) parece-se mais a um martelo a bater no seu estômago com um rugido retumbante catapultando o condutor para outro mundo. 2,5 segundos são suficientes para a aceleração dos o aos 100 km/h (já acima da lei, porque nas estradas rurais francesas, a diversão termina aos 90 km/h). E a memória recorda,me o quão difícil foram aqueles 13 segundos inteiros até de o ponteiro do velocímetro superar os 300 km/h quando guiei o primeiro Chiron, em 2017 (e aqui são até menos, 12). Por mais que O Mistral pareça querer ultrapassar os limites da física com uma facilidade quase insolente, éigualmente impotente quando a meteorologia faz caretas. Porque quando chove (e se torna aconselhável subir a capota) o condutor é aconselhado a não passar dos 160 km/h e tudo se pode tornar, de repente, menos es-tratosférico. Não que o proprietário de um Mistral não possa viver com isso: se se tratar apenas de um aguaceiro rápido, pode relaxar um pouco a velocidades de cruzeiro e se o mau tempo tiver chegado para ficar, o mais normal é que o dono de um Bugatti tenha, em média, uma dúzia de outros carros na garagem que possam ser me- lhor opção. Ou simplesmente usam o seu jato privado. 0 QUANTO E O COMO Mas não é apenas a velocidade que torna este roadster tão atraente. e muito mais o modo como o Mistral consegue isso, a forma como o motor praticamente explode de potência e nos projeta para o horizonte. E, acima de tudo, o som. e como se todo o Mediterrâneo estivesse subitamente a ser sugado num remoinho gigante, tão alto o motor borbulha enquanto puxa o ar (até 70 000 litros por minuto) através dos respiradores esculpidos na fibra de carbono diretamente atrás dos encostos de cabeça. O motor responde com uma fanfarra estridente que quase leva a perder a audição e outros sentidos, pelo caminho. Primeiro com dois, e depois a partir de cerca de 3000 rpm com quatro turbos, os zumbidos iniciáticos arrepiam mesmo os mais experimentados tímpanos. Até que a apoteose acontece, pouco depois, quando os 16 cilindros libertam a pressão através das válvulas de descarga com um suspiro poderoso que soa a um misto de alívio e de deceção. Um automóvel com um motor assim prescinde de infoentretenimento porque este será, provavelmente, o melhor sistema de som do mundo. Até o elefante, para o qual Rembrandt Bugatti (irmão mais novo de Ettore) ergeu uma estátua a partir de um bloco de alumínio, não consegue acompanhar tamanho rugido, pelo que se encolhe e transforma-se numa escultura, imortalizada em resina no punho do seletor de velocidades. Em superdesportivos onde o desempenho não é nem de perto nem de longe tão fascinante, os ocupantes são geralmente punidos com escassez de conforto, condenados a viajar presos em gaiolas sombrias ou vítimas dos compromissos ditados por chassis de afinação dura como as de um Fórmula 1 (forçados a contemplar o metal puro ou a fibra de carbono escura), mas o Mistral é um oásis de luxo numa tempestade no deserto. Os bancos muito envolventes são mais parecidos com poltronas, a suspensão consegue acariciar as costas dos seletos ocupantes mesmo no modo de condução mais desportivo (Top Speed, óno qual a altura ao solo é reduzida de 115 mm para 8o mm à frente e 89 mm atrás), a fibra de carbono exposta em tons de azul tem a companhia do couro delicado e de brilho metalizado por todo o lado, como se os joalheiros da exclusiva rua parisiense Faubourg Saint Honoré se tivessem unido para rechear uma caixa de joias. Enquanto outros não fazem mais do que apresentar uma banal consola central e a cobrem com ecrãs de grandes dimensões, aqui emerge um esqueleto prateado entre os bancos, sobre o qual assentam quatro mostradores como vértebras, exibindo os ecrãs mais discretos da indústria. Isto porque só a partir do Tourbillion a Bugatti vai mostrar a sua solução para resistir à digitalização e fazer renascer a tecnologia analógica como forma de arte. Naturalmente, performance a roçar a insanidade, um ambiente sonoro 3D incomparável e luxo em profusão tudo isto não é de graça. Até um Bentley Continental GTC ou um Ferrari Portofino parecem baratinhos quando comparados com o preço acima de cinco milhões de euros deste Bugatti. E isto antes de começar a acrescentar extras e personalizações faraónicas daquelas que rapidamente projetam o preço do carro para o milhão acima. Não é algo que tire o sono ou desenhe um princípio de ruga na testa dos multimilionários que nasceram óno lado certo da vida. A demonstrá-lo, mesmo antes do primeiro Mistral ter sido finalizado todas as 99 unidades já tinham sido vendidas vários meses antes. E muitos dos que chegaram tarde à lista de encomendas aguardam agora pela chegada do Tourbillion. Inicialmente apenas como um coupé, pelo menos até que a próxima tempestade perfeita se forme sobre Molsheim. Em suma: guardar o melhor para o fim é algo que se ouve muito nesta indústria, mas raramente terá sidotão apropriado como para definir O Mistral. e claro que O Chiron já era mais obra de arte sobre rodas do que automóvel, mas com O Mistral os engenheiros da Bugatti concluíram a sua obra-prima, porque os encantos acústicos do seu motor único são sentidos com ainda mais intensidade neste roadster.Já para não referir o vento experienciado a 420 km/h, que deixam a fasquia incrivelmente alta para O Tourbillion. O 10 BugAtti MISTRAL SURPREENDENTE 10 BUGATTI MISTRAL DESPEDIDA EM GRANDE ESTILO DESPEDIDA EM GRANDE ESTILO 0 QUE PRECISA SABER W16, B LITRDS MOTOR 380 KM/H VEL. MáX 2,4 S 0-100 KM/H 29,0 S 0-400 KM/H 5,5 MILHóES EUR PREçO ESTIMADO QUANDO? EM PRODUçáO VéRTEBRAS Enquanto outros não fazem mais do que apresentar uma banal consola central e a cobrem com ecrãs de grandes dimensões, aqui emerge um esqueleto prateado entre os bancos, sobre o qual assentam quatro mostradores como vértebras, exibindo os ecrãs mais discretos da indústria ALUCINANTE Só 2,5 segundos para disparar dos 0 aos 100 km/h (já acima da lei, porque nas estradas rurais francesas, a diversão termina aos 90 km/h). E a memória recorda o quão intensos foram aqueles 13 segundos inteiros até o ponteiro do velocímetro superar os 300 km/h no primeiro Chiron MELHOR QUE UM F1? Mesmo um F1 não oferece o mesmo: é descapotável, sim, mas mais lento, o piloto está fixo sem se mexer numa espécie de tubo de carbono, há um arco de segurança a estragar a vista e um capacete a arruinar a festa THOMAS GEIGER