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MEDICARE QUER IMPOR DESCIDA NOS PREÇOS DE DEZ FÁRMACOS

Expresso

2023-09-08 06:00:08

Sistema de saúde norte-americano negoceia com a indústria cortes nos medicamentos que geram maior despesa A Administração de Joe Biden divulgou a lista dos dez medicamentos, de receita médica obrigatória, que serão alvo das primeiras negociações de sempre dos preços pagos pelo Medicare, o programa governamental de saúde dos EUA que fornece cobertura aos cidadãos mais velhos (acima dos 65 anos) e com baixos rendimentos. Esta iniciativa está incluída na polémica Lei de Redução da Inflação (IRA), que entrou em vigor em agosto do ano passado, e vem permitir ao Medicare reduzir os custos suportados com alguns dos remédios mais caros segundo as últimas estatísticas quase 66 milhões de pessoas nos EUA estão neste sistema, das quais 50 milhões usufruem da comparticipação de medicamentos. A indústria farmacêutica já deu nota do seu descontentamento. Em causa estão fármacos como o anticoagulante Eliquis, da Bristol Myers Squibb em aliança com a Pfizer, ou o Jardiance, utilizado no tratamento da diabetes tipo 2 e da insuficiência cardíaca crónica, das farmacêuticas Boehringer Ingelheim e Eli Lilly, que custaram ao sistema de saúde norte--americano 16,5 mil milhões de dólares (EUR15,3 mil milhões ao câmbio atual) e 7 mil milhões de dólares (EUR6,5 mil milhões), respetivamente, entre junho de 2022 e maio deste ano, segundo a CMS Centers for Medicare and Medicaid Services (agência que integra o HHS departamento de saúde e de serviços sociais dos EUA). Neste intervalo de tempo foram tratados mais 3,7 milhões de americanos beneficiários do Medicare com o Eliquis, enquanto cerca de 1,5 milhões tomaram o Jardiance. Mais de 8,2 milhões de doentes usaram esta dezena de fármacos por causa de doenças cardiovasculares, diabetes, doenças autoimunes e cancro, entre outras condições, somando uma despesa total de 50,5 mil milhões de dólares, o que corresponde a cerca de 20% do total dos custos brutos com receituário assumidos pelo Medicare, adianta a CMS. A IRA, assinada pelo Presidente Joe Biden e sancionada no verão de 2022, veio abrir a porta ao Medicare para negociar os preços dos medicamentos mais caros. “Hoje é o início de um novo acordo para os pacientes”, disse, na semana passada, Joe Biden num evento na Casa Branca, citado pela agência Reuters, sublinhando que os americanos pagam frequentemente duas a três vezes mais do que outros países pelos mesmos medicamentos. Segundo o Presidente, a intenção é reduzir a despesa com fármacos suportada por 9 milhões de idosos que, anualmente, deixam 6497 dólares, do próprio bolso, nas farmácias. Trata-se do início da negociação de dez medicamentos com a intenção de se fecharem novos preços para entrarem em vigor em 2026 a Reuters lembra que o Medicare comparticipa medicamentos há cerca de 20 anos, mas as leis dos EUA proibiam que este sistema negociasse os valores dos produtos farmacêuticos.com a IRA, a Administração de Joe Biden quer poupar em medicamentos, 25 mil milhões de dólares anuais, até 2031. Entretanto, avança a Reuters, a Novartis, cujo medicamento para insuficiência cardíaca Entresto está entre os dez selecionados, bem como a Eli Lilly e a Merck (tem o Januvia, para a diabetes, na lista) fizeram saber que a fixação de preços vai sufocar a inovação no sector e ter impactado na qualidade dos cuidados de saúde. Por sua vez, a AstraZeneca (está em causa o Farxiga, usado para doença cardíaca, diabetes e doença renal crónica) e a Novo Nordisk (vende o Entresto para a insuficiência cardíaca) estão a avaliar os próximos passos. Em junho, a Merck processou a Administração Biden na tentativa de impedir as negociações, avançou o “The Washington Post”. assantos@expresso.impresa.pt Companhia aérea suspende operações 2 MOÇAMBIQUE A transportadora aérea Moçambique Expresso (Mex) suspendeu desde 31 de agosto todas as operações que envolvem voos domésticos e regionais, conforme comunicação interna a que a agência Lusa teve acesso, em conflito com a estatal LAM, de que é subsidiária. “Lamentamos informar que a direção da Mex Moçambique Expresso SA, reunida em coletivo de direção restrito 026/30 do dia 30 de agosto de 2023 deliberou pela suspensão das operações com efeito a partir de 31 de agosto de 2023”, lê-se uma carta assinada pelo diretor-geral, Faustino Massitela, dirigida à administração da companhia aérea. Segundo informação da companhia, a Mex opera três aeronaves do tipo Embraer 145 para vários destinos no país e na região, nomeadamente ao serviço da LAM, que enfrenta fortes dificuldades financeiras que em abril levaram o Governo a colocá-la sob gestão da sul-africana Fly Modern Ark (FMA). 