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PORTUGAL QUER SER OBSERVADOR NO CLUBE DO CAÇA TEMPEST

Expresso

2025-10-03 21:06:55

Defesa aproxima-se do projeto do avião europeu do futuro, mas EUA mantêm pressão para vender F-35 Os gigantes da indústria de armamento estão atentos, e sabem que, de cada vez que um caça F-16 da Força Aérea Portuguesa descola da Base de Monte Real, está a somar horas de voo para se tornar obsoleto. Só a semana passada, dois potenciais concorrentes à substituição destes jatos com 30 anos, organizaram conversas com jornalistas em Lisboa para promoverem a sofisticação das suas aeronaves: os suecos da Saab, que produzem os caças Gripen; e os norte-americanos da Lockheed Martin, que fabricam os caças invisíveis de 54 geração, F-35; e um terceiro, o presidente da Dassault Aviation, que produz o caça Rafale, disse, numa audição na Assembleia Nacional francesa, que estava “a trabalhar muito com Portugal” para tentar convencer o país a escolher o avião francês. Apesar do interesse destes fabricantes internacionais, o ministro da Defesa, Nuno Melo, tem vindo a afastar esta pressão, sem se comprometer com prazos: “Apenas digo que ainda não se abriu nenhum processo de substituição dos F-16 e não existem quaisquer negociações ou contactos pro-movidos pela tutela a propósito com quaisquer empresas”, afirmou o governante ao Expresso. Mas Nuno Melo acrescenta um dado novo: a opção de Portugal por um dos dois consórcios europeus que estão a desenvolver um caça supostamente ainda mais avançado do que O F-35: “Estão a ser efetuados contactos que, neste momento, nos levam a considerar como razoável a possibilidade de Portugal vir a participar com o estatuto de observador no Global Combat Air Programme (GCAP)”. Trata-se de um projeto cooperativo entre o Reino Unido, a Itália e o Japão, para o fabrico do Tempest, um caça de 6a geração. E que poderá vir a contar com a Alemanha, que abandonou o outro programa cooperativo europeu, O Future Combat Air System (FCAS), por desentendimentos com a França (e onde também participa a Espanha). O GCAP define-se como um projeto para “o combate aéreo de 6a geração”, de modo a criar um sistema altamente conectado, “desenhado para complementar e não substituir o F-35”, pode ler-se num artigo assinado por um oficial italiano e outro britânico numa publicação especializada. E suposto o futuro sistema operar drones em simultâneo com caças não tripulados, o que o coloca no patamar da 64 geração. Mas também tenciona ser compatível com o avião norte-americano da Lockheed Martin, que já chegou a ser considerado como a única alternativa possível para Portugal, como o general Cartaxo Alves, chefe do Estado-Maior da Força Aérea disse ao Expresso em maio do ano passado. O projeto GCAP prevê que o primeiro caça Tempest esteja operacional por volta de 2035. Quanto aos F-35, a Força Aérea estima que, caso o Estado escolha as aeronaves norte-americanas, estas possam levar oito a dez anos a ser entregues. Lockheed pressiona Numa conversa com jornalistas na passada sexta-feira, Gregory Day, diretor para o F-35 Lightning Il (Lockheed Martin) O caça norte-americano é o avião mais avançado do mundo.com tecnologia furtiva, torna-se quase invisível aos radares e possui uma capacidade de transmissão de dados e interconectividade que o colocam na 58 geração de caças. E o preferido da Força Aérea. desenvolvimento do negócio internacional da Lockheed Martin, respondeu a uma questão sobre possibilidade de Portugal preferir um projeto de caça europeu: “Ainda não vi ninguém a voar nenhu-ma dessas coisas que estão a andar na Europa. Assim, quando é que vocês estariam preparados para defender o vosso país?”, questionou, garantindo que a sua empresa conseguia começar a entre-gar aviões F-35 a Portugal ao fim de quatro anos a partir da encomenda. Gregory Day garantiu que o programa F-35 é de longo prazo, “para os próximos 40 a 60 anos”, e enfatizou que mesmo países participantes nos consórcios europeus para as aeronaves de 64 geração, estão a comprar F-35. O responsável do gigante norte-americano argumenta que, “se começarmos a seguir um caminho personalizado na sexta geração”, com um modelo para um pequeno grupo de países, “a probabilidade é que o custo seja mais alto porque haverá muito menos pessoas a comprá-lo”, e menos gente a sustentar a logística, a manutenção ou o treino. A FAP chegou a estimar que 27 caças F-35 poderiam custar EUR5 mil milhões. A pressão também vai chegando por via diplomática, uma vez que, no caso de haver negócio nos F-35, este é feito entre OS Governos e não diretamente com a Lockheed. Apesar de Nuno Melo ter arrefecido a preferência da FAP pelos F-35, por falta de “previsibilidade” da Administração Trump, o novo embaixador dos EUA em Lisboa, John Arrigo, que apresentou credenciais esta semana, falou na “oportunidade para aprofundar a parceria” entre ambos OS Estados através da “modernização das capacidades de defesa, com o investimento de Portugal em sistemas avançados como o dos F-35”, afirmou, citado pelo “Diário de Notícias”. A semana passada, os suecos da Saab também realizaram uma conversa com a comunicação social, em Lisboa, para mostrarem as capacidades do caça Gripen, e divulgar a assinatura de memorandos com a a OGMA e com a Critical Software”. matos@expresso.impresa.p Gripen E (Saab) O caça de combate sueco não é invisível e ainda não é considerado de 59 geração, mas dispõe de sensores e sistemas avançados e capacidade para atualizar permanentemente o software. Rafale (Dassault) Projetado nos anos 80, o caça de combate francês é um avião de 4,59 geração, como o Gripen sueco. A Força Aérea tem considerado que menos de 52 geração é ficar para trás na evolução tecnológica Tempest (BAE Systems) O Global Combat Air Programme (GCAP), liderado pelo Reino Unido, é um projeto com Itália e o Japão para ter um caça furtivo de 62 geração em 2035, que envolve drones e aviões não tripulados. “Ainda não vi ninguém a voar uma dessas coisas que estão a andar na Europa”, diz um responsável da Lockheed VÍTOR MATOS