3 REINO UNIDO PAÍSES DESENVOLVIDOS FALHAM “CRESCIMENTO VERDE” Os países mais desenvolvidos não estão a registar um “crescimento verde”, alertaram esta semana especialistas que apelam a políticas destinadas a enfrentar a crise climática para cumprir os objetivos do Acordo de Paris. A análise dos especialistas foi publicada na revista “The Lancet Planetary Health” e conclui que nenhum dos países desenvolvidos conseguiu reduções de emissões suficientemente rápidas para atingir o nível de Paris. FOTO DANIEL LEAL/ AFP/ GETTY IMAGES Cooperação energética no Mediterrâneo 6 GRÉCIA Grécia, Chipre e Israel chegaram a acordo para aprofundar a sua cooperação regional no domínio da energia, para facilitar as exportações para a Europa, em particular de gás natural e energias renováveis. “Concordámos que o sector energético, e em particular o gás natural, a eletricidade e as energias renováveis, constituem uma base sólida para a cooperação na região”, pode ler-se num comunicado conjunto emitido após uma reunião em Nicósia. A declaração foi emitida depois do presidente cipriota Nikos Christodoulides, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, se terem reunido durante a nona cimeira trilateral dos países. Esta parceria entre os três países, fundada há oito anos, baseia--se na riqueza energética do Mediterrâneo Oriental, particularmente rico em gás natural, e na segurança do abastecimento da Europa. Vestager vai candidatar-se ao BEI 7 BÉLGICA A vice-presidente executiva da Comissão Europeia responsável pela pasta da Concorrência, Margrethe Vestager, anunciou que vai tirar uma licença sem vencimento para concentrar esforços na candidatura ao Banco Europeu do Investimento (BEI). O anúncio desta licença sem vencimento, para se focar na candidatura ao cargo, surge um dia depois de o grupo parlamentar de Vestager no Parlamento Europeu ter manifestado apoio a esta concorrente. Além de Vestager, concorre ao cargo a vice--presidente e ministra dos Assuntos Económicos, Nadia Calviño. 8 VENEZUELA INFLAÇÃO DISPARA COM QUEDA DO BOLÍVAR 114,6% foi o aumento dos preços na Venezuela durante os primeiros oito meses do ano, de acordo com dados divulgados pelo Observatório Venezuelano de Finanças (OVF). A organização revelou ainda que a taxa de inflação no país atingiu 13,6% em agosto e um total de 422% nos últimos 12 meses. “A Venezuela está a entrar num processo de aceleração muito pronunciada do aumento dos preços”, explicou o OVF, num comunicado divulgado em Caracas. O disparo na inflação em agosto “ocorreu num contexto em que a taxa de câmbio do bolívar face ao dólar norte-americano aumentou 8,3% no mercado paralelo, enquanto a taxa de câmbio do dólar oficial subiu 10,5%”, diz o OVF, para quem os preços reagiram de forma exagerada à depreciação do bolívar. 4 ÍNDIA A CIMEIRA DO G20 DESTE FIM DE SEMANA EM NOVA DELI ARRANCA SEM O PRESIDENTE CHINÊS XI JINPING, QUE SE FAZ REPRESENTAR PELO PRIMEIRO--MINISTRO, LI QIANG. A AUSÊNCIA É EXPLICADA POR UM PERÍODO DE RENOVADAS TENSÕES ENTRE OS DOIS PAÍSES MAIS POPULOSOS DO MUNDO. EM QUESTÃO ESTÁ O CONFLITO FRONTEIRIÇO QUE SE ARRASTA DESDE 2020 E TAMBÉM PELA DESCONFIANÇA DE PEQUIM FACE À APROXIMAÇÃO DA ÍNDIA AOS EUA. Tóquio cria fundo de emergência para apoiar exportação de produtos do mar 5 JAPÃO O Japão anunciou a criação de um fundo de emergência para ajudar os exportadores afetados pela proibição da China de importar produtos do mar nipónicos devido à libertação de águas residuais radioativas tratadas da central nuclear de Fukushima. O fundo vai ter um valor de 20,7 mil milhões de ienes (EUR130,6 milhões). A descarga das águas residuais no oceano começou a 24 de agosto e prevê--se que continue durante décadas. As associações de pescadores japoneses e os grupos dos países vizinhos opuseram-se fortemente a esta medida. Hong Kong e Macau também seguiram a posição da China continental de proibir as importações. O primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida afirmou que o fundo de emergência vem juntar-se aos 80 mil milhões de ienes (EUR507 milhões) que o Governo atribuiu anteriormente a estas empresas para combaterem os danos causados à reputação dos produtos japoneses. FOTO ADEM ALTAN/ AFP VIA GETTY IMAGES Presidente executivo da Qantas antecipa reforma 9 AUSTRÁLIA O presidente executivo da companhia aérea australiana Qantas anunciou que vai antecipar em dois meses a reforma, num momento em que o grupo enfrenta uma ação judicial por vender passagens para voos cancelados. “Nas últimas semanas, a atenção dada à Qantas e os acontecimentos do passado tornam claro para mim que a empresa precisa de dar prioridade à renovação”, afirmou Alan Joyce em comunicado. Joyce declarou que Vanessa Hudson, nomeada em maio diretora-geral da Qantas, vai substituí-lo nas funções que desempenhou durante 15 anos. O anúncio de Joyce surge na sequência de uma série de incidentes e queixas que prejudicaram a reputação da companhia aérea, como os preços elevados dos bilhetes, a má qualidade do serviço ao cliente, as reclamações de créditos acumulados por cancelamentos de voos durante a covid-19 e a subcontratação de pessoal de terra no rescaldo da pandemia. O anticoagulante Eliquis, da Bristol Myers Squibb em aliança com a Pfizer, encabeça a lista FOTO SCOTT OLSON/GETTY IMAGES